247 – O Brasil voltou a se posicionar de forma firme contra qualquer tipo de intervenção estrangeira na Venezuela durante uma reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA). A manifestação ocorreu após a ação militar dos Estados Unidos no país vizinho, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, fato que gerou forte repercussão diplomática na região e em fóruns multilaterais. Em seu discurso, o embaixador Benoni Belli reafirmou a defesa da soberania venezuelana e do direito internacional como pilares da política externa do Brasil. As informações são do G1

Brasil reforça posição contra a intervenção estrangeira

Em seu discurso,Belli classificou a ação militar como inadmissível e perigosa para a estabilidade global. Segundo o diplomata, “o bombardeio e o sequestro do presidente [Nicolás Maduro] são inaceitáveis, e representam uma ameaça à comunidade internacional”. Ele ressaltou que o respeito à soberania dos Estados é um princípio essencial para a convivência pacífica entre as nações.

O embaixador afirmou ainda que relativizar esses princípios compromete a dignidade dos países e fragiliza a ordem internacional. “Se perdermos isso, perderemos a dignidade nacional e nos tornaremos coadjuvantes do nosso próprio destino. As relações de cooperação passarão a ser de subordinação, e assistiremos ao colapso da ordem internacional, que tenderá a ser regida pela lei da selva”, declarou.

Discurso na OEA alerta para colapso da ordem internacional

Ao encerrar sua intervenção, Belli enfatizou que o Brasil seguirá defendendo a não intervenção e a paz na América do Sul, destacando o compromisso histórico do país com soluções diplomáticas e multilaterais para conflitos regionais e globais.

Durante a sessão, houve um momento de tensão quando a fala do embaixador dos Estados Unidos, Leandro Lizzuto, foi interrompida por uma mulher presente no local, que protestava contra os EUA e em apoio à Venezuela. A reunião precisou ser suspensa temporariamente para a retirada da manifestante, que não teve a identidade divulgada.

Condenação também é levada ao Conselho de Segurança da ONU

A posição brasileira já havia sido apresentada um dia antes, durante reunião do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o embaixador do Brasil junto à ONU, Sérgio Danese, fez uma declaração pública condenando a intervenção estadunidense.

Danese rejeitou justificativas baseadas em resultados pretendidos para legitimar o uso da força. Segundo ele, não é possível “aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, ressaltando que esse tipo de lógica “carece de legitimidade e abre a possibilidade de conceder aos mais fortes o direito de definir o que é justo ou injusto, correto ou incorreto, e até mesmo de ignorar as soberanias nacionais, impondo decisões aos mais fracos”.

O diplomata destacou ainda que “o mundo multipolar do século XXI, que promova a paz e a prosperidade, não se confunde com áreas de influência”, reforçando a defesa do multilateralismo e do respeito entre os Estados.

Governo vê precedente perigoso para a comunidade internacional

Em consonância com nota oficial divulgada pelo governo brasileiro e assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Sérgio Danese foi categórico ao afirmar que “o Brasil rejeita de maneira categórica e com a maior firmeza a intervenção armada em território venezuelano, em flagrante violação da Carta das Nações Unidas e do direito internacional”.

Para o embaixador, a ação militar e a captura de Nicolás Maduro “ultrapassam uma linha inaceitável” e “constituem uma gravíssima afronta à soberania da Venezuela e estabelecem um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”.

Danese concluiu ressaltando que a Carta da ONU proíbe o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, salvo em circunstâncias estritamente previstas, alertando que a aceitação de ações desse tipo pode levar a um “cenário marcado pela violência, pelo desordenamento e pela erosão do multilateralismo”.

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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