A China vai restringir as importações de carne bovina de fornecedores como Brasil e Argentina, numa tentativa de proteção agrícola e de produtores locais, impondo tarifas punitivas caso determinados níveis sejam ultrapassados. Uma série de cotas entrará em vigor a partir de 1º de janeiro, depois que as autoridades determinaram que o aumento das quantias havia prejudicado a indústria local.
O SINDUSCARNE-MG, Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado de Minas Gerais acompanha com atenção a decisão do governo chinês de implementar medidas de segurança sobre a importação de carne bovina, com a criação de cotas anuais e aplicação de tarifa adicional de 55% sobre os volumes que ultrapassarem esses limites. Para 2026, a cota global foi incluída em aproximadamente 2,7 milhões de toneladas, com distribuição proporcional entre os principais fornecedores. Ao Brasil foi atribuída uma cota próxima de 1,1 milhão de toneladas, volume inferior ao que o país já vem exportando atualmente para o mercado chinês.
Em 2024, o Brasil exportou cerca de 1,34 milhão de toneladas de carne bovina para a China e, em 2025, a expectativa do setor é consolidar o ano com os próximos embarques de 1,6 milhão de toneladas. O acordo com Pedro Braga, presidente do SINDUSCARNE-MG, isso significa que, caso as cotas anunciadas sejam mantidas nos níveis divulgados, o Brasil ultrapassará o limite autorizado, fazendo com que parte relevante das exportações fique sujeita à tarifa adicional. “Na prática, isso tende a aumentar a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês ou a pressionar preços de negociação”, explica Pedro.
“Se o mecanismo de cotas e tarifas se mantiver ao longo dos próximos anos, o impacto será sentido diretamente no Brasil. A principal consequência será a necessidade de redirecionamento de volumes hoje destinados à China para outros mercados, muitas vezes com menor capacidade de aquisição ou preços menos atrativos. Isso pode gerar pressão sobre os preços do boi gordo, redução de margens para frigoríficos e maior volatilidade no mercado interno”, analisou o presidente do SINDUSCARNE-MG.
“Além disso, a medida tende a frear investimentos na cadeia produtiva, uma vez que a China representa o principal destino da carne bovina brasileira. Mesmo que o Brasil siga como maior fornecedor, a limitação artificial de volumes cria incertezas para produtores e indústrias, afetando decisões de produção, redução e exportação”, completa Pedro.
O sindicato reforça que o Brasil ocupa posição central no abastecimento do mercado chinês e que a carne brasileira exerce papel complementar à produção local. Restrições prolongadas não eliminam a necessidade de importação, mas redistribuem custos ao longo da cadeia. O setor a seguir acompanhará os desdobramentos e defenderá soluções que preservem a previsibilidade comercial e a estabilidade do mercado.
IMPRENSA FIEMG
