247 – O presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Única), Evandro Gussi, afirmou no Fórum Empresarial Brasil-Índia, realizado em Nova Déli neste sábado, que a cooperação entre os dois países transformou a Índia em uma vitrine global do etanol e pode impulsionar a quadruplicação dos biocombustíveis até 2035.
Segundo Gussi, há pouco mais de dez anos praticamente não havia mistura relevante de etanol na gasolina indiana. A partir da parceria com o Brasil, o país asiático avançou rapidamente. “Hoje a Índia mistura já praticamente 20% de etanol na sua gasolina”, afirmou. Ele acrescentou que o governo indiano já discute o chamado “beyond twenty”, ou seja, além dos 20%.
Para o presidente da Única, o avanço foi expressivo. “A Índia fez em 10 anos o que o Brasil levou 40 para fazer”, declarou. Ele ressaltou que o processo não se tratou de transferência unilateral de conhecimento. “Nós compartilhamos experiências e permitimos que eles então pudessem cometer os erros novos e não aqueles que a gente já tinha cometido”, disse, elogiando a capacidade tecnológica e de pesquisa indiana.
Aliança global
Gussi recordou que a cooperação ganhou dimensão internacional em 2023, com a participação do presidente Lula no G20 presidido pela Índia, quando foi lançada a Aliança Global para Biocombustíveis.
Após o G20 realizado no Brasil, segundo ele, ministros de Energia encaminharam carta solicitando à Agência Internacional de Energia um estudo aprofundado sobre a sustentabilidade dos biocombustíveis. O resultado foi apresentado na COP de Belém, no Brasil, com o chamado Pledge de Belém.
De acordo com Gussi, o compromisso estabelece que o mundo deve quadruplicar, em dez anos, até 2035, o volume de combustíveis sustentáveis, do etanol ao hidrogênio verde.
Etanol como solução imediata
O presidente da Única defendeu que o etanol é hoje a forma mais rápida, acessível e eficaz de descarbonizar diferentes modais de transporte.
“Nós temos no etanol a maneira mais rápida, fácil, barata e eficaz de descarbonizar a via terrestre, marítima e aeronáutica”, afirmou. Sobre a mistura na gasolina, acrescentou: “A mistura de etanol de baixa intensidade de carbono nos carros é o que eu chamo de expulsa solution, a solução da colher. Você põe etanol na gasolina, mistura e você tem descarbonização imediata”.
Ele também destacou avanços tecnológicos no setor marítimo. “Os motores marítimos já estão em altíssima fase avançada de pesquisa e desenvolvimento para nós termos motores triflex”, disse, explicando que poderão operar com biobunker, metanol ou etanol.
Na aviação, mencionou o desenvolvimento da rota alcohol to jet para produção de combustível sustentável de aviação (SAF), classificando-a como tecnologia já bastante avançada.
Demanda pode triplicar até 2035
Ao citar projeções da Agência Internacional de Energia, Gussi afirmou que, para cumprir as metas globais de descarbonização, o mundo precisará ampliar significativamente a produção de etanol.
“Até 2035, para cumprir as metas de descarbonização, nós vamos precisar ter entre 2,5 e 3 vezes o volume de etanol que a gente tem hoje”, declarou. Segundo ele, a produção global atual gira em torno de 100 bilhões de litros por ano, enquanto a demanda poderá alcançar entre 250 e 300 bilhões de litros até 2035.
Gussi concluiu destacando o papel estratégico de Brasil e Índia nesse cenário. “O Brasil é um player relevantíssimo, a Índia é outro player relevantíssimo, e os dois juntos agora têm condição singular de oferecer esse exemplo de sucesso a outras geografias do mundo”, afirmou. “Esse é o poder da parceria e a gente está pronto para avançar”, completou.
