
As obras do parque de energia solar erguido na cidade de Santana do Matos no interior do Rio Grande do Norte para abastecer as fábricas da Mercedes-Benz no Brasil estão sendo apontadas por moradores de um sítio como responsáveis pelo assessoramento e praticamente inutilização de dois açudes no município.
Os prejuízos alegados levaram duas famílias a procurarem a Justiça para que os açudes sejam reparados e pagar uma indenização pelos danos gerados. A ação explica que os sedimentos acumulados ao longo da obra, entre 2022 e 2024, foram arrastados pelas chuvas até os dois açudes do sítio Forquilhas, contaminando a água e tornando-a imprópria para o consumo humano.
Além disso, os peixes que viviam no local morreram, e os tradicionais banhos estão vetados. Ao todo, 14 famílias dependiam dessa água.
A empresa diz que está fornecendo água potável às famílias e que a contaminação dos açudes é anterior às obras .
O projeto Dunamis (empresa fruto da parceria de Mercedes-Benz do Brasil e a Raízen Power) começou a operar em janeiro e é composto por quatro usinas instaladas em uma área de 410 hectares e capacidade de gerar 117,5 megawatts.

Os moradores alegam que tentaram negociar com a empresa uma reparação ainda durante a obra, mas insatisfeitos com o não avanço, decidiram entrar na justiça.
Para comprovar os prejuízos, os moradores anexaram uma análise físico-química da água colhida no dia 15 de março de 2024, que apontou um índice de turbidez de 285 NTUs (Unidade Nefelométrica de Turbidez), quando o limite máximo seria de 5. “Isto é, a quantidade de partículas despejadas na água foi superior a 57 vezes o limite permitido”, diz.
Outro laudo anexado, do dia 24 de novembro de 2023 e feito a pedido da Dunamis, onde foi constatado que o índice de turbidez da água era de 2.
Ainda segundo a ação, a Dunamis chegou a reconhecer que o sistema de drenagem do parque solar foi insuficiente para evitar a destruição dos açudes da propriedade vizinha. Além disso, cita que os entulhos arrastados para o açude são “ricos em minérios e em metais pesados“.
A Dunamis enviou nota à coluna e alega três pontos:
O abastecimento de água potável já havia sido restabelecido no início de maio de 2025;
Medições anteriores na região indicam que a água já era imprópria para consumo humano antes da instalação do empreendimento de geração de energia;
Por último, a Dunamis reforça que mantém diálogo contínuo com a comunidade local, realizando iniciativas sociais que incluem cursos de formação para aumentar a empregabilidade, contratação de mão de obra e empresas locais, aumento na economia e recolhimento de impostos na região.
DO TL
Além de ratificar a vocação do RN como polo estratégico de energia renovável, o projeto Dunamis é tido como exemplar em sustentabilidade. Em seu portfólio há a informação que evita cerca de 20 mil toneladas de CO2 por ano, que equivale ao plantio de 140 mil árvores.
Fonte: Uol
