
Imagem do Hubble revela a galáxia lenticular NGC 7722, a 187 milhões de anos-luz, com anéis de poeira e gás girando em torno de um núcleo brilhante.
Entre bilhões de galáxias espalhadas pelo universo, algumas chamam atenção dos pesquisadores não pelo tamanho, mas pela história que as levou àquele ponto. É o caso da NGC 7722, uma galáxia incomum registrada em altíssima resolução pelo Telescópio Espacial Hubble, da NASA e da Agência Espacial Europeia (ESA).
Localizada a cerca de 187 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Pégaso, a NGC 7722 pertence a um grupo raro conhecido como galáxias lenticulares, um tipo que parece viver no meio do caminho entre as galáxias espirais e as elípticas.
Uma galáxia que não se encaixa em rótulos simples
As galáxias lenticulares recebem esse nome por terem formato de lentes. Elas não têm os braços bem definidos das galáxias espirais, mas também não são totalmente homogêneas como as galáxias elípticas. A NGC 7722 exemplifica bem essa ambiguidade toda.
Ela tem um núcleo brilhante, envolto por um halo suave de luz, típico de galáxias elípticas. Ao mesmo tempo, exibe um disco visível, com anéis de poeira e gás que giram ao redor do centro, algo que é mais comum em galáxias espirais.
Apesar disso, o que mais chama atenção, são as longas faixas de poeira avermelhada, que “serpenteiam” pela borda externa da galáxia e cortam parte da luz, criando um visual quase que dramático.
Segundo os astrônomos, essas faixas escuras não estão ali por acaso. A principal hipótese é que a NGC 7722 tenha passado por uma fusão ou interação gravitacional com outra galáxia no passado.
Uma supernova recente revela atividade escondida
Mesmo sem formar tantas estrelas jovens quanto uma galáxia espiral, a NGC 7722 não está totalmente “adormecida”. Em 2020, astrônomos detectaram ali a explosão de uma estrela: a SN 2020SSF, uma supernova do tipo Ia.

Supernovas do tipo Ia são ferramentas valiosas da astronomia.
Esse tipo de explosão ocorre quando uma Anã Branca, em um sistema binário, rouba matéria da estrela companheira até se tornar instável. O resultado é uma explosão extremamente brilhante e, curiosamente, muito previsível em intensidade.
Por isso, as s upernovas do tipo Ia são tão valiosas para os pesquisadores. Elas ajudam os cientistas a medir distâncias cósmicas com uma precisão enorme, e, de quebra, ajudam a mapear a expansão do universo.
Por que o Hubble observou a galáxia depois da explosão?
A nova imagem foi feita com a Wide Field Camera 3, dois anos após a supernova desaparecer. O objetivo não era ver a explosão em si, mas investigar o que ficou para trás.
Com a luz intensa já dissipada, os cientistas conseguiram procurar resíduos radioativos, analisar o ambiente ao redor da estrela que explodiu e até buscar sinais da estrela companheira sobrevivente. Tudo isso a quase 200 milhões de anos-luz de distância.
