A GWM foi ousada ao lançar o Haval H6 no Brasil em 2021. Em vez de trazer um modelo mais acessível, e brigar no custo-benefício, a chinesa optou por começar sua operação com um SUV médio mais caro, de proporções generosas e híbrido. Deu certo. Desde então, o H6 só cresceu nas vendas, superando, quem diria, o Toyota Corolla Cross entre os híbridos. Nem mesmo a conterrânea BYD, com toda a sua pujança financeira, conseguiu frear a rival.
Este é o GWM Haval H6 HEV2 2026, versão de entrada do SUV, com preço de R$ 223.000. Conforme dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), esta não é a configuração mais vendida do modelo. As preferidas do público brasileiro são as configurações híbridas plug-in PHEV19 (R$ 248.000) e PHEV35 (R$ 288.000). Elas são bem mais caras, porém trazem sistema eletrificado mais robusto e potente, e oferecem um “sabor elétrico”, já que ambas têm boa autonomia só com eletricidade.
Contudo, para quem não quer se preocupar em ter de recarregar a bateria, a versão HEV2 é a escolha certa. Ela é autorrecarregável, ou seja, o dono não precisa plugar o SUV na tomada ou em um eletroposto no dia a dia. Funciona como o Corolla Cross Hybrid, porém bebe apenas gasolina e é muito mais potente. São até 243 cv de potência combinada e 55 kgfm de torque máximo, enquanto o Toyota tem só 122 cv (a japonesa não divulga o troque máximo combinado).
Por ser bem mais vigoroso, o Haval H6 paga um “preço”: é menos econômico que o rival feito em Sorocaba (SP). O GWM também não é flex (ainda). Mas isso é uma questão de tempo. Em breve o SUV da marca chinesa beberá gasolina ou etanol em qualquer proporção. Neste teste, pudemos conferir as atualizações feitas no modelo no fim de 2025, quando começou a montagem na fabrica de Iracemápolis (SP). Foram mudanças pontuais, mas muito bem-vindas e que elevaram o nível do modelo, que já era superior em conteúdos aos principais concorrentes.
O que muda no Haval H6 2026?
A GWM foi comedida nesta atualização de meia vida do H6. O SUV ganhou a plástica feita na China, com novos pára-choque, grade frontal e as luzes diurnas de LEDs, que agora descem dos faróis principais na vertical, formando traços contínuos. Ela substituiu os faróis auxiliares e deixou a frente do modelo sutilmente mais moderna. A grade cresceu e ganhou preenchimento com efeito tridimensional, realçando o porte robusto.
As dimensões, aliás, foram mantidas: são 4,70 metros de comprimento, 1,73 m de altura, 1,88 m de largura e generosos 2,73 m de distância entre-eixos. Também permanece o ótimo volume de 560 litros no porta-malas, o que deixa o Haval H6 muito acima de concorrentes como Corolla Cross (440 l) e Jeep Compass (410 l). É maior também que o compartimento do VW Taos, um dos maiores da categoria, com 498 l.

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Mas, afinal, o que muda no H6 2026? Bem, as atualizações se concentram no painel frontal. A GWM trocou o volante, que era um tanto simples e de aro fino. O novo ficou bem melhor. Definitivamente, o antigo destoava do interior e parecia o volante de um carro da década passada. O multimídia também foi atualizado e ganhou a mesma tela maior do modelo chinês, agora com 14,6″, bem mais rápida e fácil de operar, com uma barra fixa no rodapé inferior que simplifica o uso.
A GWM também atualizou o console flutuante entre os bancos e reposicionou o carregador de celular por indução. No geral, o H6 2026 melhorou pontos estratégicos e se revela ainda mais moderno que seus muitos concorrentes. O único modelo, digamos, em pé de igualdade com o Haval é o BYD Song Plus. Entretanto, o rival é sempre híbrido PHEV e precisar ser frequentemente recarregado. Os dois são os campeões de vendas entre os híbridos, e não é por acaso.

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
Como é dirigir o Haval H6 HEV2
Nesta reestilização, a GWM fez alguns ajustes no motor 1.5 turbo com injeção direta de gasolina. Ele ficou mais eficiente, embora praticamente não tenha mudado os números de desempenho. Apenas o torque máximo subiu de 54 kgfm para 55 kgfm. A potência combinada (1.5 + elétrico) permanece com 243 cv, o que deixa o Haval H6 em vantagem contra quase todos os SUVs médios híbridos.
Nos testes do Motor1.com, o novo H6 foi um pouco melhor que o anunciado pela fabricante. A aceleração de 0 a 100 km/h, por exemplo, levou 7,8 segundos, um centésimo a menos que os 7,9 s oficiais. Já nas provas de retomada, o modelo da Haval mostrou força e agilidade. Foram 6,8 segundos para ir de 40 km/h até 100 km/h e apenas 6,1 segundos para ir de 80 km/h a 120 km/h.

