A presidente da Câmara da Praia da Vitória considerou hoje que a deteção de metais pesados em esqueletos de pessoas residentes junto a zonas poluídas pela Base das Lajes gera “preocupações”, mas sublinhou a qualidade da água como prioridade.

Um estudo da Universidade de Coimbra detetou metais pesados em esqueletos de humanos que viviam junto às zonas poluídas pela base militar das Lajes.

Segundo a investigação, noticiada hoje pelo Expresso e que a Lusa já tinha revelado em março de 2025, foi detetado chumbo em esqueletos, “reforçando suspeitas de contaminação e ligação a surto de cancros” naquela zona, no concelho da Praia da Vitória, na ilha Terceira.

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Em declarações à agência Lusa, a presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, Vânia Ferreira, disse que “existem uma série de preocupações que se levantam em relação a estas matérias”.

A autarca explicou que aquele município da ilha Terceira colaborou desde o início com o investigador responsável pelo estudo, disponibilizando um espaço para o desenvolvimento do trabalho, que incidiu sobre esqueletos provenientes dos concelhos da Praia da Vitória e de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

“Somos parceiros para poder trabalhar um assunto que é deveras preocupante, porque uma coisa são suspeitas, algumas falácias que vão surgindo em relação a este assunto, outra coisa é poder haver uma investigação fidedigna que venha a comprovar algo”, disse a autarca.

Vânia Ferreira garantiu que o município tem atuado com “total responsabilidade”, acrescentando que a empresa municipal realiza “análises regulares às águas” e “os valores monitorizados não têm fugido aos parâmetros”.

A autarca disse ainda que o município tem “trabalhado afincadamente” para o fecho de “todos os furos” de captação identificados como suspeitos em zonas “mais suscetíveis de estarem contaminadas”.

“Temos feito um percurso e um trabalho para poder minimizar qualquer dano. Mas, efetivamente, esta investigação vem levantar algumas situações que podem vir a dar alguma preocupação diferenciada”, sustentou Vânia Ferreira (PSD), defendendo um “trabalho alinhado” para minimizar qualquer dano.

A autarca da Praia da Vitória destacou ainda o trabalho dos investigadores.

“Nós acreditamos no trabalho destes investigadores. Este é um trabalho que tem de ser acompanhado e, com toda a responsabilidade, o município tem de ser parceiro para que estas situações estejam sempre clarificadas e possamos apresentar à nossa comunidade os dados mais fidedignos possíveis”, afirmou.

A presidente da autarquia da Praia da Vitória sustentou que o acompanhamento desta matéria ultrapassa as competências do município, defendendo o envolvimento de outras entidades.

“O certo é que todas estas áreas que possam estar suscetíveis de contaminação podem ser trabalhadas de outra forma e há um trabalho que tem de ser feito de forma parceira, não só com o município. Estamos a falar de altas entidades, que também têm responsabilidades nesta matéria e tem de haver um esforço para podermos continuar a monitorizar esta situação”, disse à Lusa.

Vânia Ferreira reconheceu que existem preocupações quanto ao historial de casos de cancro no concelho.

“Há um historial que pode levar a um caminho de maior incidência de número casos de cancro no concelho e, obviamente, é uma preocupação. Temos noção. Somos confrontados com situações que vão aparecendo de forma mais recorrente e, cada vez mais, em pessoas mais novas e isto para nós é motivo de preocupação”, assinalou.

Vânia Ferreira reforçou que o município tem feito “um percurso e tem trabalhado para minimizar qualquer dano”.

Uma maior concentração de metais pesados foi detetada na população da Praia da Vitória, provavelmente devido à contaminação ambiental da Base das Lajes, segundo um estudo que analisou esqueletos humanos da Terceira. A análise foi feita comparando dados da Praia da Vitória e de Angra do Heroísmo.

“É, de facto, um estudo pioneiro. Ele testa pela primeira vez se existe ou não a hipótese de a população da Praia da Vitória ter sido exposta à contaminação e fá-lo através dos metais pesados”, afirmou em 2025 o investigador Félix Rodrigues, em declarações à agência Lusa.

O armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela Força Aérea norte-americana na base provocou no passado a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória.

Identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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