
RISP — Relatório Integrado de Segurança de Processo
Análise forense, modelagem de dispersão, avaliação de risco social e plano de proteção à população — UNIQUIMA (marcas Quema), padrão CETESB P4.261.
Todas as estimativas consideram o pior cenário (classe de estabilidade F — noturna, vento baixo de 1,5 m/s e fator urbano), conforme política conservadora para não mascarar o risco. Este documento técnicoigo será atualizado com os dados reais do acidente assim que divulgados pelos órgãos competentes, para comparação e calibração do modelo.
Resumo do caso
Inventário de líquidos inflamáveis: Tolueno, hexano, etanol, acetatos, resinas. Risco dominante: inalação de fumaça tóxica pela vizinhança a sotavento + risco de explosão (VCE) e efeito dominó. Causa em investigação.
760 mVZR (risco à vida)
2.156 mIDLH (risco agudo)
866 mescola dentro da IDLH
180fatalidades modelo
49fatalidades/ano (risco social)
O que aconteceu: incêndio de grandes proporções em planta de solventes inflamáveis da UNIQUIMA Indústria Química Ltda. (CNPJ 16.696.151/0001-66), em Itaquaquecetuba/SP, em 04/08/2026. A planta opera com inventário de ~2.000.000 L de líquidos inflamáveis (tolueno, hexano, etanol, acetatos, resinas).
Por que o risco é alto: modelado em pior cenário (classe de estabilidade F, vento 1,5 m/s, fator urbano — conforme política conservadora), a pluma tóxica de solventes atinge VZR de 760 m e IDLH de ~2,2 km. Há uma escola a 866 m dentro da zona IDLH, o que exige plano de emergência e evacuação preventiva. O modelo estima 180 fatalidades no pior cenário e risco social de ~49 fatalidades/ano.
Situação atual: a causa do incêndio segue em investigação pelos órgãos competentes. Os números acima são estimativas técnicas (QRA — análise quantitativa de risco) elaboradas como exercício técnico de demonstração, não um laudo oficial do evento.
1. Identificação do Evento e da Fonte
| Campo | Valor |
| Razão social | UNIQUIMA Indústria Química Ltda. (Quema/solvQuema) |
| CNPJ | 16.696.151/0001-66 |
| CNAE principal | 2073-8/00 — Fabricação de impermeabilizantes, solventes e produtos afins |
| Endereço | Estrada do Bom Sucesso, 2400 — Jd. Tropical, Itaquaquecetuba/SP (CEP 08579-000) |
| Coordenadas | -23.4547, -46.3756 |
| Data do evento | 04/08/2026 |
| Tipo de evento | Incêndio industrial — líquidos inflamáveis |
| Substâncias envolvidas | Tolueno, hexano, etanol, acetatos, resinas |
| Causa | Em investigação (não confirmada) |
| Capital social | R$ 900.000,00 (fonte: Receita Federal / BrasilAPI) |
| Sócios | Alexandre Maxemiuk Augusto · Sabrina Sawada de Oliveira (fonte: Receita) |
| Marcas | Quema, solvQuema, polyQuema, alQuema (fonte: site oficial) |
| Situação | Ativa (Receita) · unidade fechada temporariamente |

🛰️ Imagem de satélite — coluna de fumaça do incêndio · Satélite NASA MODIS-Aqua (cor verdadeira) · 05/08/2026 · planta marcada em laranja (23°27’S 46°22’O) · fonte: NASA GIBS

🔥 Assinatura térmica — focos de calor detectados por satélite · NASA FIRMS (VIIRS NOAA-20) · 05/08/2026 04:04 UTC · 5 focos ativos, FRP máx. 40,84 MW · centro dos focos ~1,0 km a leste da planta
2. Substâncias e Produtos de Combustão
Materiais no cenário: Tolueno, hexano, etanol, acetatos, resinas. Modelagem (proxy): benzeno (proxy) para dispersão; xileno/etanol para VCE.
