Uma tragédia inesperada marcou a vida da família de Bruno Rodrigues Ventura dos Santos, de 29 anos, que atualmente se encontra em coma após sofrer uma grave contaminação por ácido durante uma sessão de hemodiálise em uma clínica de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A situação causou comoção e revolta, uma vez que o jovem, portador de doença renal crônica, recebia tratamento regular e era descrito como uma pessoa ativa e cheia de vida.
O incidente que mudou tudo
Na quarta-feira passada, dia 20, Bruno dirigiu-se à clínica Nice Diálise, conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS), para mais uma sessão de hemodiálise. Conforme relatado pelo pai, Márcio Luiz Alves dos Santos, durante a espera do lado de fora da clínica, a família notou uma movimentação estranha. “Ele entrou por volta de seis e meia. Quando deu sete e meia, a gente viu um tumulto e achou que fosse algum paciente idoso com pressão alterada”, revelou ele. O que se seguiu foi um pesadelo: Bruno foi retirado da sala de emergência já inchado, sangrando e intubado.
A família está em um constante estado de angústia. “Ficamos alternando em visitas ao hospital: uma hora com ele e 23 horas de agonia”, desabafou Márcio, que expressou sua fé em Deus e no apoio que a família tem recebido da comunidade.
Laudo médico e consequências do acidente
O laudo médico que atesta a gravidade do estado de Bruno é alarmante. Ele indica que o entregador deu entrada no hospital após apresentar rebaixamento do nível de consciência devido à “infusão acidental de ácido peracético”, substância altamente corrosiva utilizada para desinfetar as máquinas de hemodiálise e que não pode entrar em contato com os pacientes. O documento também aponta que Bruno sofreu uma hemorragia associada a um edema cerebral, refletindo a gravidade da contaminação.
O ácido peracético, que deve ser manuseado com extrema precaução, acabou entrando em contato com Bruno por conta de um erro que já se reflete em consequências irreversíveis. O pai do jovem confirma que a família registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal e denunciou o caso a órgãos reguladores de saúde. “Não foi apenas erro de um profissional, foi uma sucessão de erros que poderia ter custado a vida de qualquer outro paciente naquele dia”, lamentou ele.
Investigação em andamento
A Polícia Civil investiga agora os detalhes do incidente. O boletim elaborado pelo pai de Bruno menciona que havia resíduos do ácido na máquina utilizada durante a sessão de hemodiálise. “Já denunciei aos órgãos reguladores e espero que a clínica pague pelo que fez”, ressaltou Márcio, enfatizando a necessidade de justiça e uma revisão nos protocolos de segurança nas clínicas.
Além disso, a família relata que, no dia do incidente, a equipe de enfermagem que deveria atender Bruno havia sido trocada. A equipe da TV Globo que visitou a clínica não conseguiu encontrar responsáveis pela clínica. Vizinhos relataram que o local só funcionava em dias específicos, dificultando a resposta às demandas da comunidade e dos pacientes.
A Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil de São Gonçalo emitiu informações de que a fiscalização de serviços de saúde cabe à Vigilância Sanitária Estadual, que já foi notificada sobre o caso e está colaborando com a investigação.
A solidariedade e clamor por justiça
A situação de Bruno Rodrigues tem gerado comoção entre amigos, familiares e a comunidade local. Eles permanecem na expectativa de uma recuperação milagrosa enquanto clamam por justiça e mudanças no sistema de saúde. O caso ressalta a importância de rigorosas medidas de segurança em ambientes que tratam de pacientes com condições críticas como doenças renais.
À medida que os dias passam, a família de Bruno continua firme em sua luta por respostas e justiça, repleta de esperanças para a recuperação do jovem que, como seu pai definiu, é muito mais que um paciente: é um filho, amigo e trabalhador dedicado que merece uma segunda chance na vida.