A falha nos diques transformou um desastre natural numa tragédia humana, submergindo grande parte da cidade. Apesar dos desafios persistentes, há sinais de recuperação, incluindo melhorias no sistema educativo e o renascimento da cena musical.
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O furacão Katrina foi notícia de impacto mundial. 20 anos depois, a memória da tragédia continua bem presente. O rebentamento dos diques que protegiam Nova Orleães transformou um desastre natural numa das maiores catástrofes provocadas por falha humana nos Estados Unidos.
Passaram duas décadas, mas aqui ninguém esqueceu. Lonnie Junior tinha dez anos quando o furacão atingiu a cidade com ventos superiores a 160 km/h. O fenómeno estava até a perder força, mas numa cidade abaixo do nível do mar a ameaça era outra: os diques e barreiras cederam.
Construídos para proteger Nova Orleães das cheias do rio Mississípi, não resistiram à pressão da água do lago Pontchartrain. Grande parte da cidade ficou submersa, com níveis que chegaram aos sete metros em algumas zonas.
Sandy Rosenthal quis preservar a memória da tragédia. Criou o “Museu da Casa Inundada”, que recria o estado das habitações quando os residentes regressaram após a catástrofe.
O balanço foi devastador: 1800 mortos e mais de um milhão de deslocados para outros estados. Milhares, sem transporte para fugir, foram forçados a permanecer em Nova Orleães naquele mês de agosto de 2005.
A destruição abalou a economia e paralisou infraestruturas. Foi preciso reconstruir toda a região. Há quem considere que os padrões de construção continuam frágeis e, para muitos habitantes, o medo permanece.
Ainda assim, há sinais de renascimento. O sistema de ensino foi renovado, antigos alunos são agora professores e a taxa de sucesso escolar é elevada. A atmosfera musical da cidade também demorou a recuperar, mas as escolas de jazz já formam uma nova geração de músicos.