Pemba, Moçambique, 29 nov 2025 (Lusa) – O presidente moçambicano, Daniel Chapo, classificou hoje como falsas as acusações de violação dos direitos humanos no megaprojeto de gás em Cabo Delgado, liderado pela TotalEnergies.

“Quando começamos a aparecer como desinformações e a manipulação da opinião pública a nível nacional e internacional sobre o respeito aos direitos humanos em Cabo Delgado, o que fizemos primeiro foi enviar à Comissão Nacional de Direitos Humanos [CNDH] para Cabo Delgado, que fez um trabalho profundo, extraordinário, em toda a província,[…] e não constataram as questões que os jornais e algumas que se fazem de investigador a nível internacional estão a evocar”, disse Chapo.

O chefe de Estado está hoje em Pemba, Cabo Delgado, onde inaugurou precisamente a primeira delegação da CNDH fora de Maputo, e garantiu que não há provas – na investigação daquela instituição – das acusações de violação dos direitos humanos, que levou uma organização europeia a apresentar uma denúncia-crime contra a TotalEnergies por “crimes de guerra”.

“E nós nos pronunciamos a partir de Cabo Delgado que não constitui a verdade”, disse, assumindo a prioridade de “consolidar” o “respeito pelos direitos humanos”, desde logo com a abertura da delegação da CNDH numa província que enfrenta ataques terroristas há oito anos.

“Tem sorte de desinformações, tem manipulação da opinião pública, a nível internacional, a nível nacional, sobre o respeito dos direitos humanos em Cabo Delgado. E este é um compromisso, um sinal claro e inequívoco de, como Governo, estamos comprometidos pelo respeito aos direitos humanos, queremos consolidar cada vez mais o nosso Estado de Direito Democrático”, disse.

A organização europeia jurídica ECCHR apresentou em 17 de novembro, em França, uma denúncia-crime acusando a TotalEnergies de “cumplicidade em crimes de guerra, tortura e desaparecimento forçado” de populares no megaprojeto de gás em Cabo Delgado.

Em comunicado, o Centro Europeu para os Direitos Constitucionais e Humanos (ECCHR) acusou então a multinacional de “ter financiado diretamente e apoiado materialmente a Força-Tarefa Conjunta, composta pelas forças armadas moçambicanas, que, entre julho e setembro de 2021, terá detido, torturado e assassinado dezenas de civis nas instalações de gás da TotalEnergies”.

A CNDH moçambicana iniciou em junho a investigação de alegados abusos dos direitos humanos cometidos por militares em Cabo Delgado durante os ataques terroristas de 2021. Já a TotalEnergies disse, em 27 de março, que a Mozambique LNG, consórcio de produção de GNL, disse que iria cooperar na investigação, negando as acusações.

O TEDH referiu que submeteu esta queixa na Procuradoria Nacional Antiterrorismo (PNAT) francesa e que a “denúncia centra-se no chamado ‘massacre dos contentores’ nas instalações da empresa”, em Cabo Delgado, denúncias que foram inicialmente divulgadas pelo jornal Politico, em setembro de 2024.

“Na sequência de um ataque insurgente à cidade de Palma [Cabo Delgado]perpetrado pelo grupo armado Al-Shebab, em março e abril de 2021, o exército moçambicano — incluindo membros da Força-Tarefa Conjunta integrada pela TotalEnergies — terá detido arbitrariamente bolsas civis em conteúdos metálicos situados à entrada das instalações, entre julho e setembro de 2021. Os civis fugiam das suas aldeias natais na sequência dos ataques do Al-Shebab quando foram intercetados pelo exército”, refere, sobre a queixa apresentada.

Afirma que “os detidos foram torturados, sujeitos a desaparecimentos forçados e alguns deles executados”, sendo que “em setembro de 2021, os últimos 26 detidos foram libertados”.

A reclamação surge após a TotalEnergies ter levantado em outubro a cláusula de ‘força maior’ declarada em abril de 2021, que suspende o seu megaprojeto de 20 mil milhões de dólares (17,2 mil milhões de euros) de Gás Natural Liquefeito, Moçambique LNG, devido a ataques terroristas, agora em fase de retomada.

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Lusa/Fim

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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