Festas de casamento são peculiares para advogados: as mais diversas perguntas são feitas. No último evento que estive, entre um acepipe e outro, perguntaram-me se os incentivos fiscais para as empresas “verdes” seriam uma boa alternativa para a sustentabilidade.

Naquele momento, lembrei das palavras proferidas pelo pastor aos noivos durante a cerimônia: “casamento é como um jardim cultivado a dois: tem que haver perseverança para ter longa duração e certeza de que ambos estejam empenhados no mesmo objetivo”.

Pensar em empresas sustentáveis, comprometidas com a alteração em seus produtos e em seus meios de produção para tornar os verdes exigem muito investimento, tempo e determinação. Os incentivos fiscais certamente auxiliam nessa trajetória, pois os custos dessas modificações costumam ser reduzidos e a redução da carga tributária auxiliar a equalizar o balanço.

Contudo, essa dança é para dois: de um lado, as empresas, de outro, o governo. E quando se fala em um projeto dessa magnitude, ambos devem ter certeza de que estão comprometidos e comprometidos com esse casamento. Algo que não mude a cada quatro anos ou menos.

Cumprir o estágio da COP-30 declarado, efetivar a sustentabilidade com acordos multilaterais não é nada fácil. Mais viável seria começar endemicamente, pensando em um projeto de país para o futuro com os recursos que dispomos, como incentivos fiscais, subsídios, empréstimos com juros aceitáveis ​​junto aos bancos de fomento, dentre outras tantas possibilidades ao alcance das mãos governamentais.

Conceber que empresas em países em desenvolvimento, com sistema tributário complexo como o Brasil, trilhem o caminho da mudança sustentável sem incentivos é irreal. Uma boa política pública não deve ser um sonho compartilhado em grandes eventos, mas sim um objetivo firme e definido.

A sustentabilidade é necessária e urgente, porém a comunicação tem que ser clara e as decisões definitivas. Além de apresentar um elemento crucial para um bom casamento: a confiança.

Um bom caminho seria uma iniciativa governamental que apresentasse alternativas confiáveis ​​de fomento ao verde, buscando uma união de propósitos e perguntas ao setor produtivo: “Aceita?”. Se todos tivessem esses elementos no pedido, eu acreditaria em um profícuo final e longevo para todos.

Profa. Dra. Thaís Cíntia Cárnio, professora de Direito Empresarial e Mercado de Capitais da Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM).

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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