Um estudo, baseado em dados laboratoriais de 90% dos testes PCR realizados na Alemanha, aponta para que apenas uma pequena percentagem (10-14%) desses “casos covid” apresentou evidência serológica (anticorpos) compatível com infeção prévia.
Apesar dos testes PCR detetarem material genético viral, sem distinguir vírus ativo, fragmentos inativos ou contaminação residual, foram usados e considerados um meio seguro e suficiente de diagnóstico durante a crise covid.
Ora, um artigo científico revisto por pares e publicado na Frontiers, uma das maiores e mais influentes editoras de investigação do mundo, veio reforçar as dúvidas sobre a validade desse tipo de testes, especialmente da forma e no contexto em que foram massivamente utilizados nesse período.
Os investigadores usaram dados de um consórcio de laboratórios alemães que cobriu cerca de 90% de todos os testes de reação em cadeia da polimerase (PCR) para a covid (desde março de 2020 até janeiro de 2023) e realizaram também testes sorológicos para anticorpos (até maio de 2021).
Essa base de dados, que não foi utilizada de forma pública ou transparente pelas autoridades sanitárias, permitiu-lhes analisarem a fiabilidade desse tipo de testes.
Resultados
Através da combinação dos resultados dos testes PCR com os exames sanguíneos aos anticorpos (que confirmam a infeção), mas também de análises independentes complementares, os investigadores concluíram que apenas 10 a 14% dos “casos covid”, considerados a partir de testes PCR, apresentaram anticorpos IgG detectáveis.
Conclusões dos autores
Os investigadores concluíram que na Alemanha, entre meados de março de 2020 e verão de 2021, apenas 14% — e possivelmente até menos, até 10% — dos que foram considerados “SARS-CoV-2 positivos” por teste PCR estavam realmente infetados (como evidenciado pelos anticorpos).
Em segundo lugar, constataram que cerca de um quarto da população já possuía anticorpos no final de 2020 (antes da campanha de vacinação) e que no final de 2021 praticamente toda a população alemã poderia já ter anticorpos (por infeção ou por vacinação).
Críticas às entidades sanitárias
Os autores do estudo não deixaram também de frisar o facto de as autoridades, nomeadamente o principal Instituto de Saúde pública alemã, o RKI (Instituto Robert Koch), nunca ter comunicado publicamente estes dados, que revelavam “o curso da soropositividade da população e que poderiam ter servido como uma métrica objetiva da denominada “situação epidémica de importância nacional””.
E que, pelo contrário, desconsideraram toda essa informação crucial “em favor da confiança no número absoluto semanal de testes PCR positivos — a chamada “incidência de 7 dias””.
Até porque, para os investigadores essa definição de incidência criou valores sem sentido do ponto de vista científico no contexto da dinâmica da infecção, dado depender “inteiramente do número arbitrário (ou imposto) de testes de PCR realizados”.
Consideram mesmo que:
“… não é um indicador objetivo da realidade epidemiológica, mas uma figura imposta administrativamente — mais reflexo da vontade política do que do rigor científico. No entanto, incompreensivelmente, essa métrica de incidência de 7 dias foi até incorporada na Lei Alemã de Proteção à Infecção (“Infektionsschutzgesetz”) como base quantitativa para impor medidas altamente restritivas de saúde pública.”
Porquê tantos falsos-positivos?
No The Blind Spot abordámos repetidamente esta importante questão. Na altura vários especialistas e estudos indicavam uma forte probabilidade de que muitos dos testes PCR positivos poderiam não corresponder a infeção real.
Entre as principais causas desse desfasamento estavam: o elevado número de ciclos, a realização em assintomáticos, a realização em populações com baixa incidência (teorema de Bayes), o risco de contaminação laboratorial, reduzida especificidade do teste.
Numa investigação feita na altura, confirmámos que os protocolos seguidos pelos laboratórios que nos responderam mantinham vários dos procedimentos alvos de múltiplas dúvidas e criticas. Alguns desses laboratórios não seguiam sequer as recomendações atualizadas da OMS, nomeadamente para que se evitassem falsos-positivos.
Fontes:
Síntese de evidência: O que é um “caso Covid” – The Blind Spot
OMS declara existir risco elevado de falsos-positivos nos testes RT-PCR – The Blind Spot
Filmagem expõe risco de contaminação de amostras em laboratório Covid – The Blind Spot
