No extremo Norte do Brasil, milhares de homens já subiram a serra procurando o que estava escondido sob o cascalho. A Serra do Tepequém, em Amajari, Roraima, foi palco de uma corrida por diamantes que transformou a ocupação humana em parte da paisagem.

Hoje, quem percorre os cerca de 200 quilômetros desde Boa Vista encontra outro motivo para subir. Cachoeiras, trilhas e mirantes, e paredões fizeram de Tepequém o principal destino turístico de Amajari e um dos mais conhecidos de Roraima.

Corrida pelos diamantes

Os registros acadêmicos não apontam um único ano para o começo da exploração. Um estudo publicado pelo Museu Integrado de Roraima registra garimpagem de ouro e diamante na região por volta de 1929 e uma extração pequena, porém permanente, a partir de 1936. A atividade ganhou força nas décadas seguintes.

O mesmo levantamento quantifica a corrida: cerca de 10 mil homens teriam revirado a terra à procura de riqueza. Nas décadas de 1950 e 1960, a exploração diamantífera viveu seu auge, atraindo trabalhadores para uma região que, até então, era quase vazia.

Veja fotos da Serra:

Marcas ficaram na paisagem da serra

A mineração deixou consequências que ultrapassaram a economia. O estudo ambiental de 2013 encontrou vegetação removida, solo erodido, assoreamento de igarapés, crateras e trechos de água dinamitados. Anos após o declínio do garimpo, essas marcas ainda faziam parte da paisagem.

A transformação mais bem documentada está na Cachoeira do Funil. Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima relacionam seu formato a sucessivas explosões de dinamite realizadas por garimpeiros.

Nova economia

O declínio foi acompanhado por uma forte redução populacional. Um estudo da UFRR sobre a passagem do garimpo ao turismo registra aproximadamente 3 mil habitantes em 1982, número que teria caído para apenas 284 em 1993, próximo do fim da corrida do ouro.

A partir daí, cachoeiras, áreas de observação da natureza, antigas casas, vestígios do garimpo, pousadas e camping passaram a sustentar outra leitura da serra. Entre os pontos documentados estão o Paiva, Barata e Funil, Vila Cabo Sobral e o platô, além de trilhas que atravessam diferentes trechos do relevo.

A própria pesquisa da UFRR, contudo, faz uma ressalva: substituir o garimpo pelo turismo não elimina impactos automaticamente. O trabalho alerta para crescimento sem planejamento, pressão imobiliária e exclusão da comunidade local.

Como chegar a Tepequém?

A Serra do Tepequém fica em Amajari e o acesso a partir de Boa Vista passa pela BR-174 e pela RR-203. A prefeitura municipal calcula a distância em aproximadamente 200 quilômetros.

Para quem sai de Boa Vista, o caminho começa pela BR-174 no sentido Pacaraima, em direção à fronteira com a Venezuela. Depois de aproximadamente 102 quilômetros, na altura da comunidade de Três Corações, é preciso entrar na RR-203 e seguir por cerca de 53 quilômetros até Vila Brasil, sede de Amajari.

A partir dali, são aproximadamente 50 quilômetros até Tepequém, também por trecho asfaltado, até a Vila do Paiva, principal núcleo urbano da serra. Com isso, o percurso completo fica próximo dos 205 quilômetros. O acesso pode ser feito com carro comum em condições normais, sem exigência de veículo 4×4.

Já nos quilômetros finais, a estrada começa a subir a serra. O Sesc Roraima recomenda atenção especial em aproximadamente quatro quilômetros de subida, marcados por curvas e trechos com desníveis laterais. Animais também podem aparecer na RR-203, por isso a orientação é respeitar os limites de velocidade e viajar com o veículo em boas condições.

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART