O Consórcio Cristo Sustentável esteve presente na COP30 para articular sua agenda climática internacional. A delegação oficial foi composta pela gestora ESG do Consórcio Cristo Sustentável, Bianca Cardoso, e pelo coordenador de Relações Internacionais do Santuário Cristo Redentor, Pedro Corrêa de Brito.
Silvonei José – Belém
O Consórcio Cristo Sustentávelformada pelo Santuário Arquidiocesano Cristo Redentor, pela Obra Social Leste Um – O Sol e pelo Instituto Redemptor, participou na 30ª sessão da Conferência das Partes (COP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que se realizou em Belém, no estado do Pará.
A delegação oficial foi composta pela gestora ESG do Consórcio Cristo Sustentável, Bianca Cardoso, e pelo coordenador de Relações Internacionais do Santuário Cristo Redentor, Pedro Corrêa de Brito, participantes de forma estratégica nas áreas de sustentabilidade, governança climática e turismo responsável. Desde a última quarta-feira, 19 de novembro, a organização apresentou iniciativas concretas que posicionam o turismo sustentável, ecológico, virtual, doméstico e religioso como vetores essenciais para a mitigação e adaptação climática.
A presença do Consórcio na COP30 reforça a integração da sustentabilidade com a cultura, a fé e o patrimônio histórico. A delegação participou de painéis e debates internacionais, alinhando suas operações e influência global com a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A Rádio Vaticano – Vaticano News conversou com Bianca Cardoso:
Conversamos com Bianca Cardoso, que participa da COP30, em nome do Consórcio Cristo Sustentável. Bianca, uma alegria encontre-la aqui. Conte um pouco da participação de vocês num evento como esse.
Olha, para nós é uma alegria imensa estar num evento desse porte, trazendo o Consórcio Cristo Sustentável para essa discussão, mostrando o comprometimento do Santuário Cristo Redentor, enquanto instituição integrante do Consórcio, o comprometimento com as questões socioambientais e climáticas. Então, aqui a gente pode apresentar para todos que o Santuário Cristo Redentor atua em três dimensões.
Ele é um santuário religioso, ele é um equipamento turístico e ele é um agente de transformação. Com essas três dimensões, nós temos projetos, atuamos de forma muito comprometidos com as causas socioambientais, com base na carta Encíclica Laudato si’ do Papa Francisco, que comemora 10 anos esse ano. Então, é uma inspiração para a gente, junto com a Laudato Deum.
Esses documentos da igreja norteiam as ações do Santuário Cristo Redentor, portanto do Consórcio.
De que ações estamos falando?
Bom, a gente está falando primeiramente de uma agenda climática robusta que estamos construindo. Nós estamos em processo de certificação Cristo-carbono neutro. Nós temos um plano de gestão ambiental para equilibrar justamente no ambiente, ali do Santuário, o grande número de visitação, e eventos com a necessidade imperativa de proteger o ecossistema da Mata Atlântica. Temos um projeto, por exemplo, Braços Abertos sobre a Guanabara, que visa a governança da Baía de Guanabara, que é uma plataforma de anúncios e denúncias. Então, nossa intenção é trazer parceiros para que as pessoas possam atuar em conjunto pela conservação e revitalização da Baía. Sendo assim, temos uma atenção muito grande com a questão dos oceanos, compreendendo o seu protagonismo dentro das soluções para as questões climáticas.
Nós estivemos em Nice, na Conferência dos Oceanos da ONU, em junho, e já estamos planejando, nos organizando, pois em 2027 o Rio de Janeiro vai sediar a Conferência da Década do Oceano da Unesco. Em abril serão três dias de evento, então já estamos conversando com nossos parceiros. Vai ser um evento muito importante para a gente chamar a atenção para os oceanos e fazer parte desse movimento. É um evento de proteção aos oceanos.
A presença do Consórcio aqui na COP30 reforça a integração da sustentabilidade com a cultura, a fé e o patrimônio histórico. O que significa tudo isso?
Bom, é importante para as pessoas entenderem que, para que as pessoas consigam a conversão ecológica que cumpriu o nosso saudoso Papa Francisco, é importante que as pessoas tragam para a discussão diversos olhares, pois nós, enquanto humanidade, somos diversos. É importante entendermos também que a fé, ela dialoga com a ciência. É importante a gente fazer com que esse diálogo aconteça. Então, o nosso trabalho é fazer, é dar a nossa contribuição.
Nós criamos e lançamos também na Semana do Meio Ambiente esse ano, os Objetivos de Desenvolvimento Humano. Nós já temos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que são os 17 Objetivos da Agenda 2030, com as 169 metas. Então, o que nós desenvolvemos? A partir das obras de misericórdia da Igreja Católica, que eram 16, incorporamos mais duas, a pedido do Papa Francisco, que ele fez uma solicitação para que mais duas fossem incorporadas, pelo cuidado da Casa Comum. Nós temos uma mais corporal, pelo cuidado da Casa Comum, e uma espiritual que é contemplar Deus. a partir da criação. Então, a partir disso, entendemos que as obras de misericórdia passaram a ser 16.
