A morte do papa Francisco, em abril de 2025, trouxe o interesse por episódios pouco conhecidos envolvendo pontífices do passado. Entre eles, um dos mais chocantes: o caso do corpo do papa Pio XII, que explodiu durante a exposição pública em 1958 após um procedimento malsucedido de preservação.

O episódio voltou a circular após o Vaticano confirmar que o corpo de Francisco passou por uma técnica temporária de conservação, chamada thanatopraxia, antes de ser levado a público — método adotado justamente após o desastre embalsamatório ocorrido há quase sete décadas.

Papa Pio XII (Reprodução/ullstein bild/ullstein bild via Getty)

Quando o corpo de um papa literalmente explodiu

Pio XII morreu em outubro de 1958, após 19 anos de pontificado. Diferentemente dos papas anteriores, ele havia determinado que seus órgãos não fossem retirados, contrariando a prática tradicional usada para garantir a preservação.

Para atender ao pedido, o médico pessoal do pontífice, Riccardo Galeazzi-Lisi, decidiu realizar um método experimental: cobrir o corpo com óleos e resinas e envolvê-lo em camadas de celofane, inspirado — segundo ele — nos tecidos utilizados no sepultamento de Jesus Cristo.

Funeral Papa Pio XII (Reprodução/INTERCONTINENTALE/AFP via Getty)

O problema é que o papa morreu na residência de verão Castel Gandolfo e seu corpo percorreu uma longa viagem até Roma sob temperaturas muito altas. A combinação de calor intenso, ausência de remoção de órgãos e o isolamento plástico formou um ambiente ideal para a rápida proliferação de bactérias — que produzem grandes quantidades de gases durante a decomposição.

No quarto dia de velório, diante dos fiéis, o corpo inchou de forma extrema e se rompeu, exalando um odor tão forte que fez membros da Guarda Suíça desmaiarem, segundo relatos da época. Partes como o nariz e os dedos se desprenderam, e o Vaticano encerrou imediatamente a visitação pública.

Caso levou à mudança permanente no ritual papal

Desde o episódio, a Santa Sé abandonou métodos experimentais e padronizou práticas mais seguras. A referência voltou à tona em 2025 porque o corpo de Francisco, antes de ser transferido para a Basílica de São Pedro, passou pela thanatopraxia, que assegura aparência natural por até dez dias.

Segundo Andrea Fantozzi, fundador do Instituto Italiano de Tanatopraxia (INIT), para a revista People, o processo visa garantir estabilidade estética e evitar incidentes como o que marcou o velório de Pio XII.

“O procedimento oferece uma aparência mais serena e natural, mantendo o corpo adequado para visitação por vários dias”, explicou.

A mudança no protocolo foi adotada justamente para impedir a repetição do histórico e traumático episódio de 1958.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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