O vice-chefe de Assuntos Humanitários da ONU lança um novo alerta sobre o risco fome em Gaza, que até o final do ano poderá afetar mais de 640 mil pessoas
Da redação, com Vatican News
Palestinos se debruçam para receber ajuda humanitária / Foto: Reprodução Reuters
“Mais de meio milhão de pessoas sofrem atualmente de fome, miséria e risco de morte em Gaza. Até o final de setembro, esse número pode ultrapassar 640 mil. Praticamente ninguém está imune à fome, e prevê-se que pelo menos 132 mil crianças menores de 5 anos sofrerão de desnutrição aguda até meados de 2026”. A denúncia vem de Joyce Msuya, vice-chefe de Assuntos Humanitários da ONU, durante a reunião do Conselho de Segurança, na qual ela reiterou que “esta fome não é resultado da seca ou de alguma forma de desastre natural. É uma catástrofe criada, e também é o resultado de 22 meses de distribuição limitada e comprometida de suprimentos humanitários e comerciais essenciais”. Nas últimas horas, as autoridades da Faixa de Gaza comunicaram a morte de mais quatro pessoas devido à fome. Uma crise que se agrava — afirmam ainda as Nações Unidas — devido ao bloqueio que Israel está impondo também ao envio de tendas para os refugiados.
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O PMA lança um apelo para reativar a rede alimentar
O Programa Mundial de Alimentos alertou que Gaza está “à beira do colapso” e lançou um apelo para reativar urgentemente sua rede de 200 pontos de distribuição de alimentos para evitar a propagação de bolsões de fome. “O desespero está aumentando vertiginosamente, e eu vi isso em primeira mão”, disse a diretora executiva do WFP, Cindy McCain, após encontrar crianças palestinas famintas, que ela descreveu como “irreconhecíveis” em comparação com as fotos tiradas quando estavam saudáveis. Nestas horas, espera-se a chegada de um comboio de 25 caminhões com ajuda alimentar da Jordânia.
Pizzaballa: “transferir populações é imoral”
Na quarta-feira, a “ordem de evacuação” da cidade de Gaza pelo exército israelense chegou aos fiéis da paróquia ortodoxa de São Porfírio.
O cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca de Jerusalém dos latinos, que no dia anterior, juntamente com o patriarca ortodoxo Teófilo III, havia expressado o desejo de que as comunidades religiosas e os fiéis não deixassem Gaza, intervindo em streaming em uma reunião na igreja do Carmine, em Pavia, reiterou que “transferir populações é imoral, além de contrário às convenções internacionais”. A situação que se vive hoje “é muito grave”, acrescentou. “A parte sul da cidade foi quase completamente arrasada, no norte, onde fica nossa paróquia, 80% está destruída. Falta comida”. Depois, há o problema da educação. “Ninguém fala sobre isso”, disse o patriarca latino, mas “pelo terceiro ano consecutivo, as crianças não poderão ir à escola”. Por fim, “os medicamentos não chegam: sem antibióticos, é complicado tratar os feridos. Muitos vivem em tendas, sem nada”.
Na Casa Branca, uma reunião sobre Gaza presidida por Trump
Sobre o que está acontecendo no enclave palestino, foi realizada na quarta-feira, 27, na Casa Branca, uma reunião coordenada pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Participaram do encontro, juntamente com os responsáveis pela política externa dos EUA, também o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair. No centro da cúpula estavam os temas da entrega de ajuda humanitária, a crise dos reféns e os planos pós-guerra. De acordo com o “The Times of Israel”, o plano discutido — já criticado internacionalmente por prever a transferência forçada de milhões de palestinos — incluiria um “acordo temporário” que permitiria então enfrentar a reconstrução a partir do “dia seguinte” ao fim da guerra.