O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG) cancelou o registro profissional de mais três engenheiros envolvidos no rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, em 2019. A decisão ratifica determinação do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea). Com os novos cancelamentos, o número de engenheiros com a identificação cassada por causa do desastre subiu para oito.

Entre julho e agosto, tiveram o registro cancelado Alexandre de Paula Campanha, gerente-executivo de geotecnia corporativa da Vale; Arsênio Negro Junior, engenheiro e auditor da empresa alemã Tüv Süd; e Joaquim Pedro de Toledo, gerente-executivo de geotecnia operacional da Vale. Eles apresentaram pedidos de reconsideração.

Segundo o Crea-MG, as decisões se basearam em erro técnico grave por negligência, imperícia ou imprudência, além de conduta incompatível com a honra, dignidade e boa imagem da profissão.

Em abril, outros cinco já haviam perdido o registro: André Jum Yassuda, engenheiro da consultora Tuv Sud; Andrea Leal Loureiro Dornas e Marilene Christina Oliveira Lopes de Assis Araújo, engenheiras da Vale; Lucio Flavo Gallon Cavalli, diretor de ferrosos da Vale; e Renzo Albieri Guimarães Carvalho, engenheiro responsável pela gestão da barragem.

Para a conselheira da Associação dos Familiares das Vítimas e dos Atingidos pelo Rompimento da Barragem Córrego do Feijão (Avabrum), Josiane Melo, a sanção representa um passo na busca por justiça.

“Não é suficiente, mas a justiça deve ser feita. E foi”, diz Josiane, que perdeu a irmã, Eliane Melo, grávida de cinco meses, no rompimento da barragem.

Uma fonte ligada à defesa critica a decisão. Segundo o interlocutor, não houve individualização do processo. Ou seja: a conduta de cada denunciado não foi analisada individualmente. 

“É uma empresa com 50 barragens e cada uma cumpria uma função. Muitos nem eram ligados diretamente àquela barragem. Denunciar e punir todos pelo mesmo motivo não faz sentido. E, se você ler a decisão, verá que são todas iguais”, apontou.

O rompimento da barragem, em 25 de janeiro de 2019, deixou 270 mortos e segue como um dos maiores desastres socioambientais do país. O processo no Crea-MG começou em 2021. Dezessete engenheiros ainda têm a conduta sob avaliação.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *