A prática de utilizar microdoses de Ozempic (semaglutida), medicamento indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e amplamente usado para perda de peso, vem se popularizando nas redes sociais. No entanto, endocrinologistas alertam que esse uso fracionado, muitas vezes sem prescrição médica, pode ser não apenas ineficaz, mas também perigoso.

Microdoses fora do padrão

Segundo o endocrinologista Dr. Maurício Yagui Hirata, membro do corpo clínico do Hospital Albert Einstein e do Hospital Sírio-Libanês, é cada vez mais comum receber pacientes que utilizam 0,125 mg ou menos de Ozempic — quantidades inferiores à menor dose disponível no mercado, de 0,25 mg. “Há também casos de pessoas aplicando microdoses diariamente, o que é ainda mais preocupante”, afirma o especialista.

O principal argumento dos usuários é a tentativa de reduzir os efeitos colaterais. No entanto, o médico explica que esse cuidado só faz sentido nas primeiras semanas do tratamento e sempre sob orientação médica. Estudos realizados pelo fabricante confirmam que a aplicação semanal é mais eficaz, e não há evidência científica que justifique o uso diário em microdoses.

Efeitos colaterais e riscos de contaminação

Além de comprometer os resultados, a manipulação de doses com seringas de insulina aumenta o risco de contaminação e infecção cutânea. “Esses medicamentos são pensados para aplicação única, como é o caso também do Mounjaro, e o fracionamento manual pode causar sobreposição de doses e mais efeitos adversos”, alerta Dr. Hirata.

Entre os efeitos colaterais mais graves estão a pancreatite, a perda de massa muscular e a queda de cabelo. A utilização sem prescrição ou acompanhamento adequado também pode resultar em ausência total de efeito terapêutico.

Foto: Divulgação.

Atenção redobrada com o uso sem indicação

O especialista reforça que a perda de peso segura deve ser conduzida por um endocrinologista. “Em casos de sobrepeso leve ou quando o objetivo é apenas emagrecer alguns quilos, há estratégias mais simples e seguras que podem ser igualmente eficazes”, orienta.

Com a exigência de receita médica para a compra de Ozempic e Wegovy, a expectativa é que práticas inadequadas como a microdosagem indiscriminada diminuam. “Mais do que uma tendência, é preciso encarar essa onda com responsabilidade médica e científica”, conclui o endocrinologista.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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