Um ano e meio após o desastre ambiental no Rio Piracicaba, pescadores da região do Tanquã afirmam não terem recebido o seguro-defeso, que é pago durante a piracema.
Esse é o nome dado ao período de quatro meses em que a pesca de espécies nativas é proibida nos rios, por ser o período de reprodução dos peixes. Ele se estende de 1º de novembro a 28 de fevereiro.
O benefício tem valor de um salário-mínimo e é pago pelo Governo Federal como uma forma de compensar a paralisação das atividades.
A pescadora Eliane Evangelista conta que esta não é a primeira vez que o pagamento do benefício atrasa. No ano anterior, a regularização só aconteceu perto do final da piracema.
“Está uma bola de neve, tem que fazer faxina nos ranchos para receber um dinheirinho e comprar alimentos. É por aí”, lamenta.
O casal de pescadores Rodrigo e Mônica Ferreira tenta compensar a falta do benefício com a realização de bicos, que não tem sido suficientes para colocar comida em casa.
Embora a categoria tenha recebido cestas básicas da Prefeitura de Piracicaba durante cinco meses, o auxílio foi suspenso em dezembro de 2024.
“Entro até em depressão, porque a gente não tem uma segurança. Se a gente vai limpar um rancho, ganhamos R$ 20 ou R$ 30. Hoje o quilo da carne é R$ 40, como a gente vai sobreviver?”, conta Rodrigo.
“Nenhuma parcela. Como se diz: ‘ninguém sabe’. Não só eu, pescadora. A região toda não sabe quando vai sair o seguro-defeso”, apela Mônica.
O atraso no pagamento do seguro-defeso agrava a situação já enfrentada pelos pescadores do Tanquã desde julho de 2024.
Cerca de 230 mil peixes morreram após a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) detectar o despejo irregular de poluentes da Usina São José no leito do Rio Piracicaba.
A companhia foi multada em R$ 18 milhões e cobrada a apresentar um plano técnico de monitoramento do rio, além de realizar reformar tubulações e bombas, e implantar um novo sistema de tratamento de efluentes.
Sobre a situação dos pescadores, a Prefeitura de Piracicaba informou que a doação de cestas básicas aos trabalhadores do Tanquã foi feita de forma emergencial.
A Administração declarou que os pescadores que estiverem em situação mais grave devem procurar o CRAS (Centro de Referência em Assistência Social) da cidade para realizar um cadastro e receber novamente a cesta.
O Ministério do Trabalho afirmou ter repassado a reclamação de atraso no pagamento do seguro-defeso para a análise da área técnica, mas não deu mais detalhes sobre as razões do problema.
Com informações da EPTV Campinas.