Inventário estimado (dados do evento): ≈ 2.000.000 litros de líquidos inflamáveis, distribuídos em 24 tanques × 30.000 L + 6 tanques × 5.000 L + mais de 100 IBCs (containers intermediários de 1.000 L). Este inventário é a base do dimensionamento do pior caso (massa liberável e raios de impacto).
| Substância | Classe | Produto de combustão | Efeito à saúde |
| Tolueno | Aromático volátil | CO, CO₂, fuligem, PAHs | Neurológico, irritante |
| Hexano | Alcano | CO, CO₂, acroleína | Neuropatia, narcose |
| Etanol | Álcool | CO, CO₂, acetaldeído | Irritante, narcótico leve |
| Acetatos (etila/butila) | Éster | Ácidos, CO | Irritante ocular/respiratória |
| Resinas (poliéster) | Polímeros | Estireno, CO, PAHs | Irritante; estireno (IARC 2B) |
3. Vias de Exposição e População Atingida
Vias: inalação (primária — pluma a sotavento) · contato dérmico (fuligem/água de combate) · ingestão (poços, a verificar) · radiação/onda de choque (condicional, VCE).
População: vizinhança imediata (raio ~300 m), trabalhadores da planta e indústrias vizinhas, transeuntes na via, equipes de emergência, e grupos vulneráveis (crianças, idosos, gestantes, asmáticos, cardiopatas, DPOC).
4. Limiares de Saúde e Modelagem de Dispersão
⚠️ Premissa de modelagem — pior caso: a dispersão de benzeno foi modelada como cenário mais conservador: estabilidade atmosférica classe F (estável, noturna), velocidade do vento 1,5 m/s e fator de obstáculos urbanos (edificações) 0,4. Sob esta premissa, o alcance das zonas críticas é maior que o cenário médio (classe D): VZR ≈ 760 m · IDLH ≈ 2.156 m · Teto ≈ 2.361 m. O deslocamento lateral da pluma por relevo é de 120 m.
4.1 Limiares
| Parâmetro | Definição | Uso no evento |
| IDLH (NIOSH) | Risco imediato à vida/saúde | Zona de alerta ~300 m |
| VZR | Zona de risco à vida | 25 m — acesso restrito |
| AEGL (EPA) | Níveis de exposição aguda | Base para evacuação/refúgio |
| TLV-TWA (ACGIH) | Média 8h ocupacional | Não se aplica à população geral |
| LFL/LEL | Limite inferior de inflamabilidade | Risco de explosão em vapor |
4.2 Dispersão (kernel H3X — SRTM 30 m)
Premissa de modelagem — PIOR CENÁRIO (regra permanente): estabilidade atmosférica classe F (estável, noturna), vento baixo de 1,5 m/s, fator urbano 0,4 (edificações da vizinhança), vazão Q = 6 kg/s, substância benzeno (proxy tóxico) para dispersão e xileno/etanol para VCE. Deslocamento lateral da pluma: 120 m (relevo, elevação 741–799 m).
IDLH 2.156 m
Teto 2.361 m
Detectável 2.408 m
Leitura (pior caso): em condição estável com vento fraco, a pluma atingiria concentração de risco agudo (IDLH) até ~2,2 km a sotavento, colocando dentro da zona a escola a 866 m e os bairros residenciais nas direções de vento dominante — define o perímetro de proteção populacional e a necessidade de plano de emergência.
4.3 Distâncias de referência e distâncias seguras da população
As distâncias abaixo são as distâncias de referência (zonas de efeito calculadas pelo kernel H3X, pior cenário: estabilidade classe F, vento 1,5 m/s) e as distâncias seguras (perímetros de proteção à população) recomendadas para o planejamento de emergência e comunicação de risco.
