Com fotos na quadra de basquete, escola de Juazeiro homenageia jovens mortos em acidente de ônibus - Ceará <div class="text-sm"> <strong>Legenda:</strong> <em class="font-medium not-italic text-slate-600"> Mural com fotografias foi fixado próximo à cesta de basquete, em alusão ao time de Juazeiro do Norte. </em> </div> <div class="text-sm"> <strong>Foto:</strong> <em class="font-medium not-italic text-slate-600"> Ismael Soares. </em> </div>

A quadra da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Dom Antônio Campelo de Aragão, conhecida como CAIC, em Juazeiro do Norte, no Ceará, estava mais silenciosa nesta quarta-feira (17). Onde antes ecoavam sons de bola no piso e gritos de incentivo, se escutaram homenagens doloridas aos sete jovens atletas mortos no trágico acidente de ônibus em Tauá, na última segunda-feira (15). 

A reportagem do Diário do Nordeste acompanhou a cerimônia, realizada entre 11h e 12h, iniciada com uma fala de acolhimento da diretora Cássia da Silva, seguida por uma corrente de oração e cânticos entoados por estudantes e funcionários. O foco central das lembranças na instituição foi Henrique Ferreira Bezerra, de 17 anos, ex-aluno e eterno “capitão” da comunidade escolar. 

Na sequência, os atletas do time de basquete local Dodgers realizaram um desfile solene carregando a bandeira da equipe e fotografias dos rapazes. Os registros foram fixados em um quadro posicionado próximo à cesta de basquete, local de maior identificação de Henrique com a escola.

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Para encerrar o momento, o microfone foi aberto para que amigos e outros professores expressassem suas últimas mensagens. A iniciativa, que contou com o apoio do Grêmio Estudantil, partiu do desejo dos colegas de transformar a dor em um ato de força coletiva.

Para a diretora Cássia da Silva, Henrique era a definição de protagonismo. Mesmo tendo passado apenas seis meses na unidade antes de se transferir para a EEMTI Presidente Geisel (Polivalente) em busca de melhores condições de treino, ele deixou uma marca.

“Foi um semestre de protagonismo. Quem chegasse no 1º ano do Ensino Médio já sabia quem era o Henrique, enquanto estudante e atleta”, afirmou a diretora. Henrique era vice-líder de sala e estava sempre preocupado com a aprendizagem dos colegas. “Ele era dos melhores”.

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Para diretora Cássia da Silva, escola também é local de acolhimento para momentos difíceis.

Foto:
Ismael Soares.

Além das despedidas, ela salienta o papel da escola como local seguro para compartilhar o luto de todo o corpo escolar: “é o ponto de apoio para esses jovens se reencontrarem e poderem se apoiar”.

O professor de artes e ex-diretor de turma de Henrique, Thiago Ápria, recorda com carinho do “capitão”, apelido pelo qual Henrique era tratado por sua liderança nata. “O Henrique desde o início tinha esse papel de liderança, por isso já cativava muito a turma”, descreveu.

“Tínhamos uma relação muito afetuosa, de humildade e gentileza. Ele é muito gigante para além do tamanho, porque era super alto, mas era incrível. Era um menino que sonhava no campo da prática, não só esperava ser um atleta, ele corria, buscava, viajava”, orgulha-se.

Thiago revelou que, ao saber da notícia trágica, enviou uma última mensagem ao Instagram do aluno que considerava um amigo, ainda que soubesse que não teria resposta: “independente de onde estiver, você para mim vai ser sempre o maior, vai ser o nosso capitão”.

Retrato em plano fechado de um homem jovem com cabelos cacheados pretos, barba e um piercing no septo. Ele veste uma camiseta preta e olha diretamente para a câmera com uma expressão serena. Ao fundo, há uma parede amarela decorada com grafites coloridos em tons de azul e laranja.

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Professor Thiago Ápria destaca trajetória de Henrique como exemplar dentro da escola.

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Ismael Soares.

Lembranças de amigos

A emoção também tomou conta de Rafael Silva e Elano Martins, ambos de 17 anos, amigos e jogadores do Dodgers, o primeiro time de Henrique. Rafael, que sugeriu o momento de homenagem na escola, descreveu Henrique como um irmão. 

“Ele sempre foi um cara que ajudou todo mundo aqui na escola e me incentivou a jogar basquete. Sempre me apoiou em tudo. Só tenho que agradecer a Deus por ter colocado ele na minha vida”, desabafou.

Elano considerava o amigo uma inspiração dentro e fora das quadras e compartilhou a frustração de uma promessa que não poderá ser cumprida: um duelo planejado para o campeonato municipal. 

“Ele era um exemplo de pessoa. Focado, disciplinado, inteligente. Ele sempre foi um cara obstinado, sempre quis ser campeão em tudo… morreu campeão”, lembra.

Vários jovens estão sentados em uma arquibancada coberta de cimento durante um evento escolar. A maioria veste uniformes brancos e calças jeans, olhando atentamente em uma mesma direção. No fundo, uma parede preta exibe frases motivacionais escritas à mão com giz branco.

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Estudantes, professores e funcionários se reuniram na quadra para momento de homenagens.

Foto:
Ismael Soares.

Para Bárbara Vieira, também estudante e jogadora do Dodgers, a palavra que define Henrique é coragem. “Comecei a jogar com ele quando não tinha muita gente pra competir. Ele ficava com raiva disso e saiu atrás de todo mundo… até que ele conseguiu um time”.

“O amor dele era jogar basquete. Toda vez que eu fecho os olhos, ainda vejo ele jogando basquete”, confessa a amiga. “Pra mim, amanhã eu vou acordar e ele ainda vai estar aqui”.

A tragédia e o adeus

A homenagem na escola integrou um luto maior que acometeu Juazeiro do Norte nos últimos dias. Mais de 5 mil pessoas passaram pelo Ginásio Poliesportivo da cidade para o velório coletivo dos sete atletas, marcado por pétalas de rosas e salvas de palmas.

O acidente ocorreu na madrugada da última segunda-feira (15), por volta das 3h24, na rodovia CE-187, em Tauá. O ônibus, que transportava uma delegação de 41 pessoas, retornava de Sobral após o time conquistar o título de um campeonato sub-19. 

Além de Henrique Ferreira Bezerra, as vítimas fatais foram: 

  • Marcos Miguel (22 anos)
  • João Paulo Sampaio de Alencar (18 anos)
  • Luiz José de Morais Neto (18 anos)
  • Cauã Rodrigues Fratta (16 anos)
  • Jonatas Samuel dos Santos Lopes (15 anos)
  • Matheus Henrique Ferreira (15 anos)

O motorista relatou ter tentado desviar de um animal na pista antes do tombamento, embora as autoridades também investiguem a possibilidade de cansaço ao volante.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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