O Conselho de Inovação e Tecnologia da FIEMG realizou, nesta quinta-feira (19/3), reunião para debater iniciativas estratégicas voltadas ao fortalecimento da inovação e ao desenvolvimento sustentável em Minas Gerais. O encontro teve como destaques a apresentação sobre ecossistemas de inovação e a explanação do Projeto Sertão, ambas conduzidas por especialistas convidados.
A professora Heloísa Menezes, do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral (FDC), analisou ecossistemas de inovação, destacando que esses ambientes funcionam como redes dinâmicas e interdependentes, nas quais empresas, academia, governo e sociedade atuam de forma integrada para gerar valor e competitividade. Segundo a especialista, a inovação deixou de ser um processo linear e isolado e passou a ser construída de forma colaborativa, exigindo maior interação entre os atores e novos modelos de governança.
Durante a apresentação, foram abordadas as transformações recentes desses ecossistemas, marcadas pela digitalização, pela emergência de deeptechs e pela crescente importância de fatores intangíveis, como cultura, talentos e conexões. Menezes também destacou que, embora o Brasil tenha avançado na estruturação de seu sistema de inovação, ainda enfrenta desafios relacionados à coordenação entre políticas públicas, ao volume de investimentos e às desigualdades regionais.


Ao analisar o cenário mineiro, a professora ressaltou que Minas Gerais ocupa a sexta posição no Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento, mas ainda precisa avançar em aspectos como governança e articulação institucional para alcançar maior maturidade no ecossistema. Entre os fatores críticos para o sucesso, ela destacou a integração entre os atores, a qualificação do capital humano, a infraestrutura adequada, o acesso a financiamento e a construção de uma cultura inovadora consistente.
Inovação e tecnologia do Semiárido mineiro
Na sequência, o professor Marcos Flávio D’Angelo apresentou o Projeto Sertão, iniciativa do Centro de Excelência do Semiárido da Unimontes, desenvolvida em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), com investimento de cerca de R$ 20 milhões ao longo de cinco anos. O projeto abrange 209 municípios do semiárido mineiro, região que concentra baixos indicadores socioeconômicos, e tem como objetivo desenvolver soluções científicas e tecnológicas voltadas ao desenvolvimento regional.
Durante a apresentação, foram destacados os pilares da iniciativa, que incluem o uso de tecnologias como inteligência artificial e internet das coisas, além de ações voltadas à bioeconomia, à agroeconomia e à preservação da biodiversidade. O projeto também se caracteriza por um modelo colaborativo que integra academia, setor público, iniciativa privada e sociedade civil, promovendo inovação aplicada e geração de oportunidades econômicas.
Para o presidente do Conselho de Inovação e Tecnologia da FIEMG, Matheus Pedrosa, as discussões evidenciam a necessidade de fortalecer a articulação entre os diferentes atores do sistema de inovação. “A apresentação da professora Heloísa foi muito clara ao mostrar que a inovação, hoje, é um processo coletivo, que depende de conexão, governança e integração entre empresas, academia e governo. Minas ainda tem desafios importantes nesse sentido, especialmente na coordenação e na maturidade do ecossistema, mas também possui um enorme potencial. Quando olhamos para iniciativas como o Projeto Sertão, vemos esse conceito acontecendo na prática, com a inovação sendo aplicada para gerar desenvolvimento, reduzir desigualdades e criar oportunidades. Esse é o caminho que precisamos acelerar”, afirmou.


Clique aqui e veja mais fotos
Rafael Passos
Imprensa FIEMG