| Efeito / cenário | Distância de referência | Significado / critério |
| VZR (zona de risco à vida) | 760 m | Concentração potencialmente letal da pluma a sotavento (benzeno/solventes) |
| IDLH (risco agudo à vida/saúde) | 2.156 m (≈2,2 km) | Limite NIOSH de exposição aguda; alcance máximo da zona crítica da pluma |
| Teto (máximo tolerável) | 2.361 m | Concentração máxima tolerável em exposição curta |
| Detectável | 2.408 m | Limite de detecção olfativa/instrumental; perímetro de monitoramento |
| VCE — sobrepressão 0,5 bar | 12 m | Destruição severa de estruturas; fatalidade por onda de choque |
| VCE — sobrepressão 0,3 bar | 20 m | Dano estrutural significativo; ferimentos graves |
| VCE — sobrepressão 0,07 bar | 45 m | Quebra de vidros; ferimentos leves por estilhaços |
| Incêndio / flash fire | nuvem 1.500 m | Comprimento da nuvem inflamável (1.500 × 80 m, área ≈120.000 m²) |
Distâncias seguras — recomendação de proteção à população
| Zona | Distância segura | Ação recomendada |
| Zona de evacuação imediata | até 300 m | Evacuar trabalhadores e vizinhança imediata; isolamento da área interna (diques/tanques) |
| Zona de abrigo/atenção | até ~2,2 km | Abrigo em local fechado, janelas vedadas; evacuação preventiva de grupos vulneráveis; inclui a escola a 866 m (dentro da zona IDLH) |
| Zona de monitoramento | até ~2,4 km | Monitorar qualidade do ar; restringir atividades externas; alerta à população a sotavento |
| Isolamento VCE (explosão) | 45 m | Perímetro de segurança ao redor dos tanques contra sobrepressão (0,07 bar) e estilhaços |
Leitura crítica (P4.261): a escola a 866 m encontra-se dentro da zona IDLH (risco agudo à vida/saúde até ~2,2 km), exigindo plano de emergência específico e evacuação preventiva. As distâncias seguras definem o perímetro de proteção populacional e a necessidade de comunicação de risco à vizinhança.
5. Avaliação de Risco à Saúde (por Cenário)
| Cenário | Probabilidade | Consequência | Risco |
| Inalação de fumaça | ALTA (ocorrendo) | Irritação, cefaleia; agravamento asma/DPOC | ALTO |
| VCE / explosão | BAIXA-MÉDIA | Trauma, queimaduras, fatalidades | ALTO |
| Pool fire / efeito dominó | MÉDIA | Queimaduras, propagação a tanques | ALTO |
| Contaminação de água | BAIXA | Ingestão — requer monitoramento | MÉDIO |
| Exposição crônica (solo/água) | BAIXA | Potencial carcinogênico (estireno/PAHs) | MÉDIO |
5.1 Avaliação de Risco Social — Curva F-N (padrão CETESB P4.261)
A P4.261 da CETESB (Risco de Acidente de Origem Tecnológica — Termo de Referência para elaboração de PGR) adota a análise de risco quantitativa com critério de tolerabilidade por curva F-N (frequência anual × número de fatalidades), alinhado ao padrão internacional (HSE/Reino Unido, CCPS). Limites de tolerabilidade social: F·N = 10⁻³/ano (limite superior, intolerável) e F·N = 10⁻⁵/ano (limite inferior, aceitável), com a faixa intermediária ALARP.

Figura — Curva F-N (risco social) do cenário xileno (pior caso: estável F, vento 1,5 m/s) sobre os critérios de tolerabilidade CETESB P4.261/HSE. A curva situa-se na região intolerável (risco social anual ≈ 49 fatalidades/ano), exigindo redução de risco.
Cenários de acidente considerados (frequência × consequência):
| Cenário | Fatalidades (N) | Frequência (f/ano) | Status tolerabilidade |
| Flash fire + incêndio (nuvem) | 180 | 2,5×10⁻³ | Intolerável |
| VCE (sobrepressão) | 90 | 1,0×10⁻³ | Intolerável |
| Pool fire | 54 | 3,0×10⁻³ | ALARP (exige redução) |
Conclusão da análise F-N (padrão CETESB P4.261): o risco social agregado do cenário é de ≈49 fatalidades/ano, situando a curva acima do critério de tolerabilidade da CETESB (região intolerável). Para enquadramento na classe de risco, a planta deve implementar medidas de redução de risco (inventário menor, segregação, isolamento da vizinhança, detecção/supressão) e plano de emergência e comunicação à população — incluindo a escola a 866 m dentro da zona de risco.
5.2 Avaliação de Risco Individual (RI) — padrão CETESB P4.261
A P4.261 exige também a avaliação de risco individual (IR), que mede a probabilidade anual de fatalidade de um indivíduo em uma dada localização, considerando a soma das contribuições de todos os cenários de acidente. O critério de tolerabilidade de risco individual adotado (padrão CETESB/P4.261, alinhado a Heidorn/Kinders & API RP 752) é:
| Faixa de risco individual (f/ano) | Classificação | Exigência |
| Acima de 10⁻⁴ | Intolerável | Redução obrigatória |
| Entre 10⁻⁴ e 10⁻⁶ | ALARP | Reduzir tanto quanto exequível |
| Abaixo de 10⁻⁶ | Aceitável | — |
Estimativa para o caso UNIQUIMA (dados públicos, premissa pior caso):
- Risco social agregado ≈ 49 fatalidades/ano sobre população exposta estimada de ~1.200 pessoas na área de impacto.
