Um incêndio em um bar no centro da estação de esqui Crans-Montana, na Suíça , provocou cerca de 40 mortes e deixou ao menos 115 feridos, a maioria com gravidade, informou nesta quinta-feira (01/01) o comandante da polícia do cantão de Valais, Frédéric Gisler.
Dezenas de pessoas comemoravam a chegada de 2026 no bar “Le Constellation” quando o fogo começou por volta de 1h30 (horário local). A polícia descreveu o ocorrido como um “incidente grave”. A investigação sobre a causa do fogo está em andamento, mas a polícia trata o caso como um acidente e descarta um ato criminoso.
O governo do cantão de Valais disse que ocorreu um flashover no bar, “resultando em uma ou mais explosões”.
Flashover é quando quase todas as superfícies de um ambiente atingem simultaneamente a temperatura de ignição, fazendo com que o fogo se propague de forma súbita e generalizada. Desta forma, as autoridades esclareceram que as explosões inicialmente relatadas pelos moradores da região não causaram o incêndio, mas foram uma consequência dele.
Segundo a polícia, a primeira chamada de emergência ocorreu imediatamente após o início do incêndio. As primeiras patrulhas policiais chegaram ao local pouco depois, seguidas por um contingente maior de bombeiros. Foram mobilizados 43 ambulâncias, 13 helicópteros e 150 paramédicos. Equipes de países vizinhos também participaram do resgate. A área foi completamente isolada.
O bar, de acordo com informações do próprio estabelecimento, tem capacidade para cerca de 300 pessoas. No entanto, não se sabe quantas pessoas se encontravam no interior no momento do incêndio.
Imagens divulgadas pela mídia suíça mostram um prédio em chamas e pessoas gritando e fugindo na escuridão da noite.
O presidente suíço, Guy Parmelin, afirmou em coletiva de imprensa que essa foi “uma das piores tragédias que o país já vivenciou”.
Destino de luxo
Crans-Montana é um sofisticado destino turístico, frequentado por celebridades. Durante as festas de fim de ano, o local costuma estar lotado.
A cidade tem apenas 10.000 habitantes e conta com 2.600 leitos de hospedagem, além de centenas de apartamentos de férias. Com cerca de um milhão de pernoites por ano, aproximadamente 20% dos visitantes vêm do exterior, segundo a autoridade local de turismo, especialmente italianos e franceses.
Por essa razão, é provável que haja estrangeiros entre os mortos e feridos. A identificação deles é uma prioridade máxima, afirmou o Ministério Público. Peritos forenses de cantões vizinhos foram chamados a prestar auxílio.
O resort fica a cerca de 1.500 metros acima do nível do mar e oferece uma grande área para esqui. Também recebe regularmente grandes eventos esportivos, incluindo as provas da Copa do Mundo de Esqui, realizadas no final de janeiro.
Feridos lotam hospitais
Segundo as autoridades, o hospital regional atingiu a capacidade máxima devido ao grande número de feridos. O Hospital Universitário de Lausanne, especializado em vítimas de queimaduras, já internou 22 pessoas.
Mais de uma dezena de feridos foram levados ao Hospital Universitário de Zurique. Outros foram transferidos de avião para Genebra e distribuídos entre outros hospitais da Suíça. Um foi levado de avião para Stuttgart, na Alemanha.
Proibição de fogos
Autoridades de Crans-Montana haviam cancelado e proibido os fogos anteriormente previstos para o réveillon devido a uma situação de seca.
Nesta época do ano, a região costuma estar coberta por uma manta de neve, que desta vez não se formou devido à ausência de precipitações e às altas temperaturas para o inverno europeu.
efe, ots (le)
