
O Swift deverá reentrar na atmosfera da Terra ainda neste ano, encerrando uma missão que já dura mais de duas décadas. (Foto: Reprodução)
Uma tentativa inédita da Nasa (agência espacial norte-americana) de prolongar a vida útil do o telescópio Swift, também chamado de Observatório Neil Gehrels Swift, terminou em fracasso. A agência espacial anunciou na última quarta-feira (19) o encerramento da missão de resgate após a espaçonave LINK, desenvolvida pela empresa Katalyst Space, perder o controle pouco depois do lançamento e não conseguir realizar a manobra necessária para elevar a órbita do telescópio.
Sem esse impulso, o Swift deverá reentrar na atmosfera da Terra ainda neste ano, encerrando uma missão que já dura mais de duas décadas.
O que deu errado na missão? A missão foi criada em tempo recorde depois que a Nasa identificou, em 2025, que o aumento da atividade solar havia expandido a atmosfera terrestre. Esse fenômeno elevou o arrasto atmosférico sobre o Swift, fazendo sua órbita diminuir mais rapidamente do que o previsto.
Para evitar a perda do observatório, a agência contratou a startup Katalyst Space, que desenvolveu a espaçonave LINK em cerca de oito meses. O objetivo era realizar uma aproximação inédita, acoplar-se ao telescópio e impulsioná-lo para uma órbita mais alta.
No entanto, logo após o lançamento, em 3 de julho, parte das rodas de reação — equipamentos responsáveis pelo controle da orientação da nave — apresentou falhas. A LINK passou a girar descontroladamente e, apesar de semanas de tentativas para recuperar o controle usando propulsores, a equipe concluiu que não seria possível realizar o encontro com o Swift.
Em comunicado, o diretor da Divisão de Astrofísica da Nasa, Shawn Domagal-Goldman, afirmou que a agência sabia desde o início que se tratava de uma missão de alto risco, desenvolvida em um cronograma extremamente curto devido à rápida deterioração da órbita do telescópio.
Observatório superou em 10 vezes sua vida útil prevista: O Observatório Neil Gehrels Swift foi lançado em 2004 para estudar explosões de raios gama, alguns dos fenômenos mais energéticos do Universo.
Projetado para operar por apenas dois anos, o telescópio permaneceu ativo por mais de 22 anos, tornando-se uma das principais ferramentas da chamada astronomia de domínio temporal, área dedicada ao monitoramento de eventos cósmicos que surgem e desaparecem rapidamente.
Ao longo de sua operação, o Swift participou de descobertas importantes envolvendo explosões estelares, buracos negros e outros fenômenos de alta energia.
Recentemente, por exemplo, o observatório ajudou pesquisadores a estudar um buraco negro supermassivo errante que chamou atenção da comunidade científica ao destruir uma estrela durante sua passagem.
Futuros resgates
Missão serviria de teste para futuros resgates: Além de salvar o Swift, a missão tinha outro objetivo estratégico: demonstrar que seria possível realizar operações comerciais para prolongar a vida útil de satélites e telescópios científicos antigos.
Segundo a Nasa, a tecnologia poderia abrir caminho para futuras missões semelhantes envolvendo outros equipamentos em órbita, incluindo o Telescópio Espacial Hubble, caso ele enfrente problemas semelhantes no futuro.
Apesar do fracasso da operação, a agência informou que continuará estudando formas de responder rapidamente a eventos astronômicos utilizando a frota atual de observatórios espaciais enquanto avalia novas alternativas para futuras missões de extensão de vida útil. As informações são da revista Exame.
