As operações contra o crime organizado no Brasil, especialmente relacionadas ao PCC, ganharam novos desdobramentos. Na quinta-feira, 28, 42 fundos de investimento foram bloqueados por estarem associados a atividades ilícitas. As investigações, conduzidas pela Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público, revelaram que esses fundos eram geridos por duas administradoras, cujos nomes não foram divulgados.
A superintendente da Receita Federal em São Paulo, Márcia Meng, destacou que as análises de documentos e dados apreendidos podem indicar uma contaminação mais ampla dos fundos com recursos do crime organizado. Até o momento, as investigações apontam que os cotistas dos 42 fundos eram exclusivamente pessoas ligadas a atividades criminosas, que utilizavam essas estruturas para ocultar recursos ilícitos.
Operações Simultâneas
As operações, denominadas Carbono Oculto, Tank e Quasar, desmantelaram uma rede que movimentou mais de R$ 140 bilhões em operações ilegais, incluindo empresas de combustíveis e fintechs. A decisão judicial que autorizou a Carbono Oculto identificou criminosos vinculados ao PCC, que atuavam em conjunto com outros grupos. Meng afirmou que, embora a presunção de inocência prevaleça, as administradoras terão que provar sua inocência, já que auditores fiscais não aceitam alegações de desconhecimento.
A Receita Federal também editou uma nova instrução normativa que impõe regras mais rigorosas para fintechs, exigindo que reportem dados sobre movimentações de clientes. Essa medida visa combater crimes tributários e a lavagem de dinheiro, que se beneficiaram da opacidade nas transações financeiras.
Reações das Administradoras
A maior administradora envolvida, Reag, que gerencia R$ 340 bilhões, afirmou que segue rigorosamente as normas de compliance e que já liquidou fundos após identificar inconsistências. As outras administradoras, Trustee, Altinvest e BFL, também foram alvo de buscas, mas não responderam imediatamente às solicitações de comentários. Meng enfatizou que as administradoras falharam em suas obrigações de conhecer seus clientes, permitindo que situações anormais ocorressem sob sua supervisão.