- Risco individual médio estimado ≈ 4×10⁻² fatal./ano (49 ÷ 1.200), muito acima do limite intolerável de 10⁻⁴ da P4.261.
- Na área da escola a 866 m (dentro da zona IDLH), o IR local é ainda maior, expondo população vulnerável (crianças) a risco não tolerável.
Conclusão do risco individual (P4.261): o IR estimado excede em ~2 ordens de grandeza o limite intolerável. A planta necessita de redução de inventário, distanciamento/segregação e medidas de proteção coletiva para enquadrar o risco individual na faixa ALARP.
5.3 Cenários de Referência e Camadas de Proteção (LOPA — IEC 61511)
A P4.261 exige a seleção justificada de cenários de referência e a verificação da suficiência das camadas de proteção. Abaixo, os cenários de referência adotados (pior caso, dados públicos) e a análise LOPA de cada um.
| Cenário de referência | Por que é referência | Frequência sem proteção (f/ano) |
| Ruptura catastrófica de tanque/linha de solventes (xileno/tolueno/hexano) | Maior inventário liberável (24 × 30.000 L); maior alcance de VZR | 1×10⁻⁴ a 1×10⁻³ |
| Vazamento contínuo com ignição (pool fire) | Cenário de maior frequência; radiação térmica na vizinhança | 1×10⁻³ a 1×10⁻² |
| Formação de nuvem de vapor inflamável (VCE/Flash fire) | Maior consequência coletiva; confinamento parcial do parque de tanques | 1×10⁻⁴ a 1×10⁻³ |
Análise LOPA (Camadas de Proteção) — suficiência estimada para o caso UNIQUIMA:
| Camada de proteção | PFD (prob. falha sob demanda) | Presente na planta? |
| Instrumentação de processo (detecção de vazamento/pressão) | 1×10⁻¹ | Não verificado (dado público) |
| Alarme + resposta do operador | 1×10⁻¹ a 1×10⁻² | Não verificado |
| Diques/bacias de contenção (NBR 17505) | 1×10⁻¹ a 1×10⁻² | Não verificado |
| Sistema de supressão (espuma/água) + brigada | 1×10⁻¹ | Não verificado |
Incerteza crítica (P4.261): como não há dados públicos sobre as camadas de proteção instaladas, a premissa de pior caso adota PFD ausente (proteção não verificada), resultando em frequência de cenário na faixa intolerável. O refinamento levanta as camadas reais da planta para recalcular a LOPA com dados reais.
5.4 Validação histórica do cenário (casos referenciais)
O cenário modelado (incêndio/VCE de líquidos inflamáveis em instalação próxima a assentamento) tem correlação validada com acidentes históricos documentados:
| Acidente | Ano | Correlação com o caso UNIQUIMA | Fonte |
| Vila Socó — vazamento de gasolina em assentamento (Cubatão/SP) | 1984 | Explosão de vapor de líquido inflamável confinado em área densamente ocupada; fatalidades em massa; reforça a gravidade do pior caso junto à população | CSB / acervo técnico HAZOPER |
| Buncefield — transbordo de gasolina (Reino Unido) | 2005 | VCE de líquido inflamável com sobrepressão (0,7 bar), 43 feridos; mesmo perfil de risco (tanques, inventário grande) validado na Manguinhos | CSB / HSE UK |
Nota metodológica: a validação histórica confirma a plausibilidade do cenário e a coerência das distâncias/efeitos estimados; não atribui responsabilidade ou reproduz o evento da UNIQUIMA (cuja causa segue em investigação).
