O fim da escala de trabalho 6×1 poderá provocar um prejuízo bilionário para a economia brasileira. Segundo um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), se a jornada de trabalho for reduzida de 44 para 40 horas semanais, o Produto Interno Bruto (PIB) sofrerá uma queda de 0,7%. Uma perda de R$ 76,9 bilhões para a economia brasileira. A indústria será o setor mais impactado, com a maior queda no PIB em termos relativos, de 1,2%, o equivalente a R$ 25,4 bilhões. Seguem o comércio, com retração de 0,9% do PIB, ou R$ 11,1 bilhões, os serviços (-0,8%), a agropecuária (-0,4%) e a construção (-0,3%). Sem contar a perda de competitividade provocada pelo aumento dos preços causados pela redução das horas trabalhadas.
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Pacote de bondades à vista
O governo federal está esquentando os motores para a eleição deste ano, preparando pacotes de bondade para conquistar os votos da população. Entre as medidas está a liberação do saque de R$ 7 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para cerca de 10 milhões de trabalhadores. O objetivo do Planalto é tentar conter o endividamento familiar, puxado pela alta em produtos e serviços com o impacto da guerra no Oriente Médio.
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Setor de construção não gostou
O setor da construção civil se posicionou contra a proposta. O FGTS é a principal fonte de recursos para a compra e a construção de moradias no país, especialmente dentro do Minha Casa Minha Vida. Em nota, a Associação Brasileira de Incorporadoras (Abrainc) manifestou “forte preocupação” com as discussões em curso no governo federal sobre a medida que libera os recursos, pois reduziria significativamente o volume disponível para o financiamento da casa própria, afetando especialmente a população de menor renda. O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) também manifestou “profunda preocupação” e oposição à proposta de liberação do saldo do FGTS para quitação de débitos em atraso.

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Ficou mais caro viajar
As passagens aéreas no Brasil subiram 22% em março na comparação anual, e 31% na comparação com fevereiro. Esse é o resultado que aparece em um relatório do JP Morgan publicado logo depois do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã. O querosene de aviação (QAV) aumentou 55% após o aumento dos preços decididos pela Petrobras. Mesmo assim, os valores praticados no mercado interno continuam abaixo das cotações internacionais, que já chegaram a dobrar no acumulado do ano.
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Venda de veículos a todo vapor
As vendas de carros, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus novos em março cresceram 45,5% na comparação com fevereiro e 37,8% ante o mesmo mês do ano passado, totalizando 269,5 mil unidades. Segundo os dados da Anfavea, a associação de fabricantes de veículos automotores, esse foi o melhor resultado para o mês desde 2013. As vendas de caminhões cresceram 31,9% em março na comparação com fevereiro, totalizando 8,8 mil unidades. Um número que poderia aumentar ainda mais considerando o lançamento do programa federal Move Brasil, que oferece juros reduzidos na troca por caminhões novos.
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Seguradoras mais lucrativas
As seguradoras brasileiras registraram resultados excelentes no mês de janeiro. Segundo os dados da IRB+Inteligência, plataforma de dados do IRB(Re) com dados mais recentes do setor, o lucro líquido cresceu 37,9% no primeiro mês do ano na comparação com janeiro de 2024, alcançando R$ 3,57 bilhões. Os prêmios emitidos também tiveram alta, com crescimento de 3,8% no faturamento de janeiro frente ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho foi influenciado principalmente pelo segmento Vida, com maior representatividade no mercado, que faturou R$ 437 milhões a mais no mês, enquanto o seguro Rural teve retração de 11%.
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Mahle entra no setor de carregadores e carros elétricos
A Mahle Metal Leve anunciou que entrará no segmento de tecnologia de carregamento para veículos elétricos. A empresa brasileira produzirá um carregador de múltiplos pontos cujo objetivo é oferecer uma infraestrutura de carregamento modular de veículos eletrificados para aplicações em larga escala. O primeiro ponto de recarga com a tecnologia da Mahle foi inaugurado em 27 de março de 2026, em um posto de combustível na cidade de Jaguariúna, no interior de São Paulo. O sistema, chamado de “Mahle chargeBIG”, opera com potência de 7 kilowatts a 22 kilowatts, podendo ser dimensionado conforme a demanda energética e o perfil de uso de cada aplicação.


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Boa Safra na Nigéria
A Boa Safra Sementes está entrando de vez na África. Por meio de sua controlada Bestway Seeds, a empresa brasileira de sementes assinou um acordo para a criação de uma joint venture com um parceiro na Nigéria. O objetivo é produzir sementes de milho para atendimento do mercado local. O projeto tem como objetivo elevar significativamente a produtividade agrícola local, contribuindo para a autossuficiência da Nigéria na produção de sementes de milho para atendimento de sua demanda interna.
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Mais investimentos em data centers no Brasil
A Tecto Data Centers, subsidiária da V.Tal, companhia especializada em instalação de infraestrutura de fibra óptica controlada pelo banco BTG Pactual, anunciou que investirá US$ 2 bilhões no Brasil até 2028, incluindo a construção de cinco novos data centers. Entre os projetos da empresa estão um data center de 20 megawatts em Porto Alegre (RS) e uma unidade de 200 megawatts em Santana de Parnaíba, na região metropolitana de São Paulo. O Brasil está tentando se consolidar como um polo global de grandes data centers, aproveitando a disponibilidade de energia renovável acessível e recursos hídricos abundantes para atrair investimentos de empresas dos Estados Unidos e do TikTok, da China.
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