Um inverno nuclear parece coisa de filme, mas a discussão é antiga e começou bem antes da era digital. Em 1816, o chamado “ano sem verão” mostrou como o clima pode mudar bruscamente quando a luz do sol é bloqueada.
O que o ano sem verão revela sobre um possível inverno nuclear?
No século XIX, a erupção do vulcão Tambora lançou tanta fumaça e fuligem na atmosfera que o verão de 1816 ficou frio e nublado em várias regiões. A temperatura média global caiu cerca de 0,7 ºC, o suficiente para bagunçar colheitas e causar escassez de alimentos.
Esse episódio mostrou que, quando partículas escuras bloqueiam parte da luz solar, o planeta esfria de maneira perceptível. A partir daí, a ideia de um inverno nuclear ganhou força: se vulcões conseguem esse efeito, uma guerra com múltiplas explosões atômicas e incêndios gigantes poderia repetir o fenômeno em outra escala.
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Como nasce a ideia moderna de inverno nuclear?
O canal Ciência Todo Dia, com 7,58 milhões de inscritos, explica que na década de 1980, em plena Guerra Fria, cientistas começaram a simular o que aconteceria se incêndios gigantescos cobrirem o céu de fuligem. A hipótese era que o material subiria até a troposfera, e cerca de 80% alcançaria a estratosfera.
Com menos radiação solar chegando ao solo, os modelos indicavam uma forte queda de temperatura global por vários anos ou até décadas. Essa fase de escuridão parcial e frio prolongado ganhou o nome de inverno nuclear, associando o fenômeno ao cenário de uma guerra atômica em larga escala.
O que aconteceria em uma guerra nuclear em grande escala?
Estudos clássicos estimam que uma guerra nuclear total poderia gerar até 180 milhões de toneladas de fuligem, principalmente por incêndios simultâneos em grandes centros urbanos. Essa fuligem derrubaria a temperatura média global em até 7 ºC, mais intenso que a Era do Gelo, quando a Terra era apenas 5 ºC mais fria.
Principais efeitos previstos:
- Queda brusca de temperatura: resfriamento mais intenso que grandes eras glaciais recentes
- Colapso da agricultura: falta de luz, frio prolongado e estações de plantio desreguladas
- Escassez global de alimentos: fome em larga escala, mesmo em países não atingidos diretamente
- Impactos ambientais duradouros: alterações fortes em ecossistemas terrestres e marinhos

Os modelos de inverno nuclear ainda fazem sentido hoje?
Os primeiros cálculos foram feitos em computadores dos anos 1980, com modelos climáticos bem mais simples. Hoje, simulações modernas confirmam que grandes quantidades de fuligem na estratosfera resfriam o planeta, mas apenas uma fração da fumaça alcançaria essa altura.
Em cenários atualizados, uma guerra nuclear limitada poderia causar cerca de 0,5 ºC de queda média, ainda suficiente para prejudicar safras e pressionar sistemas de produção de alimentos. Mesmo que um retorno completo à Era do Gelo pareça improvável, o risco climático continua alto.
