Durante as datas festivas, especialmente no fim do ano, o som das explosões e as luzes coloridas parecem fazer parte de um ritual coletivo. No entanto, por trás do espetáculo, existe um impacto significativo sobre o planeta, os animais e as pessoas mais vulneráveis. A ciência alerta há anos que a pirotecnia vai muito além de alguns minutos de diversão.

A poluição que permanece depois do espetáculo

Fogos de artifício são compostos por substâncias químicas como perclorato, lítio e diversos metais pesados, incluindo alumínio, cobre e estrôncio. Durante as explosões, essas partículas são lançadas na atmosfera e, depois, se depositam no solo, na água e nas superfícies urbanas.

Estudos mostram que, após grandes celebrações, os níveis de poluição do ar aumentam de forma abrupta, agravando problemas respiratórios, causando irritação nos olhos e desencadeando dores de cabeça. O perclorato, em especial, preocupa os especialistas por interferir na função da tireoide e contaminar fontes de água potável, gerando efeitos que persistem muito além da noite festiva.

Ruído extremo e riscos reais para a audição

O impacto sonoro da pirotecnia costuma ser subestimado. Muitos fogos ultrapassam facilmente os 150 decibéis — um nível capaz de causar danos auditivos imediatos. Para comparação, a partir de 85 a 90 decibéis, a exposição prolongada já representa risco ao ouvido humano.

Os efeitos incluem zumbidos persistentes, dor, sensação de pressão, estresse intenso e alterações no sono. Em pessoas com problemas cardiovasculares ou transtornos de ansiedade, o barulho pode desencadear crises de pânico, aumento da pressão arterial e outros quadros mais graves.

Fogos De Artifício1
© FreePik

Crianças, idosos e animais são os mais afetados

Alguns grupos sofrem de forma desproporcional. Crianças pequenas, idosos, pessoas com transtorno do espectro autista ou doenças neurológicas apresentam maior sensibilidade ao ruído intenso. Para elas, o som pode provocar desorientação, choro intenso, angústia e comportamentos de autoagressão.

Os animais também pagam um preço alto. Cães e gatos frequentemente apresentam tremores, taquicardia e tentativas desesperadas de fuga. Já aves e animais silvestres podem se desorientar, colidir com estruturas ou abandonar ninhos, aumentando o risco de morte.

Há formas de celebrar sem causar danos?

Especialistas defendem a redução do uso de fogos tradicionais e a adoção de alternativas mais silenciosas, como pirotecnia de baixo impacto sonoro, shows de luzes ou drones. Quando o uso é inevitável, medidas como proteção auditiva para crianças, criação de ambientes tranquilos e cuidado redobrado com animais ajudam a minimizar os efeitos.

Celebrar não precisa significar prejudicar. A ciência deixa claro que escolhas mais conscientes tornam possível manter a alegria das festas sem comprometer a saúde das pessoas, o bem-estar dos animais e o equilíbrio do meio ambiente.

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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