O acidente envolvendo dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, neste domingo (14), abriu uma nova onda de debates nas redes sociais sobre a segurança dos carros elétricos. Parte das discussões se concentrou no incêndio que atingiu veículos em uma concessionária da BYD após a queda de uma das aeronaves, com muitos usuários atribuindo automaticamente os estampidos ouvidos durante o fogo às baterias dos automóveis.

Mas, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), ainda é cedo para tirar esse tipo de conclusão. Em comunicado, Clemente Gauer, responsável pela área de Segurança da ABVE, afirmou que não existem, até o momento, elementos técnicos suficientes para uma avaliação conclusiva sobre a origem dos ruídos de explosão registrados durante o incêndio.

“À frente da pasta de Segurança da ABVE, manifesto nossa profunda solidariedade às famílias e aos amigos das vítimas deste terrível acidente. Nenhuma perda material se compara à perda de uma vida, e este deve ser sempre o primeiro ponto a ser reconhecido com respeito, empatia e responsabilidade”, afirmou Gauer.

Segundo ele, a complexidade da ocorrência impede análises apressadas.

“Neste momento, ainda não há elementos suficientes para uma avaliação técnica conclusiva sobre a extensão dos danos aos veículos envolvidos ou sobre a dinâmica completa do incêndio. Pelas imagens e pela cobertura inicial da imprensa, observa-se que componentes das aeronaves foram projetados contra edificações vizinhas, compondo um cenário de alta complexidade operacional.”

Esse ponto é importante porque, nas redes sociais, vídeos curtos frequentemente acabam moldando a percepção pública antes da conclusão das perícias. No caso do acidente no Rio, os estampidos registrados durante o incêndio rapidamente foram associados por parte do público a supostas explosões das baterias dos carros elétricos.

A ABVE, porém, pede cautela. De acordo com Gauer, os ruídos podem ter outras explicações técnicas compatíveis com o cenário observado.

“Durante o incêndio, também foram percebidos estampidos compatíveis com a atuação de Sistemas Suplementares de Retenção dos veículos, como airbags e pré-tensionadores dos cintos de segurança. Esses dispositivos podem produzir ruídos característicos quando submetidos a altas temperaturas ou quando acionados em situações extremas, e não devem ser confundidos, sem análise técnica, com outros tipos de explosão, como por exemplo das baterias.”

Na prática, isso significa que nem todo estampido em um incêndio envolvendo carros elétricos indica, automaticamente, uma falha ou combustão das baterias. Airbags utilizam geradores de gás e pré-tensionadores empregam pequenos mecanismos pirotécnicos para atuar em situações de impacto. Sob calor extremo, esses sistemas também podem gerar ruídos intensos.

Outro fator que precisa ser considerado é o próprio contexto do acidente. A ocorrência envolveu aeronaves, destroços metálicos, estruturas urbanas e combustível de aviação, um material de alta inflamabilidade que altera significativamente a dinâmica de propagação do fogo.

A entidade também destacou a atuação do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro.

“A ABVE enaltece a atuação do Corpo de Bombeiros, que respondeu de forma rápida, técnica e eficaz a uma ocorrência complexa, envolvendo veículos elétricos, estruturas, componentes aeronáuticos e combustível de alta inflamabilidade.”


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A BYD também se manifestou oficialmente sobre o acidente. Em nota, a montadora lamentou o ocorrido, prestou solidariedade aos familiares das vítimas e informou que acompanha a situação por meio da concessionária atingida, permanecendo à disposição das autoridades.

Casos de incêndio envolvendo carros elétricos costumam receber atenção imediata nas redes, em parte pelo forte impacto visual e também pelo desconhecimento de parte do público sobre o funcionamento das baterias de alta tensão. Especialistas, no entanto, costumam reforçar a mesma recomendação em situações como esta: sem perícia técnica, conclusões categóricas tendem a gerar mais desinformação do que esclarecimento.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART

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