Os partidos com representação parlamentar divergem quanto à gestão e à resposta aos danos provocados pela tempestade Erin, quase seis meses após a catástrofe. Enquanto o PAICV e a UCID consideram que os números e anúncios do Governo não refletem a realidade no terreno, o MpD defende que tanto o poder central como o local estão a dar uma resposta adequada.
Posições expressas na noite desta segunda-feira, no programa “Plenário” da Rádio Morabeza, dedicado ao balanço da resposta à tempestade e à análise dos planos anunciados pelo Governo.
Do lado do maior partido da oposição, António Duarte afirma que ainda há famílias, empresas e infra-estruturas sem resposta e mostra-se reticente quanto aos investimentos anunciados recentemente pelo Executivo.
“Nós temos a zona da lixeira que precisa de ser resolvida. Temos de assumir que São Vicente precisa de erradicar as casas de tambor. Esta era uma grande oportunidade de erradicarmos em definitivo. Aliás, uma das causas do desastre que se abateu sobre São Vicente tem a ver com a ocupação clandestina. A drenagem e a correção torrencial precisam de ser reajustadas, o nosso sistema de recolha e tratamento de lixo deverá ser repensado, assim como a estação de tratamento de águas residuais. Existe um conjunto de obras que devem ser prioritárias, mas que não foram anunciadas. As que foram anunciadas causam muita estranheza e algum espanto, para não dizer que voltamos a ficar muito reticentes quanto à execução dessas mesmas obras”, diz.
A UCID afirma que, seis meses após a tempestade, a resposta continua aquém do necessário em várias áreas. Relativamente aos novos investimentos anunciados pelo Governo, com destaque para o reforço do Sistema Nacional de Protecção Civil e para um plano de saneamento, drenagem pluvial, reasfaltagem e requalificação urbana da ilha de São Vicente, António Monteiro defende a necessidade de um calendário claro para a sua execução.
“Aquilo que hoje se está a anunciar são obras que, se tivessem sido feitas em tempo útil, provavelmente a tempestade teria causado estragos, sim, mas não da forma como aconteceu no mês de agosto. Repara nas bacias de retenção na zona da Ribeira Bote: existe algum controlo em termos de limpeza dessas bacias? Não, não existe. Agora estão a fazer. Quer dizer, é como costumam dizer: depois de casa arrombada, tranca-se a porta. Mas, mais do que anúncios, entendemos que é preciso assumir uma calendarização, para que possamos exigir responsabilidades quando o tempo escoar e as coisas não estiverem feitas de acordo com aquilo que foi anunciado”, afirma.
José Carlos da Luz, do MpD, afirma que os investimentos e os apoios estão a chegar às pessoas e às empresas e sublinha que as obras decorrem a bom ritmo.
“E esses apoios estão a chegar. Repara que, logo de imediato, a nível social, alojámos 60 famílias no complexo Rosar. Já reparámos mais de 200 casas em diversos bairros da Ilha de São Vicente. As respostas estão a ser dadas. Vamos agora entrar numa segunda fase, eu diria que é a fase de uma resposta mais proativa. Vamos fazer a melhoria da rede de esgoto doméstico, trabalhar na zona da rede de esgoto de Chão de Alecrim e na estação de bombagem de Caizim. A correção da rede de esgoto de Bela Vista será reforçada com tubagem de maior dimensão. Também vamos investir na rede de drenagem pluvial. Um conjunto de obras que, diria, fará com que São Vicente volte a ser o que era”, garante.
José Carlos da Luz anuncia ainda o arranque, nos próximos dias, das obras de um aterro controlado na Lixeira Municipal.