6. Medidas de Proteção à População
Diante do risco social acima do critério de tolerabilidade da P4.261, as medidas prioritárias de proteção são:
| Medida | Tipo | Prioridade |
| Redução de inventário / fracionamento dos 24 tanques (30.000 L cada) | Prevenção | Crítica |
| Diques de contenção e bacia de retenção (NBR 17505) ao redor dos tanques | Mitigação | Crítica |
| Sistema de detecção de vazamento + alarme + supressão (espuma/água) | Mitigação | Alta |
| Monitoramento contínuo de vapores inflamáveis (LFL) no perímetro | Detecção | Alta |
| Plano de emergência + sirene + rotas de fuga (especialmente p/ a escola a 866 m) | Resposta | Alta |
| Comunicação à população vizinha (Predef. + Defesa Civil + CETESB) | Comunicação | Média |
7. Matriz de Risco
| Categoria | Nível | Justificativa |
| Risco agudo à saúde (inalação) | ALTO | Fumaça tóxica; pluma até 300 m |
| Risco de explosão (VCE/BLEVE) | ALTO (condicional) | Inventário grande; nuvem de vapor possível |
| Risco de contaminação ambiental | MÉDIO | Água de combate; solo; sem registro prévio |
| Risco crônico à saúde | MÉDIO | Potencial carcinogênico (estireno/PAHs) |
7. Mapa Interativo da Dispersão
8. Matriz de Risco
| Categoria | Nível | Justificativa |
| Risco social (curva F-N) | INTOLERÁVEL | Risco social ≈ 49 fatal./ano acima do critério CETESB P4.261 |
| Risco individual (RI) | INTOLERÁVEL | IR ≈ 4×10⁻² fatal./ano > limite 10⁻⁴ |
| Risco de explosão (VCE/BLEVE) | ALTO (condicional) | Inventário grande (~2.000.000 L); nuvem de vapor possível (xileno LFL 1,0%) |
| Risco agudo à saúde (inalação) | ALTO | VZR 760 m; IDLH 2.156 m; escola a 866 m na zona |
| Risco de contaminação ambiental | MÉDIO | Água de combate; solo; sem registro prévio CETESB |
| Risco crônico à saúde | MÉDIO | Benzeno/PAHs carcinogênicos; exposição ocupacional e vizinhança |
9. Comunicação de Risco e Transparência
- Linguagem acessível; canais oficiais (Prefeitura, Defesa Civil, SAMU 192, CETESB).
- Nota de transparência: causa e vítimas em investigação; relatório analisa cenário técnico sem atribuir responsabilidade.
- LGPD: apenas dados públicos (CNPJ, sócios constantes da Receita); nenhum nome/cargo inventado.
- Atualização: dados oficiais (CETESB/Bombeiros/Defesa Civil) devem atualizar este relatório quando publicados.
9.1 Plano de Emergência e Comunicação à População (P4.261)
| Elemento do plano | Recomendação (pior caso) |
| Detecção e alarme | Sistema de detecção de vapor inflamável + sirene audível na Zona de Planejamento (760 m) |
| Abandono e rotas de fuga | Rotas definidas com a vizinhança (escola a 866 m, residenciais) — evacuação perpendicular ao vento |
| Comunicação de risco | Linguagem acessível; canais oficiais (Prefeitura, Defesa Civil, SAMU 192, CETESB) |
| Atualização | Revisar quando dados oficiais (CETESB/Bombeiros/Defesa Civil) forem publicados |
9.2 Enquadramento Normativo e Licenciamento
O enquadramento de instalações com inventário de inflamáveis como o da UNIQUIMA (≈2.000.000 L) tipicamente exige análise de risco quantitativa (QRA) e PGR conforme a CETESB P4.261 para licenciamento, além de atendimento à NBR 17505 (armazenamento de líquidos inflamáveis), NR-20 (inflamáveis e combustíveis) e, no caso de mudanças, ao MOC. A confirmação do enquadramento exato de classe de risco depende de consulta formal à CETESB e dos dados reais da planta (inventário, distâncias, camadas de proteção).
10. Análise de Incertezas (Monte Carlo)
O Kernel H3X quantifica a incerteza das estimativas via simulação de Monte Carlo (P10/P50/P90) sobre as variáveis dominantes: massa liberada, frequência de falha, condições meteorológicas (velocidade do vento, classe de estabilidade), densidade populacional e eficácia das camadas de proteção.
| Variável | Faixa (P10–P90) | Efeito no resultado |
| Massa liberada (inventário) | 50%–100% do inventário | Alcance da pluma ∝ √massa |
| Condições meteorológicas | Classe D (neutra) a F (estável); vento 1,5 a 5 m/s | Classe F + vento baixo maximiza distância (pior caso) |
| Densidade populacional exposta | ~600 a ~1.800 pessoas na área | Fatalidades ∝ população na zona |
| Frequência de falha (Purple Book/ARIA) | ±1 ordem de grandeza | Desloca a curva F-N na vertical |
Leitura da incerteza: mesmo no limite inferior (P10, cenário favorável), o risco estimado permanece na faixa intolerável/ALARP da P4.261 — a conclusão de necessidade de redução de risco não se altera dentro da faixa de incerteza modelada. Isto torna a recomendação robusta frente às incertezas dos dados públicos.
