Ovos do mosquito podem permanecer até um ano adormecidos mesmo em recipientes sem água / Crédito: Anderson Lopes

Enquanto os números oficiais de 2025 mostram uma aparente trégua nos casos confirmados de dengue em Teutônia, com redução de 30,7% em relação a 2024, um indicador silencioso e mais preciso aponta para um risco iminente de uma nova e potente onda da doença em 2026.

A calmaria nos registros humanos contrasta com a presença elevada do mosquito transmissor, revelada pelo monitoramento de ovos e considerada compatível com o clima de chuva e calor.

O coordenador da Vigilância Epidemiológica de Teutônia, Maicon Rau Pedra, vai direto ao ponto. “A redução temporária de casos não significa redução do risco quando há alta densidade de ovos do Aedes aegypti”, alerta.

Em novembro de 2025, as 100 armadilhas de monitoramento (ovitrampas) espalhadas pelo município coletaram 575 ovos. Já em dezembro do mesmo ano, o número saltou para 2 mil ovos, representando um aumento alarmante de 354%.

“Os ovos do mosquito podem permanecer viáveis por até um ano em ambientes secos e eclodem rapidamente quando há aumento de temperatura e chuvas, como ocorreu no fim de dezembro”, explica o coordenador.

Esses ovos desidratados funcionam como um verdadeiro reservatório silencioso da doença. O cenário atual, portanto, pode indicar uma baixa transmissão momentânea, mas um alto potencial de explosão epidêmica, especialmente em períodos de calor e chuva, com pico previsto para abril de 2026. O panorama deixa claro que a luta contra a dengue não admite interrupções.

Desafio regional

Os dados obtidos junto à 16ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) evidenciam que o desafio ultrapassa os limites de Teutônia. Embora o município tenha registrado 325 casos confirmados de dengue em 2025, cidades vizinhas também apresentaram números expressivos.
Estrela confirmou 274 casos e registrou um óbito, enquanto Paverama, que faz divisa com o Bairro Canabarro – responsável por 85% dos casos de Teutônia no ano passado -, contabilizou 137 casos.

Segundo a coordenadora da 16ª CRS, Rafaela Fagundes, é possível observar uma redução importante ano a ano em alguns municípios, como Estrela, o que pode estar relacionado a diversos fatores. No total, a 16ª CRS registrou uma queda de 65% no número de casos confirmados de dengue. Já na Região de Saúde 30, que engloba Estrela, Teutônia e Paverama, a redução foi de 54%.

“Com o avanço da vigilância dos sorotipos, foi possível detectar DENV2 e DENV3 em casos contraídos no Vale do Taquari”, explica Rafaela. O sorotipo DENV2 se expandiu no estado nos anos recentes, e sua introdução eleva o risco de surtos e epidemias. Isso ocorre porque pessoas previamente infectadas pelo DENV1 estão imunes apenas a esse sorotipo, podendo se infectar novamente pelos demais (DENV2, DENV3 e DENV4, este último ainda não detectado na região).

Apesar do alerta, a coordenadora ressalta que o aumento no número de ovos neste período do ano é esperado e considerado normal para a época, marcada por calor e chuvas frequentes.

A contagem de ovos é uma estratégia de monitoramento com alto grau de sensibilidade, que permite às equipes identificar com precisão onde estão os focos do Aedes no território.

Para fevereiro, está agendado um encontro com representantes dos 37 municípios da 16ª CRS. Na ocasião, as áreas técnicas de vigilância em saúde e atenção primária discutirão a sensibilidade diagnóstica, os fluxos de notificação dos casos, as estratégias de controle vetorial e o manejo clínico da dengue nos serviços de saúde.

De acordo com Rafaela Fagundes, o controle vetorial é um dos maiores desafios na prevenção da dengue e de outras arboviroses. Para o Aedes aegypti, os locais preferenciais para a postura de ovos são depósitos artificiais criados pela ação humana, como pratinhos de flores, pneus, entulhos que acumulam água, copos plásticos descartáveis e lonas mal colocadas.

“Dessa forma, quando as condições climáticas se tornam ideais, o Aedes se prolifera de maneira acelerada. Ainda assim, os casos humanos só aparecem se o vírus for introduzido na localidade. A doença se expande quando há o mosquito para mediar a transmissão e quando os esforços de controle vetorial não são bem-sucedidos”, explica.

Plano de contingência

O coordenador de Vigilância Epidemiológica de Teutônia detalha que o município já está em monitoramento permanente e segue um Plano de Contingência estruturado por níveis de alerta. Entre as ações prioritárias estão a eliminação mecânica de criadouros, por meio de mutirões nos bairros de maior risco, e a aplicação focal do BTI (Bacillus thuringiensis israelensis), um larvicida biológico considerado seguro.

“A aplicação de inseticida, o chamado fumacê, será realiada apenas em áreas com transmissão ativa ou iminente, em um raio de 300 metros de casos confirmados. Nosso foco principal é o manejo ambiental, que tem impacto maior e mais duradouro no controle da dengue”, esclarece Maicon Rau Pedra.

Casos de dengue confirmados na região em 2025

Colianas – 3
Fazenda Vilanova – 7
Paverama – 137
Poço das Antas – 2
Teutônia – 325
Westfália – 9

Entre novembro e dezembro de 2025 foram confirmados três casos de dengue, sendo dois em Teutônia e um em Paverama

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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