
Os microplásticos são pequenas partículas de plástico, com menos de 5 milímetros de diâmetro. E por que eles causam preocupação? Por que estão presentes em diversos ambientes, incluindo oceanos, solos e até mesmo no ar que respiramos, representando um risco à saúde humana e ao meio ambiente.
A origem dos microplásticos pode ser primária, quando são fabricados nesse tamanho mesmo como por exemplo microesferas para cosméticos, ou secundárias, como resultado da fragmentação de plásticos maiores.
E essas partículas microscópicas estão sendo encontradas também em órgãos e tecidos do corpo humano, segundo estudos, como por exemplo, no cérebro, pulmão e corrente sanguínea.
Agora, uma nova pesquisa feita por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) detectou a presença de microplásticos em placenta e cordão umbilical de mulheres grávidas. Este é o primeiro estudo do tipo realizado na América Latina e o segundo no mundo que conseguiu comprovar a presença dessas partículas em cordões umbilicais.
Microplásticos até em grávidas!
A pesquisa, que é inédita na América Latina, foi feita com 10 gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Maceió, no estado de Alagoas. A escolha por mulheres do SUS é por que são pessoas com uma condição socioeconômica mais vulnerável, e a grande maioria dos estudos é feita em países desenvolvidos. Os resultados foram publicados na revista Anais da Academia Brasileira de Ciências.
As mulheres foram submetidas à técnica de espectroscopia Micro-Raman, capaz de identificar a composição química de moléculas com grande precisão. Foram encontradas 110 partículas de microplásticos nas placentas e 119 nos cordões umbilicais. O composto mais presente foi o polietileno, usado na fabricação de embalagens plásticas descartáveis, e depois a poliamida, que faz parte da composição de tecidos sintéticos.

Alexandre Urban Borbely, líder do grupo de pesquisa em Saúde da Mulher e da Gestação na UFAL e um dos autores da pesquisa, destacou que ainda estão sendo mensurados os eventuais riscos disso para as gestantes. “Ainda não temos como saber. O que podemos dizer é que sim, as gestantes estão com microplásticos e eles passam para o feto durante a gestação”, comentou ele.
Borbely explica ainda que a placenta não está barrando estes microplásticos por algum motivo ainda desconhecido, mas acredita que durante os 9 meses deve haver essa passagem para o feto. Os pesquisadores só não tem como calcular isso ainda, mas estudos com animais já mostraram isso (passagem dos microplásticos para o feto).
Os pesquisadores pretendem estender a pesquisa para avaliar se existe alguma relação entre quantidade ou tipo de microplástico com alterações gestacionais e fetais.
E não é possível determinar a fonte da contaminação das mulheres grávidas, porém, Borbely acredita que a poluição marinha tenha grande contribuição, já que a população de Alagoas consome muitos peixes e frutos do mar, inclusive moluscos filtradores.
“A preocupação de todo mundo que trabalha nessa área hoje é tentar entender o que essa contaminação está causando, porque isso é muito sério. Toda essa geração que está vindo já nasce exposta a esses plásticos dentro do útero. E o plástico está compondo de alguma maneira o organismo desses indivíduos desde a formação“, comentou o pesquisador.
Referências da notícia
Cientistas brasileiros encontram microplásticos na placenta e no cordão umbilical de grávidas. 27 de julho, 2025. Vivi Leão.
Pesquisa brasileira detecta plástico em placentas e cordões umbilicais. 25 de julho, 2025. Tâmara Freire.
First evidence of microplastic accumulation in placentas and umbilical cords from pregnancies in Brazil. 25 de julho, 2025. Oliveira, et al.