O jovem acreano Luan de Lima Pereira, 22, viu sua vida mudar após um acidente em novembro de 2012. À época, com 8 anos, ele e sua irmã Laiane de Lima Pereira, 10, foram atropelados por um ônibus quando estavam próximos à escola onde estudavam, na cidade de Cruzeiro do Sul, cerca de 635 km da capital Rio Branco.
A notícia que chegou à Maria José de Lima Pereira, mãe das crianças, era de que ambos os filhos estavam mortos. A primogênita, de fato, faleceu. Luan foi levado à UTI, onde ficou por 12 dias, e teve as duas pernas amputadas.
Quase quatorze anos depois de ser atropelado, Luan mora em Rio Branco, estuda Ciências Sociais na Universidade Federal do Acre e, como nadador, defende as cores da instituição em competições paralímpicas. Neste sábado, 11, ele teve a oportunidade de nadar “em casa” no Meeting Paralímpico Loterias Caixa do estado. Saiu do evento com cinco medalhas: dois ouros (100m peito na classe SB5 e 400m livre na classe S6 — para atletas com limitação físico-motora) e três pratas (50m e 100m livre, além dos 100m costas da classe S6). Luan foi um dos 89 inscritos na competição — foram 65 participantes nas provas de atletismo, no Sesi, e 24 nas de natação, na Esscola Estadual Armando Nogueira.
Antes do acidente, o acreano gostava de jogar vôlei com seus amigos. Após ter as pernas amputadas, jurou para si mesmo que iria “andar, brincar e correr”. Anos depois, trocou as quadras pelas piscinas e, hoje, concilia a rotina de estudos com os três treinos semanais no Centro de Referência de Rio Branco, projeto do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que aproveita espaços esportivos em todo o país para a prática esportiva da base ao alto rendimento.
Aos 12 anos, Luan teve a sua primeira experiência com a natação. À ocasião, ele não se sentiu atraído pela modalidade. “Parei. Achava que não era para mim. Não gostava tanto, mas quando entrei na graduação, senti o interesse e a necessidade de nadar, já que tinha um projeto [Centro de Referência]. Foi um avanço muito grande. Lá, nos meus 12 anos, tinham alguns treinadores, mas não era nada oficial. Agora, temos uma estrutura completa”, comentou.
Fã de K Pop (gênero musical sul-coerano) e literatura, principalmente relacionada às Ciências Sociais, Luan nutre o sonho de evoluir dentro do esporte, melhorar suas marcas e aproveitar as oportunidades abertas pela natação paralímpica. E, para tanto, ele tem o apoio incondicional daquela que largou a casa e o comércio em Cruzeiro do Sul para acompanhá-lo em Rio Branco, na busca de uma nova vida após a biamputação.
“Minha mãe me incentiva a nadar. Ela sabe que faz bem para a saúde física e mental. É a minha maior incentivadora. E ter um Meeting aqui, em Rio Branco, também me ajuda nos meus objetivos. O esporte é inclusão e salva vidas”, concluiu.
A temporada de 2026 do Meeting Paralímpico Loterias Caixa, aberta neste sábado, 11, irá passar por todos os estados brasileiros e se encerrará em São Paulo, de 6 a 8 de agosto.
O Meeting Paralímpico Loterias Caixa também contou com uma etapa em Belém (PA), com provas de atletismo e natação neste sábado, 11. A próxima etapa do Meeting Paralímpico Loterias Caixa acontecerá em São Luis (MA), no dia 25 de abril.
Patrocínio
As Loterias Caixa, a Caixa, a Braskem e a Asics são as patrocinadoras oficiais do atletismo.
As Loterias Caixa e a Caixa são as patrocinadoras oficiais da natação.
Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileiro (imp@cpb.org.br)
