O fim de ano em General Alvear, no sul de Mendoza, foi marcado por um forte surto de intoxicação alimentar que afetou dezenas de moradores, após o consumo de sanduíches de lombo preparados em uma casa de bairro que funcionava como ponto informal de venda de comidas rápidas; horas depois da refeição, muitas pessoas passaram a apresentar febre, vômitos e diarreia, e parte delas precisou de atendimento médico imediato.

O que se sabe sobre o surto de intoxicação em General Alvear

Diante da chegada simultânea de pacientes com o mesmo quadro, o hospital Enfermeros Argentinos ativou o protocolo para suspeita de contaminação por bactérias, entre elas a Salmonella. A maionese caseira servida com os sanduíches é o principal foco da investigação, mas a amostra ainda está em análise no laboratório de Bromatologia do Ministério da Saúde.

O objetivo dos exames é identificar com precisão o agente causador do surto e confirmar se a maionese foi, de fato, o veículo da contaminação. A partir desse resultado, as autoridades sanitárias poderão definir medidas legais e reforçar orientações de prevenção à população. Em casos semelhantes já registrados no Brasil e em outros países da América do Sul, a confirmação laboratorial auxilia também na criação de campanhas educativas específicas sobre o manuseio de ovos e molhos refrigerados.

Como a maionese caseira pode ter causado a intoxicação alimentar

O foco do episódio estaria em uma maionese caseira enviada em pequenos potes junto com os sanduíches de lombo vendidos na residência. Uma família relatou sintomas intensos poucas horas após o jantar, com necessidade de soro intravenoso e uso de antibióticos em ao menos um caso, agravado por doença autoimune pré-existente.

No hospital Enfermeros Argentinos, crianças, adolescentes e adultos chegaram quase ao mesmo tempo com quadro típico de gastroenterite aguda. Em comum, todos relataram o consumo dos mesmos sanduíches, adquiridos na mesma casa particular, acompanhados do mesmo tipo de maionese de preparo doméstico. Esse padrão de adoecimento em grupo, em curto intervalo de tempo, é um dos principais sinais de alerta utilizados por serviços de vigilância sanitária para suspeitar de surtos alimentares.

Por que a venda de comida sem habilitação aumenta tanto o risco

O caso expôs a proliferação de empreendimentos gastronômicos informais em residências, divulgados por redes sociais e aplicativos de mensagens. Fiscais constataram que o local onde os sanduíches de lombo eram preparados não tinha habilitação para funcionar, nem qualquer sinalização externa de atividade regular.

Segundo o setor de bromatologia da prefeitura, o responsável cometeu pelo menos duas infrações: vender alimentos sem autorização municipal e utilizar maionese caseira em embalagens individuais, algo proibido até para comércios formalmente habilitados. As principais falhas observadas nesses cenários incluem:

  • Venda de comida sem inspeção sanitária e sem registro formal;
  • Ausência de controle de temperatura e armazenamento adequado;
  • Uso de ingredientes crus de alto risco, como ovos sem pasteurização;
  • Falta de capacitação em boas práticas de manipulação de alimentos;
  • Dificuldade de rastrear a origem do problema em caso de surto.
O ingrediente simples que pode ter causado o surto alimentar – Créditos: depositphotos.com / tonodiaz

Como prevenir intoxicações alimentares com maionese caseira

O episódio reacende o debate sobre maionese caseira e outros molhos com ovos crus, muito comuns em sanduíches e comidas rápidas. Em casa, o consumo costuma ser pontual, mas, em escala comercial, sem supervisão, o risco dispara pela combinação de alta demanda, armazenamento incorreto e falta de controle de temperatura.

Especialistas em segurança de alimentos reforçam práticas simples que reduzem bastante as chances de contaminação e devem ser seguidas tanto por consumidores quanto por quem vende comida preparada:

  1. Usar ovos pasteurizados ou optar por maioneses industriais com controle de qualidade;
  2. Manter sempre refrigerado qualquer molho à base de ovo, evitando a quebra da cadeia de frio;
  3. Preparar pequenas quantidades de maionese caseira para consumo rápido;
  4. Descartar o produto se ficar muito tempo fora da geladeira, sobretudo em dias quentes;
  5. Lavar bem mãos e utensílios antes de manipular alimentos crus e prontos para consumo;
  6. Checar a procedência de comidas compradas em residências ou via redes sociais.

O que este surto ensina e o que você precisa fazer agora

Os resultados laboratoriais do surto de 2025 devem orientar novas ações de fiscalização e educação em saúde pública, especialmente em períodos de festas, quando cresce o consumo de sanduíches e comidas prontas. A identificação exata da bactéria envolvida ajudará a reforçar normas e responsabilizar estabelecimentos que descumprem regras básicas de segurança alimentar.

Enquanto isso, a atitude imediata precisa partir também de quem compra: desconfie de alimentos vendidos sem habilitação, questione a origem de molhos e maioneses e, diante de sintomas como febre, vômitos e diarreia após uma refeição, procure atendimento médico sem esperar. Sua decisão de hoje pode evitar complicações graves para você, sua família e toda a comunidade. Além disso, sempre que possível, priorize estabelecimentos que exibam alvará de funcionamento, certificado de boas práticas de manipulação e condições visíveis de higiene na área de preparo dos alimentos.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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