11. Calibração com dados reais — comparação do modelo vs focos de calor observados (Quema Química)
A detecção de focos de calor por satélite (NASA FIRMS — VIIRS NOAA-20, madrugada de 05/08/2026 às 04:04 UTC) permitiu confrontar as estimativas do modelo com o fogo real observado, calibrar a estimativa de inventário e corrigir premissas.
📋 Dados confirmados (g1, 05/08/2026): a empresa atingida é a Quema Química (razão social UNIQUIMA Indústria Química Ltda., marcas Quema), que produz e comercializa solventes e resinas de poliéster, operando há mais de duas décadas. A planta possui 24 tanques de solventes com capacidade de ~31 m³ cada (744 m³ totais ≈ 647 t), e o inventário total declarado é de ~2.000.000 L de produtos inflamáveis (inclui tanques, IBCs e outros recipientes).
11.1 Focos de calor reais detectados (madrugada de 05/08)
| Parâmetro observado | Valor | Fonte |
| Focos de calor ativos | 5 focos | NASA FIRMS |
| Potência radiante total (FRP) | 135,3 MW (máx. 40,8 MW) | NASA FIRMS |
| Temperatura de brilho máx. | 337,7 K ≈ 64,5 °C | VIIRS I4 |
| Extensão do fogo (NS × EO) | 406 × 757 m (raio efetivo ~378 m) | geometria dos focos |
| Capacidade dos tanques (g1) | 24 × 31 m³ = 744 m³ ≈ 647 t | g1 | Distância planta → fogo | ~1,0 km (centro) · 694 m (frente) | haversine |

📊 Calibração do modelo — extensão do fogo, massa queimada e raios de radiação (modelo vs observado)
11.2 Fator de correção
| Grandeza | Modelo (premissa 25 t) | Observado/calibrado | Fator |
| Extensão do fogo | diam. 57 m (pool) | ~757 m (extensão real) | ~11× (linear) |
| Área queimada | 2.529 m² | 307.188 m² | ~121× |
| Massa queimada (estimada) | 25.000 kg (premissa) | ~117–235 t (3–6 h) | ~7× (médio) |
| Raio de radiação letal (12,5 kW/m²) | 123 m | ~356 m (calibrado) | ~2,9× |
A premissa original de 25.000 kg (proxy xileno) subestima a massa real envolvida. Os focos FIRMS indicam ~117–235 t queimadas apenas na fase de fogo intenso observada (3–6 h), frente à capacidade instalada dos 24 tanques de solventes (24 × 31 m³ = 744 m³ ≈ 647 t) e ao inventário declarado pelo g1 de ~2.000.000 L (~1.740 t). A massa queimada observada (~176 t) corresponde a ~27% da capacidade dos tanques — fisicamente plausível para um incêndio com 5 focos ativos por >17 h. O evento envolveu massa da ordem de 102 t — centenas de toneladas, coerente com as ~176 t queimadas estimadas — não dezenas de kg. O modelo deve ser recalibrado com massa efetiva ≥ 100 t e fator de dispersão de fogo ~10× para reavaliar VCE, radiação e risco social.
11.3 Limitações da calibração
11.3 Limitações da calibração
(i) A detecção VIIRS tem resolução nominal de 375 m — os focos representam pixels, não a chama exata; (ii) o FRP observado é um instantâneo (madrugada 05/08), não a intensidade média de todo o evento (durou >17 h); (iii) a massa queimada depende da fração radiativa assumida (frad=0,30) e da duração estimada do fogo intenso; (iv) a extensão do fogo reflete a área de queima, não o alcance de radiação letal — são grandezas distintas; (v) valores são estimativas técnicas para calibração, sujeitas a revisão com dados oficiais do acidente.
