247 – As cinco pessoas que morreram no acidente envolvendo um Boeing 767 de carga no Aeroporto Internacional de Miami estavam dentro de veículos atingidos pela aeronave depois que ela ultrapassou o fim da pista. O avião atravessou uma área gramada, rompeu cercas de proteção e alcançou uma via próxima ao terminal antes de parar em chamas.
Segundo a CNN Brasil, a presidente do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos (NTSB), Jennifer Homendy, confirmou que todas as vítimas fatais estavam nos veículos. Outras cinco pessoas ficaram feridas, enquanto ninguém que estava a bordo do avião morreu.
O acidente ocorreu no domingo (6), durante o pouso do Boeing 767-300. Dados de rastreamento citados pela reportagem indicam que a aeronave ainda avançava a cerca de 130 milhas por hora, aproximadamente 209 km/h, quando chegou ao final da pista.
O avião atravessou um trecho de grama em alta velocidade, rompeu uma cerca com arame farpado e destruiu barreiras de concreto antes de atingir uma via de quatro faixas.
Dois veículos foram atingidos: uma van Ford, que transportava sete pessoas, e um SUV da Toyota. A van levava trabalhadores de uma empresa terceirizada responsável por serviços de limpeza para companhias aéreas.
Cinco pessoas morreram e outras cinco ficaram feridas, sendo três delas encaminhadas a um centro de trauma em estado crítico. O estado de saúde dos dois pilotos resgatados da cabine não havia sido detalhado.
“O avião está pegando fogo!”, gritou um socorrista logo em seguida em um canal de rádio de emergência. “Preparem-se para o que vem pela frente.”
Depois de atingir os veículos, a aeronave percorreu cerca de 1.300 pés além da área pavimentada antes de parar perto de um estacionamento. O impacto deixou destroços espalhados pela região, incluindo partes do avião, dos automóveis, airbags e trechos das cercas destruídas.
Jennifer Homendy classificou o cenário como “devastação total” e afirmou que a prioridade das autoridades era recuperar as vítimas e preservar evidências que possam ajudar a esclarecer a dinâmica do acidente.
A caixa-preta da aeronave foi recuperada pelas equipes de investigação. O equipamento poderá fornecer gravações da cabine e outros dados relevantes sobre os momentos que antecederam o pouso, caso as informações tenham sido preservadas.
“A recuperação das vítimas é o mais importante”, disse Homendy.
Uma equipe de 32 investigadores do NTSB deverá permanecer no local por pelo menos uma semana. A agência ressaltou, no entanto, que não pretende determinar ainda no aeroporto uma causa definitiva para a ocorrência.
“Saibam que estamos profundamente, profundamente comprometidos com nosso dever, nossas responsabilidades como agência investigativa para determinar como esse acidente ocorreu, por que aconteceu, com um único objetivo em mente: a segurança”, disse Homendy na segunda-feira. “E isso é para evitar que aconteça novamente.”
Aproximação e pouso serão investigados
A aeronave tentou pousar por volta das 14h, pelo horário local, em uma pista com mais de 9 mil pés de extensão. Informações do Flightradar24 indicaram que o avião ficou acima da trajetória habitual de aproximação antes de perder altitude para retornar ao alinhamento esperado.
O Boeing também havia atravessado uma área de tempestades durante a aproximação ao aeroporto. Outro ponto a ser analisado é uma mudança repentina na direção dos ventos.
David Soucie, analista de segurança da CNN e ex-inspetor da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), afirmou que o avião pode ter enfrentado vento de cauda durante o pouso, condição que dificulta a desaceleração.
“Você está ganhando velocidade em vez de perdê-la naquele momento”, disse Soucie.
Não houve, segundo o áudio das comunicações com o controle de tráfego aéreo, relato prévio dos pilotos sobre problemas técnicos.
Imagens analisadas após o acidente mostraram que o avião teria tocado a pista quase paralelo ao solo, em vez de realizar a manobra convencional em que o nariz é elevado pouco antes do contato do trem de pouso traseiro.
Francisco Diaz, capitão de Boeing 747 e presidente do Captains Council, afirmou que as imagens levantam dúvidas sobre a estabilização da aproximação.
“Pelos vídeos que vimos, parece uma aproximação instável”, disse Diaz.
Mais de 60 unidades de resgate e aproximadamente 200 bombeiros foram mobilizados. As equipes precisaram retirar pessoas que ficaram presas nos veículos atingidos.
Avião operava voos para a Amazon Air
O Boeing 767 envolvido no acidente tinha 32 anos e voava de San Juan, em Porto Rico, para Miami. A aeronave era operada pela 21 Air, transportadora de cargas sediada na Carolina do Norte e que mantém operações em Miami.
A companhia é uma das fornecedoras de voos da Amazon Air, rede logística que realiza centenas de operações diárias de transporte de encomendas.
“Estamos arrasados ao saber que cinco pessoas perderam suas vidas no incidente de hoje no Aeroporto Internacional de Miami”, disse a porta-voz da Amazon Kelly Nantel à CNN. “Nossas mais profundas condolências vão para as famílias, entes queridos e todos os afetados por essa perda devastadora.”
Os investigadores devem analisar o desempenho da aeronave, a experiência e o treinamento da tripulação, as condições meteorológicas, a atuação do controle de tráfego aéreo e a supervisão regulatória da FAA.
Também será examinada a relação operacional entre a 21 Air e a Amazon. Pelas regras da aviação norte-americana, a responsabilidade operacional sobre a aeronave cabe à empresa que executa o voo.
Segurança do aeroporto entra em debate
O acidente também reacendeu o debate sobre a infraestrutura de segurança do Aeroporto Internacional de Miami. Especialistas citados pela CNN afirmaram que a instalação não dispõe de um sistema conhecido como EMAS, desenvolvido para desacelerar aeronaves que ultrapassam o final de uma pista.
O mecanismo utiliza blocos construídos com material que cede sob o peso do avião, reduzindo sua velocidade e podendo impedir que a aeronave avance para fora dos limites do aeroporto.
“Quando o avião sai pelo final da pista, as rodas afundam nele. O avião é detido”, explicou Mary Schiavo, analista de transportes da CNN e ex-inspetora-geral do Departamento de Transportes dos Estados Unidos.
“Um aeroporto tão cercado por população como este precisa de um sistema de leito de arresto no final dessas pistas para evitar que isso aconteça novamente”, acrescentou.
O Aeroporto Internacional de Miami precisou operar com apenas duas de suas quatro pistas após o acidente. O NTSB segue reunindo evidências para determinar por que o Boeing não conseguiu parar dentro da área destinada ao pouso.
❗ Se você tem algum posicionamento a acrescentar nesta matéria ou alguma correção a fazer, entre em contato com [email protected].
✅ Receba as notícias do Brasil 247 e da TV 247 no Telegram do 247 e no canal do 247 no WhatsApp.
Marque o Brasil 247 como fonte preferida no Google:
Apoie o jornalismo independente do 247:
