O Rosewood São Paulo é um dos exemplos de ESG bem aplicado (Foto: divulgação)
SELF SUSTENTABILIDADE
Entenda por que ESG e sustentabilidade não são conceitos equivalentes
Existe uma diferença essencial que o mercado ainda ignora: sustentabilidade e ESG não são equivalentes. Sustentabilidade é princípio, intenção, direção ética. ESG é sistema e exige governança, métricas, transparência, rastreabilidade e responsabilidade. Por muito tempo, especialmente no segmento premium, os dois foram usados como sinônimos, como se ajustar a narrativa bastasse. Mas em 2026 essa distinção deixa de ser conceitual e passa a definir competitividade.
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Os dados mostram por quê. A moda gera 92 milhões de toneladas de resíduos por ano e responde por até 10% das emissões globais. Mais de 70% das peças são descartadas rapidamente, um contraste direto com o discurso de durabilidade que sempre sustentou o luxo. Nesse cenário, permanência se torna valor econômico. Marcas como Hermès e Patek Philippe preservam liquidez não por storytelling, mas por engenharia: materiais duráveis, cultura de reparo, produção artesanal e ciclos longos. Circularidade, aqui, não é campanha ambiental, é projeto.
No Brasil, o debate ganha força regulatória. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, reforçada pelo decreto de 2022, estabelece metas obrigatórias de recuperação pós-consumo. Em 2026, embalagens plásticas deverão atingir 32% de retorno, em um país que recicla cerca de 21%. Não é mais voluntário; é conformidade e a fronteira entre intenção e obrigação fica evidente.
O mercado imobiliário premium reforça esse movimento. O Rosewood São Paulo exemplifica ESG aplicado: reuso adaptativo, redução de resíduos de obra, menor carbono incorporado e valorização patrimonial. Sustentabilidade, aqui, é estratégia e atrai capital.
O luxo contemporâneo exige coerência entre discurso, processo e impacto. Sustentabilidade comunica valores; ESG prova que eles existem. Em um ambiente de maior escrutínio e pressão regulatória, o luxo que permanece é o tecnicamente consistente: eficiente, rastreável, durável e governado.
Porque, no fim, luxo não é o que impressiona. É o que resiste.
