Práticas comuns no dia a dia, como carregar garrafas de água reutilizáveis — especialmente os modelos térmicos —, podem esconder um risco invisível à saúde. Um estudo da empresa Water Filter Guru revelou que essas garrafas podem abrigar até 40 mil vezes mais bactérias do que um vaso sanitário, principalmente quando não são higienizadas com frequência adequada.
As garrafas reutilizáveis se tornaram populares por incentivarem a hidratação e ajudarem a reduzir o consumo de plástico descartável, beneficiando o meio ambiente. No entanto, a pesquisa chama atenção para o fato de que resíduos de saliva, umidade constante e limpeza inadequada criam um ambiente ideal para a proliferação de microrganismos.
O levantamento se soma a uma série de estudos recentes que questionam a percepção de que a água engarrafada é sempre mais segura do que a água da torneira. Pesquisas científicas indicam que, em muitos países desenvolvidos, a água distribuída pelas redes públicas passa por controles mais rigorosos e frequentes do que a água vendida em garrafas.
Em países como Reino Unido, Estados Unidos e na União Europeia, o abastecimento público é monitorado diariamente para detectar bactérias, metais pesados e pesticidas, com resultados divulgados de forma transparente por órgãos reguladores. Já a água engarrafada é classificada como produto alimentício, o que implica menos exigências de testes e menor obrigação de divulgação de dados de qualidade.

Contaminação vai além das bactérias
Além da presença de microrganismos, estudos recentes identificaram outros contaminantes na água engarrafada. Uma pesquisa de 2024 detectou dezenas de milhares de partículas de microplásticos por litro em algumas amostras. Esses resíduos também aparecem, em concentrações mais altas, em águas engarrafadas do que na água da torneira.
Especialistas alertam que microplásticos e substâncias químicas liberadas pelo plástico — como antimônio, ftalatos e bisfenóis — podem migrar para a água, especialmente quando as garrafas ficam expostas ao calor, como em carros ou sob o sol. Algumas dessas substâncias são classificadas como disruptores endócrinos, capazes de interferir no funcionamento hormonal do organismo.
Embora os níveis dessas substâncias geralmente sejam baixos, pesquisadores demonstram preocupação com os efeitos da exposição contínua e prolongada, principalmente diante do aumento global do consumo de água engarrafada. Estudos associam altas exposições a impactos na saúde reprodutiva, no metabolismo e no desenvolvimento humano, embora os riscos de longo prazo ainda estejam sendo investigados.
Como reduzir os riscos
Especialistas recomendam medidas simples para diminuir a contaminação das garrafas reutilizáveis, como:
- Lavar o recipiente diariamente com água e detergente
- Evitar armazenar líquidos por longos períodos
- Não deixar a garrafa exposta ao calor
- Priorizar modelos que permitam limpeza completa, incluindo tampa e bocal
