Alimentos enlatados, como feijão, atum e sopa, podem esconder um perigo mortal. Especialistas em higiene alertam que sinais aparentemente inofensivos, como amolgadelas, ferrugem ou líquidos que espirram ao abrir as latas, podem ser indicadores de contaminação por uma bactéria altamente perigosa, Clostridium botulinum, responsável por uma doença potencialmente fatal chamada botulismo.

O especialista em resíduos Paul Jackson, diretor da empresa NRC, aconselha os consumidores a estarem atentos aos sinais visíveis nas latas antes de as adquirirem. Em entrevista ao Mirror, Jackson explicou que pequenas amolgadelas nas latas geralmente não representam um grande risco, desde que não haja outros sinais de dano. Contudo, “amolgadelas profundas são um grande sinal de alerta”, avisou, destacando que podem causar microfraturas no metal da lata, permitindo a entrada de bactérias.

Essas bactérias, que não causam mal diretamente, podem, no entanto, produzir toxinas mortais quando em ambientes fechados e sem oxigénio, como é o caso das latas. Quando uma pessoa consome alimentos contaminados com essas toxinas, pode desenvolver botulismo, uma condição que ataca o sistema nervoso e causa paralisia.

Os primeiros sintomas do botulismo podem incluir náuseas, vómitos, cólicas abdominais, diarreia ou prisão de ventre. No entanto, sem tratamento adequado, a infecção pode afetar o sistema nervoso, causando paralisia progressiva que começa na cabeça e se espalha para os membros inferiores. A paralisia pode incluir dificuldade em engolir, visão turva, pálpebras caídas e até problemas respiratórios.

De acordo com o Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido, cerca de 10% dos casos de botulismo resultam em morte. A doença é rara, mas extremamente grave, podendo levar à morte ou a sequelas permanentes.

A ferrugem e as latas inchadas
Jackson também alerta para os perigos das latas enferrujadas. A ferrugem, além de enfraquecer o metal da lata, pode indicar que o alimento dentro dela já não está seguro para o consumo. “Até mesmo pequenas manchas de ferrugem podem ser um sinal de que o alimento dentro da lata pode ter sido contaminado”, afirmou.

Outro sinal claro de que o alimento pode estar contaminado é quando a lata apresenta inchaço visível. Esse inchaço é geralmente causado pelo acúmulo de gases resultantes da atividade bacteriana dentro da lata, o que indica que o alimento foi estragado. “Não deve consumir latas inchadas. Elas indicam que o alimento está estragado e não deve ser consumido”, alertou Jackson.

O líquido que espirra ao abrir a lata
Outro perigo potencial é o líquido que pode sair da lata ao ser aberta. Jackson recomenda que, caso uma lata “dispare” líquido ao ser aberta, isso pode ser resultado de gases gerados por crescimento microbiano. “Isso afeta o sabor e a qualidade do alimento, mas também apresenta um sério risco à saúde. Tenha muito cuidado”, disse o especialista.

Como armazenar corretamente os alimentos enlatados
Para minimizar o risco de contaminação, Jackson aconselha os consumidores a armazenarem os alimentos enlatados em locais secos e frescos, longe de fontes de calor ou luz solar direta, que podem criar condições ideais para o crescimento bacteriano. O especialista também alerta que temperaturas extremamente baixas podem fazer as latas se romperem, permitindo a entrada de oxigénio e umidade, o que pode levar à ferrugem e contaminação.

“Manter os alimentos enlatados em um ambiente com temperatura estável e moderada ajuda a preservar a sua durabilidade e segurança”, afirmou Jackson.

Atenção às datas de validade
Além do armazenamento adequado, é importante também estar atento às datas de validade dos alimentos enlatados. Alimentos com alto teor de acidez, como tomates, podem manter sua qualidade por até 18 meses após a data de validade, devido à sua acidez, que ajuda na conservação. Já alimentos com baixo teor de acidez, como carnes e vegetais, podem manter sua frescura por dois a cinco anos após a data de validade, se armazenados corretamente.

Em casos extremos, o consumo de alimentos contaminados com C. botulinum pode levar a resultados devastadores. A brasileira Claudia Albuquerque Celada, residente no Colorado, sofreu um grave caso de botulismo após comer sopa enlatada contaminada. Após 15 dias de ingestão do alimento, Claudia desenvolveu paralisia completa em todo o corpo em menos de 24 horas. A mulher sobreviveu, mas a paralisia afetou sua qualidade de vida de forma irreparável.

Outro caso trágico envolveu Doralice Goes, que ficou paralisada após ingerir pesto contaminado com a mesma bactéria. Passou cerca de um ano hospitalizada, reabilitando-se para poder andar novamente.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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