Tóquio – As exportações de saquê e diversos produtos alimentícios do Japão para a China estão enfrentando atrasos significativos no desembaraço aduaneiro. Segundo fontes do setor comercial, a lentidão é vista como uma retaliação de Pequim às recentes declarações da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre uma possível intervenção em Taiwan, caso ocorram medidas coercitivas contra a ilha.
A Embaixada do Japão em Pequim confirmou ter recebido diversas consultas de empresas afetadas e já solicitou formalmente às autoridades chinesas que garantam a transparência e a agilidade nos procedimentos comerciais. Os atrasos, que agora variam de várias semanas a um mês, foram detectados em portos estratégicos como Tianjin e Shenzhen. O saquê, considerado um símbolo cultural do Japão e um mercado de 11,6 bilhões de ienes em exportações para a China, parece ser um dos principais alvos das inspeções rigorosas.
Além do atraso em alimentos, a China intensificou a pressão econômica ao restringir a exportação de materiais de dupla utilização para o Japão, o que pode incluir terras raras. Outras medidas incluem o aconselhamento para que cidadãos chineses evitem visitar o território japonês e a manutenção da proibição de importação de frutos do mar, justificativa que remete às preocupações com a segurança alimentar desde o desastre nuclear de Fukushima.
Observadores apontam que as autoridades alfandegárias chinesas têm exigido rotas detalhadas de transporte para verificar se as mercadorias transitaram por prefeituras como Tóquio, Fukushima e Miyagi. Analistas sugerem que Pequim escolheu o setor de alimentos e bebidas para aplicar sanções por serem itens de baixo impacto na economia chinesa, configurando o que fontes do setor descrevem como assédio comercial seletivo.
Este cenário de tensão relembra episódios da década de 2010, quando a disputa pelas Ilhas Senkaku levou a inspeções alfandegárias rigorosas em componentes eletrônicos. No momento atual, enquanto os embarques para empresas chinesas seguem fluxos normais, projetos conjuntos entre empresas japonesas e estatais da China começam a apresentar sinais de interrupção, refletindo o desgaste nas relações bilaterais.
Fonte: Nikkei Asia / Imagem: iStockphoto
