A sustentabilidade está a ganhar peso nas decisões empresariais do setor da moda de Hong Kong e começa também a traduzir-se em valor comercial. Em 2026, 46% dos profissionais do setor afirmam comprar ou comercializar produtos e serviços relacionados com critérios ambientais, sociais e de governance (ESG), mais 13 pontos percentuais do que em 2025.
Os dados constam do HKTDC ESG Index, divulgado pelo Hong Kong Trade Development Council (HKTDC) esta semana, que mostra também uma subida da importância atribuída ao ESG pela indústria. Atualmente, 92% dos profissionais consideram estes critérios essenciais para o setor, contra 85% no ano anterior. A percentagem dos que os classificam como muito importantes passou de 15% para 23%.
O impacto desta evolução é particularmente visível do lado da procura. Entre os vendedores que disponibilizam produtos ou serviços relacionados com ESG, 61% registaram margens de lucro adicionais de pelo menos 10%. Do lado dos compradores, 47% dos que procuram este tipo de produtos afirmam estar dispostos a pagar 10% ou mais.
“Os resultados mais recentes mostram que a sustentabilidade está a tornar-se um fator comercial cada vez mais importante para o setor da moda”, afirma Alice Tsang, economista principal da equipa de Investigação Global do HKTDC. Segundo a responsável, além de um número crescente de empresas integrar o ESG nas suas estratégias de negócio, muitas estão já a identificar benefícios financeiros concretos.
Índice ESG sobe em todas as dimensões
A evolução da adoção de práticas ESG também se reflete no índice global do setor da moda de Hong Kong, que subiu 2,3 pontos percentuais em 2026, para 65,5.
As três dimensões analisadas registaram melhorias: o subíndice Ambiental aumentou para 64,3, o Social atingiu 67,0 e o de Governance subiu para 66,1.
Para um setor têxtil e vestuário cada vez mais pressionado para demonstrar a origem e o impacto dos seus produtos, as ferramentas digitais assumem igualmente um papel relevante. As plataformas de cadeias de abastecimento sustentáveis são apontadas por 54% dos inquiridos como a solução digital mais valiosa para apoiar o cumprimento dos requisitos ESG.
Seguem-se as ferramentas de análise baseada em inteligência artificial e as ferramentas de colaboração com fornecedores, ambas referidas por 31% dos participantes.
Quando questionados especificamente sobre o cumprimento dos requisitos de reporte ESG nas cadeias de abastecimento, os profissionais identificaram as ferramentas de transparência e rastreabilidade como a principal solução, com 44% das respostas.
A certificação ESG surge em segundo lugar, com 40%, enquanto as auditorias ESG e as soluções de análise de risco foram apontadas por 28% dos inquiridos.
Os resultados relativos à China continental reforçam esta tendência. Entre estes participantes, 45% classificam o ESG como muito importante na tomada de decisões empresariais, uma subida de 27 pontos percentuais face a 2025.
Para as empresas portuguesas do setor, a evolução observada em Hong Kong reforça uma tendência com impacto direto na competitividade internacional: a sustentabilidade está a ganhar peso nas decisões de compra e pode justificar um premium de preço. A capacidade de demonstrar práticas ESG, garantir rastreabilidade e disponibilizar dados credíveis sobre a cadeia de valor torna-se, assim, cada vez mais relevante na relação com marcas e compradores internacionais.