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
O consumo médio também foi melhor que o informado no Inmetro. Curiosamente, o SUV entregou a mesma média na cidade e na estrada: 15,6 km/l de gasolina. No Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, são 14,7 km/l na cidade e 11,4 km/l na estrada. Entretanto, vale dizer que o consumo aferido depende de vários fatores, modo de condução, topografia, carga, entre outros. Com o tanque de 61 litros cheio de combustível, a autonomia fica próxima de 800 km, um número sem dúvida acima da média.
E o que pode melhorar no Haval H6? Ao volante, o SUV tem acelerações poderosas para o peso de 1,7 tonelada. O nível de conteúdos também é dos melhores e mais sofisticados. Há itens como Head-Up display, bancos dianteiros com ajustes elétricos, interior com revestimento de couro, teto solar panorâmico, pacote completo de assistentes ADAS, câmeras de visão 360° com carroceria transparente, tampa traseira com abertura elétrica, entre outros. O espaço para cinco adultos é farto e o acabamento é caprichado.

Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com
O que falta é um ajuste melhor de suspensão. A GWM fez um trabalho e melhorou o conjunto de molas e amortecedores nesta atualização. O “efeito rebote” antes era nítido, sobretudo ao passar por lombadas e valetas. Agora, o SUV está mais controlado, amortece melhor sem rebater o movimento. Porém, ainda há trabalho nessa parte para deixar o H6 mais suave e preciso. Em curvas mais fechadas e em retas, há oscilação da carroceria em certos momentos. Falta aquele ajuste fino visto em modelos alemães e japoneses. É algo para a GWM acertar na próxima geração do H6.
Vale a compra?
O Haval H6 se tornou uma compra segura ao longo dos últimos anos. É um SUV tecnológico e à frente da maioria dos rivais nesse sentido. E isso se reflete nas vendas. O modelo da GWM é atualmente o híbrido mais vendido do Brasil. A versão HEV2 não é a mais emplacada, mas, para quem não quer ter de recarregar o carro, é a melhor escolha. Por praticamente o mesmo preço do Toyota Corolla Cross XRX Hybrid (R$ 219.890), o H6 entrega muito mais espaço, conforto e sofisticação, sobretudo com as melhorias feitas na linha 2026. O nível de conteúdo também é bastante superior.
Isso explica porque o modelo se tornou um dos chineses de maior sucesso no mercado brasileiro, mesmo após a chegada recente de novos adversários, como o Jaecoo 7. O H6 está à frente de todos os SUVs médios de marcas tradicionais, a maioria ainda somente a combustão (Jeep Compass, VW Taos, Honda ZR-V, Ford Territory, entre outros). Agora com montagem na fábrica de Iracemápolis, no interior paulista, tem tudo para continuar liderando. Só falta virar flex, o que deve acontecer logo.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
GWM Haval H6 HEV2
Motor
dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.499 cm3, comando duplo com variador no escape e admissão, injeção direta, turbo, gasolina + elétrico
Potência e torque
Combinada: 243 cv; 55 kgfm
Bateria
1,6 kWh
Transmissão
câmbio automatizado de embreagem simples, 2 marchas; tração dianteira
Suspensão
McPherson na dianteira; multilink na traseira; rodas de 18″ com pneus 225/60
Comprimento e entre-eixos
4.703 mm; 2.738 mm
Altura
1.730 mm
Largura
1.886 mm
Peso
1.699 kg em ordem de marcha
Capacidades
porta-malas: 560 litros; tanque: 60 litros
Preço como testado
R$ 223.000
Aceleração
0 a 60 km/h: 3,8 s; 0 a 80 km/h: 5,7 s; 0 a 100 km/h: 7,8 s em 123,2 m/ 201 metros em 10,1 s a 117,4 km/h
Retomada
40 a 100 km/h (em S): 6,8 s em 136,8 m; 80 a 120 km/h (em S): 6,1 s em 170,8 m
Consumo de combustível
cidade: 15,6 km/l; estrada: 15,6 km/l (gasolina)
