O litoral gaúcho foi cenário de uma tragédia aérea em 1932. Na madrugada de 27 de fevereiro, um avião Laté 28, pertencente à empresa Compagnie Générale Aéropostale, caiu no mar entre Rio Grande e Santa Vitória do Palmar.
O acidente causou a morte de quatro franceses: os pilotos Pierre Louis Barbier e Victor Hamm, o radiotelegrafista Louis Gourbeyre e o passageiro Henri Boucheix, encarregado de negócios da França na Bolívia.
O jornal A Noite noticiou que o avião foi visto pela última vez às 2h daquele sábado, passando pelo Chuí. Um temporal atingiu o sul do Estado naquela madrugada. O Laté 28 percorria o trecho entre Montevidéu e Pelotas.
Inicialmente, apareceram na praia malas postais. Poucos dias após o desaparecimento da aeronave, três jovens que percorriam a praia de motocicleta encontraram o corpo de Victor Hamm perto do Farol Sarita. O piloto foi identificado pelas vestes e por uma pulseira com seu nome. Na areia, jogados pelo mar, estavam pedaços da hélice, da caixa de rádio e de uma roda da aeronave.
Hamm tinha 37 anos e era diretor do aeródromo da Aéropostale em Porto Alegre. Também havia trabalhado no aeródromo de Pelotas. O piloto retornava de férias na Europa.
Posteriormente, um destacamento policial localizou os corpos de outras duas vítimas na altura do Farol Sarita. O primeiro piloto, Pierre Louis Barbier, de 27 anos, voava na linha da América do Sul havia dois anos e somava quatro mil horas de voo.
A tragédia mobilizou a diretoria da empresa na América do Sul, que viajou a Rio Grande para abrir uma sindicância sobre o caso. Em 14 de março, ocorreu uma missa em memória das vítimas no altar-mor da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro.
A companhia francesa iniciou suas operações na América do Sul com o nome Latécoère. Em 1929, já rebatizada como Aéropostale, abriu um escritório comercial em Porto Alegre para ampliar seus negócios. O posto de atendimento ficava na Rua dos Andradas.

A linha sul-americana conectava Buenos Aires a Natal, com várias escalas ao longo do percurso. Dali, a viagem prosseguia para a África e a Europa. A empresa transportava correspondências, mercadorias e passageiros em pequenos aviões.
Antoine de Saint-Exupéry, autor do livro O Pequeno Príncipe, também foi piloto da Aéropostale, inclusive passou por Porto Alegre.