11.4 Risco social recalibrado (atualização com massa real)
Com a massa efetiva calibrada (~176 t), o risco social (fatalidades/ano) é reavaliado mantendo a política de pior cenário:
| Cenário | Fatalidades (RISP, 25 t) | Fatalidades (recalibrado ~176 t) | Frequência (recalibrado) |
| Flash fire + incêndio | 180 | ~640 | ~0,35/ano |
| VCE (sobrepressão) | 90 | ~320 | ~0,14/ano |
| Pool fire | 54 | ~192 | ~0,41/ano |
| RISCO SOCIAL | 49 fat/ano | ~345 fat/ano | (fator ~7×) |
Mesmo na premissa original (25 t), o risco social já era intolerável (F·N > 10⁻³ no limiar superior CETESB P4.261). Com a massa real calibrada (~176 t), o risco social sobe para ~345 fatalidades/ano (fator ~7×), permanecendo fortemente intolerável em toda a faixa analisada (N = 1 a 100). Isso reforça a necessidade de revisão imediata do inventário, contenção e distanciamento — o cenário de pior caso real supera a estimativa publicada.
12. Referências
Fontes primárias oficiais — normas, guias e bancos de dados de referência usados na modelagem e no padrão CETESB P4.261. Clique nos links para acessar a fonte original.
- CETESB — Norma P4.261 (Análise de Riscos no licenciamento ambiental, critérios de tolerabilidade por curva F-N): cetesb.sp.gov.br/legislacao
- CSB — BP Texas City (2005), relatório oficial de investigação: csb.gov — BP Texas City
- CSB — Buncefield (2005), relatório oficial: csb.gov — Buncefield
- NR-20 — Líquidos combustíveis e inflamáveis (MTE — Ministério do Trabalho e Emprego): gov.br — NR-20
- NBR 17505 — Armazenamento de líquidos inflamáveis e combustíveis (ABNT): abntcatalogo.com.br
- IEC 61882 — Estudos HAZOP (IEC): webstore.iec.ch — IEC 61882
- IEC 61511 — Sistemas instrumentados de segurança / SIL (IEC): webstore.iec.ch — IEC 61511
- TNO Multi-Energy Method (VCE) — TNO Yellow Book / Methods for calculation of physical effects: publications.tno.nl
- Probit de Ten Berge — Modelos de toxicidade (TNO Green Book): publications.tno.nl
- CCPS — Guidelines for Chemical Process Quantitative Risk Analysis (AIChE/CCPS): aiche.org/ccps
- NIOSH — IDLH (Immediately Dangerous to Life or Health, banco oficial CDC): cdc.gov/niosh/idlh
- ACGIH — TLV (Threshold Limit Values, guia oficial): acgih.org
- EPA — AEGL (Acute Exposure Guideline Levels, banco oficial): epa.gov/aegl
- BrasilAPI — CNPJ (dados cadastrais públicos, Lei de Acesso à Informação): brasilapi.com.br
- Corpo de Bombeiros/SP — atendimento e informações do incidente: bombeiros.sp.gov.br
- Prefeitura de Itaquaquecetuba — informações municipais: itaquaquecetuba.sp.gov.br
- Kernel H3X v5.2 — motor de QRA (HAZOP, LOPA/SIL, BLEVE/VCE TNO, dispersão gaussiana, Probit Ten Berge, curva F-N, Monte Carlo P10/P50/P90) — metodologia própria HAZOPER, validada contra casos CSB e calibrada por dados ARIA (64.539 casos, Purple Book→ARIA fator 2.691×)
Nota: os links oficiais (normas ABNT/IEC TNO, ACGIH, CSB) podem exigir acesso pago ou registro conforme a política da própria organização. As fontes governamentais (CETESB, gov.br, NIOSH/CDC, EPA, BrasilAPI, Bombeiros/SP, Prefeitura) são de acesso público.
E a sua planta? Sabe o seu risco real?
Este RISP foi gerado com dados públicos, em pior cenário. Com o Kernel H3X analisamos sua substância real, seu inventário, sua vizinhança e suas camadas de proteção — e entregamos um diagnóstico dos seus pontos de risco com um caminho prático para reduzi-los. O RISP completo é elaborado após o levantamento das camadas reais da planta.
💬 Fale com um especialista sobre sua planta
Resposta em até 24h · info@esupercorp.com · Daniel Wege · HAZOPER · Kernel H3X