BRASÍLIA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino cancelou a viagem que faria a Portugal para participar, a partir desta segunda-feira (1º/6), do Fórum de Lisboa – evento chamado de “Gilmarpalooza” em referência ao festival de música Lolapalooza e ao ministro Gilmar Mendes, anfitrião, por reunir anualmente dezenas de autoridades na Europa.
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A assessoria de Dino informou que ele não irá mais ao evento após um acidente doméstico. O comunicado não detalhou o aconteceu, mas disse que o ministro ficou com uma fratura e rompeu um ligamento do pé.
Dino compartilhou o assunto em um artigo publicado no portal “Jota”, neste domingo (31/5). “Alcançado por um pequeno acidente doméstico, não obtive autorização médica para um longo voo até Lisboa, a fim de participar de mais uma edição do sempre bem-sucedido Fórum, coordenado pelo colega e amigo Gilmar Mendes”.
‘Gilmarpalooza’ fica mais caro em 2026
Na 14ª edição, o Fórum de Lisboa vai até a quarta-feira (3/6) e deve reunir autoridades de diferentes setores. Além do anfitrião Gilmar Mendes, deve marcar presença do STF o ministro Alexandre de Moraes.
Também estão previstos os presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e dos ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do Tribunal de Contas da União (TCU) Antonio Anastasia.
Os interessados em participar dos três dias de programação precisarão desembolsar em 2026 até R$ 1.320 pela inscrição – incluindo uma taxa de 10% cobrada pela plataforma em que os bilhetes são vendidos.
O valor é menor para os alunos do IDP, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa (Fdul). Estes estudantes pagam a metade do preço cheio (R$ 600 + R$ 60 de taxa).
Os valores deste ano são muito superiores aos praticados na edição anterior e representam uma virada na lógica de acesso ao fórum. No ano passado, o público geral pagou R$ 800 pela inscrição e R$ 80 de tarifa, enquanto estudantes ficaram isentos e tiveram acesso gratuito.
Até 2024, a participação no “Gilmarpalooza” não era paga e dependia apenas de inscrição prévia e lotação dos espaços da Universidade de Lisboa. A mudança aconteceu após os organizadores observarem que o crescimento do fórum transformou o encontro em um grande ambiente de circulação política, empresarial e institucional, atraindo interessados mais focados em networking e aproximação com autoridades do que no conteúdo dos debates.
A intenção dos organizadores, agora, seria restringir a presença de lobistas, consultores e profissionais que buscam acesso facilitado a ministros de tribunais superiores, parlamentares, integrantes do governo federal e empresários que frequentam o evento português. A tendência discutida internamente, segundo relatos de participantes e interlocutores ligados à organização, é de que os valores continuem aumentando nas próximas edições.