Dentro desse trabalho que foi realizado, fizemos a integração das obras de misericórdia com os objetivos de desenvolvimento sustentável. Por exemplo, quando a gente fala de dar pão a quem tem fome, a gente está falando do ODS2, fome zero e agricultura sustentável. Então, assim, a gente cria um diálogo de fé, da igreja, com essa agenda global atual, porque não estamos dissociados. A espiritualidade, ela traz luz às questões. Então, a gente está aqui dando a nossa contribuição para essa transformação, porque a humanidade, muitos de nós, nós temos cientistas, nós temos instituições maravilhosas fazendo trabalhos incríveis, mas a grande dificuldade da humanidade é implementar, porque existe, no momento em que a gente está vivendo, um consumismo desenfreado, uma humanidade descolada da natureza e da sua essência, vendo o planeta Terra como se fosse algo infindável, como se fosse algo que a gente pudesse explorar, como se aquilo não fosse acabar nunca, sem consciência, sem responsabilidade. É um trabalho de educação, é um trabalho de conversão ecológica, conforme disse Papa Francisco. É importante também o conceito que ele traz de ecologia integral, que é justamente a gente trazer as dimensões sociais e humanas. Para falar que ecologia não é apenas uma questão de meio ambiente, a gente precisa falar de cultura, de comunidades locais, a gente precisa falar de relação intergeracional, das gerações futuras, a gente precisa falar de economia. Então é uma questão complexa que envolve tudo isso.
O Cristo Redentor é um símbolo muito importante. Como se insere um Laudato si’ dentro de tudo isso que vocês estão dizendo, fazendo, com esse símbolo.
O Cristo Redentor é isso. Primeiramente, ele é um monumento que foi criado pela Igreja Católica. Ele foi construído pela igreja com o apoio da população do Brasil, carioca. Então, existe uma lenda que foi um presente da França, isso não é verdade. Em toda oportunidade, é importante que a gente esclareça isso. Foi feito com doações da sociedade. O escultor era francês e às vezes, tem uma confusão nesse sentido. Mas é um monumento que está localizado, inserido dentro do Parque Nacional da Tijuca, dentro de uma unidade de conservação. Ele está dentro da natureza. Ele está situado ali de braços abertos sobre a Guanabara, como diz a música. Então, a relação dele com o meio ambiente é imensa, ele está presente ali dentro. Para você chegar ao Cristo, você tem que subir o alto do Corcovado.
Inclusive, quando você pega o elevador, tem uma enorme figueira. Eu faço até associação passagem passagem de Zaqueu, que subiu numa figueira para ver Jesus. Então, a gente tem até esse momento de espiritualidade que às vezes pode passar sem muita atenção para algumas pessoas. A gente tem, por exemplo, a colaboração do Vicariato Episcopal para o Meio Ambiente e Sustentabilidade, que é liderada pelo nosso querido Padre Josafá, que é um exemplo para a gente. Uma pessoa com conhecimento notável de sustentabilidade e contribui para formar ímpar.
Então ele está ali, ele fez um estudo, por exemplo, da vegetação do Santuário. Ele que trouxe ao nosso conhecimento essa observação da figueira. Temos uma relação muito grande com o Meio Ambiente. A Laudato si’ está aí para fortalecer isso. Inclusive, fizemos uma capela, inauguramos esse ano, uma capela chamada Capela Laudato si’. É uma capela que foi feita com os conceitos de sustentabilidade, com mobilidade sustentável. Ela é toda verde, ela tem uma parede toda feita de músculos naturais.
A gente quer realmente que as pessoas, por exemplo, nessa capela, tenham feito uma visita realmente na natureza. E até falando mesmo da Laudato si’, o Papa Francisco fala que nada neste mundo nos é indiferente. Então, é isso que a gente quer que as pessoas entendam. Que a gente não pode ser indiferente ao nosso papel, enquanto pessoas que podem realmente fazer a diferença com a sua individualidade.
Uma última pergunta então, Bianca, essa presença de vocês na COP, o que vocês trazem para uma reflexão que vai além desse encontro e que as pessoas podem levar para casa?
Você fala perfeitamente de que o Cristo está dentro do ambiente, faz parte do ambiente, o ambiente que nós tanto amamos do Rio de Janeiro, mas esse ambiente precisa ser preservado.
Eu acho que é importante a espiritualidade nesse momento, de descolamento da essência da natureza, de que somos natureza. O que pode fazer com que a humanidade se desperte nesse sentido, me questione, e é nisso que eu tenho que trabalhar ultimamente. Como as pessoas fazem para se envolver? Como é que a gente faz para levar consciência? Além de políticas públicas, de trabalhos desenvolvidos pelo poder público, o que nós, enquanto igreja, podemos fazer?
Como as pessoas podem contribuir? A Igreja tem uma obra enorme e incrível nesse sentido. O Papa Francisco deixou um legado maravilhoso para a gente. Então, é importante essa mensagem toda que ele deixa de luz. Então, é isso, a gente precisa trazer luz, luz para que a gente consiga ver e enxergar todos os seres do planeta como seres tão importantes como nós. Porque só com esse equilíbrio, com essa percepção, é que a gente vai conseguir…
Fazer com que as coisas mudem. Eu escrevi até uma coisa ontem, num segundo que consegui entrar na internet, porque tá tudo muito corrido, porque foi avistado por um drone um cardume de raias enormes. E aí me veio uma reflexão, assim, se a gente ama a natureza, ela ama a gente de volta. Então, acho que é isso que a gente precisa, sabe? Se você considerar tudo.


