A Up2You, marca brasileira de cosméticos fundada por Adriana Rio, compensou as emissões relacionadas à sua operação e ao frete do e-commerce com créditos de carbono do projeto CAAPII, desenvolvido pela Carbonext no Pará. A iniciativa reforça uma agenda que já faz parte da identidade da empresa, criada a partir de uma visão de beleza conectada à saúde, ao consumo mais consciente e ao legado socioambiental das marcas.
Para a Up2You, a decisão de compensar essas emissões não surgiu como uma ação isolada, mas como extensão natural de um posicionamento já consolidado. A marca nasceu com proposta de clean beauty, sem testes em animais, com preocupação com ingredientes mais saudáveis, desempenho dos produtos e menor impacto ambiental, além de já trabalhar com soluções como embalagens ligadas ao plástico verde de cana-de-açúcar.
Beleza responsável como estratégia de marca
A trajetória da Up2You ajuda a explicar por que a pauta climática passou a fazer sentido para a companhia. Adriana Rio deixou a área financeira após enfrentar um câncer de mama e decidiu construir uma marca que unisse performance, acessibilidade e propósito. Desde o início, a proposta foi oferecer cosméticos com melhor composição e bom custo-benefício, ao mesmo tempo em que a empresa buscava ocupar um espaço ainda pouco explorado no mercado intermediário de beleza responsável.
Segundo a executiva, essa conexão também dialoga com uma mudança mais ampla no setor de cosméticos. “O consumidor está mais atento, lê mais rótulos, quer entender o que está comprando e cobra coerência das marcas. Nós começamos a falar de wellness, composição e longevidade há muitos anos, antes de isso virar tendência. Hoje, vejo que o mercado inteiro caminha nessa direção, e as marcas que não se conectarem a essa realidade tendem a ficar para trás”, diz Adriana.
Afinidade real com a Amazônia e com o CAAPII
Mais do que adquirir créditos de carbono, a Up2You encontrou no CAAPII uma causa com a qual sua narrativa de marca se conecta de forma genuína. Desenvolvido pela Carbonext, o projeto protege 33.927 hectares de floresta amazônica em Paragominas (PA), tem horizonte de 30 anos e já foi certificado pela Verra nos padrões VCS (Padrão de Carbono Verificado) + CCB (Clima, Comunidade e Biodiversidade), além de ter concluído a primeira emissão de mais de 100 mil créditos de carbono. O nome do projeto homenageia o Rio Capim, recurso essencial para as comunidades locais e elemento central da paisagem e da vida no território.
No campo social, o CAAPII se destaca por combinar conservação com ações voltadas a educação ambiental, fortalecimento comunitário, prevenção de incêndios e geração de renda. De 2022 a 2025, o projeto engajou mais de 430 pessoas em ações de formação e diálogo, com cerca de 84% de participação feminina; treinou 42 brigadistas e envolveu mais de 200 crianças em atividades de educação ambiental. Entre as iniciativas, estão também capacitações com mulheres da região, incluindo formação em manicure e pedicure, com manutenção de geração de renda por parte das participantes meses após o curso.
“Quando conheci melhor o CAAPII, o que mais me encantou foi entender o impacto do projeto sobre a vida das mulheres. Ver iniciativas que ajudam essas moradoras a ganhar autonomia, renda e independência faz muito sentido para uma marca fundada por uma mulher e voltada ao bem-estar feminino. Além disso, usamos ativos da Amazônia em alguns produtos, então apoiar um projeto nessa região tornou tudo ainda mais coerente para nós”, afirma Adriana.
Além da frente social, o CAAPII também reúne atributos de alta integridade socioambiental. O projeto combina monitoramento remoto por satélite, patrulhas em campo, armadilhas fotográficas, prevenção contra incêndios e invasões, além de ações voltadas à proteção do Rio Capim e de habitats de espécies ameaçadas. A iniciativa evita, em média, 71 mil toneladas de CO2e por ano, beneficia 1.173 famílias em cinco comunidades e contribui para a conservação de centenas de espécies de fauna e flora na Amazônia, incluindo espécies ameaçadas de extinção.
Compensação como primeiro passo de uma jornada de descarbonização
A compensação da Up2You foi estruturada a partir de dois blocos principais: a operação da empresa e o frete do e-commerce. De acordo com a Carbonext, a metodologia utilizou dados fornecidos pela própria marca, com um mês de referência anualizado para representar o comportamento operacional e logístico ao longo de 2025. O cálculo foi feito com base na mesma lógica metodológica usada pela companhia em seus relatórios, ancorada no GHG Protocol e na referência da FGV, em um formato mais enxuto, adequado ao perfil da operação.
“No caso da Up2You, desenhamos uma solução prática para uma empresa com operação enxuta, olhando para dois blocos: a operação do escritório e o frete do e-commerce. A partir de um mês representativo, anualizamos os dados e aplicamos a metodologia do GHG Protocol. É uma forma segura e acessível de ajudar marcas menores a começarem sua jornada climática com consistência”, explica Vivian Rocha, analista comercial da Carbonext.
Para Felipe Viana, diretor comercial da Carbonext, esse tipo de movimento mostra que a agenda climática já não se restringe a grandes corporações ou a setores tradicionalmente ligados ao ESG. “A jornada de descarbonização pode — e deve — começar de forma proporcional à realidade de cada negócio. Em muitos casos, o primeiro passo é medir melhor a operação, entender onde estão as emissões e buscar compensações de alta integridade, sempre com comunicação precisa. Quando uma marca como a Up2You associa seu posicionamento a um projeto robusto como o CAAPII, ela mostra que compensar emissões também é uma forma de apoiar floresta em pé, biodiversidade e desenvolvimento local”, afirma.
A parceria também reforça um movimento importante para o mercado de beleza: o de ampliar a compreensão de sustentabilidade para além da fórmula ou da embalagem, incorporando o impacto climático e a rastreabilidade das decisões da marca. “A gente sabe que nossa participação ainda é pequena diante do todo, mas informação circula e inspira. Se outras empresas conhecerem esse caminho e perceberem que também podem começar, isso já vira parte do legado que queremos construir”, conclui Adriana.
