Vista da cidade de Lhasa, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, em 15 de junho de 2023. — Foto: Crédito: Xinhua.
Uma das regiões mais conhecidas e estratégicas da Ásia voltou ao centro das atenções nesta quarta-feira (26), após um desastre provocado por enchentes repentinas e deslizamentos de terra atingir a área de fronteira entre o Nepal e o Tibete, território administrado pela China.
No lado nepalês, o desastre deixou pelo menos 95 mortos, segundo as informações mais recentes, além de centenas de desaparecidos. No lado chinês, autoridades registraram mortes e pessoas desaparecidas após um deslizamento atingir a região do porto de Gyirong, uma importante passagem terrestre entre os dois países.
O episódio chama atenção não apenas pela dimensão da tragédia, mas também pela localização: o Tibete ocupa uma enorme área do planalto do Himalaia, região considerada estratégica para a China e que há décadas é marcada por disputas políticas e questões relacionadas à autonomia tibetana.
Onde fica o Tibete?
O Tibete está localizado no sudoeste da China, em uma das áreas mais elevadas do planeta. A região fica ao norte do Nepal, próxima à cordilheira do Himalaia, e faz fronteira também com Índia, Butão e Mianmar.
O território é conhecido como “Teto do Mundo” por causa de suas altitudes extremas. A região abriga parte do Planalto Tibetano, uma das principais formações geográficas da Ásia.
Além da importância geográfica, o Tibete possui enorme relevância cultural e religiosa. A população tibetana tem forte ligação com o budismo tibetano, cuja principal figura espiritual é o Dalai Lama.
O Tibete pertence a qual país?
Atualmente, o Tibete faz parte oficialmente da República Popular da China.
A área central do território histórico tibetano corresponde, em grande parte, à Região Autônoma do Tibete, uma divisão administrativa chinesa com status equivalente ao de uma província.
A questão, porém, é historicamente controversa.
A China afirma que o Tibete faz parte de seu território há séculos. Movimentos tibetanos e o governo tibetano no exílio, por outro lado, defendem que a região teve períodos de independência ou autonomia de fato e contestam o domínio chinês.
Essa disputa permanece como uma das questões políticas mais sensíveis da Ásia.
O que aconteceu no desastre desta quarta-feira?
O desastre ocorreu na região montanhosa próxima à fronteira entre o Nepal e o Tibete.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, uma avalanche de gelo e rochas associada a um terremoto atingiu o rio Lhende Khola, provocando uma enorme onda de água e lama. A força da inundação destruiu estradas, pontes, casas e estruturas de geração de energia.
No Nepal, a inundação atingiu principalmente áreas do distrito de Rasuwa, onde comunidades, infraestrutura e áreas turísticas foram afetadas.
O desastre também atingiu o lado chinês da fronteira, onde um deslizamento alcançou o porto de Gyirong.
As operações de resgate enfrentam dificuldades devido à destruição de estradas, pontes e sistemas de comunicação.
Por que essa região é tão importante?
A localização do Tibete faz com que a região tenha enorme importância estratégica.
O Planalto Tibetano concentra as nascentes ou áreas de origem de alguns dos principais rios da Ásia, fundamentais para bilhões de pessoas em países como China, Índia, Nepal, Bangladesh e Paquistão.
A região também é estratégica do ponto de vista militar e geopolítico por estar próxima de algumas das áreas mais disputadas da Ásia, especialmente na fronteira entre China e Índia.
Além disso, o Tibete possui grande importância para o turismo, principalmente por causa das paisagens do Himalaia, dos mosteiros budistas e das rotas que levam a áreas próximas ao Monte Everest.
Qual é a relação do Tibete com o Dalai Lama?
O Dalai Lama é a principal referência espiritual do budismo tibetano e, durante séculos, também esteve associado à liderança política do Tibete.
No século XX, a relação entre tibetanos e o governo chinês se tornou cada vez mais tensa. Depois da entrada das forças chinesas no Tibete em 1950, foi firmado, em 1951, um acordo que estabeleceu a soberania chinesa sobre a região.
Em 1959, uma revolta em Lhasa terminou com o exílio do 14º Dalai Lama, que se estabeleceu na Índia. Desde então, ele permanece fora do Tibete e a questão da autonomia tibetana continua sendo motivo de disputa.
A China considera o Tibete parte integrante de seu território e rejeita movimentos pela independência. Já representantes tibetanos no exílio defendem maior autonomia e preservação da identidade cultural e religiosa.
O que o desastre revela sobre a região?
Além da dimensão humanitária, a tragédia evidencia a vulnerabilidade de comunidades instaladas em uma das regiões mais montanhosas do mundo.
O Himalaia está sujeito a terremotos, deslizamentos, avalanches, enchentes e outros fenômenos naturais. Especialistas também vêm alertando para os impactos do aquecimento global sobre geleiras e lagos glaciais da região.
No desastre desta quarta-feira, a destruição de estradas e pontes dificultou o acesso das equipes de emergência, enquanto autoridades mantiveram alertas para novos riscos de inundação.
Até o momento, as operações de busca e resgate continuam tanto no Nepal quanto no lado chinês da fronteira.
Entenda em resumo
- Tibete: território localizado no sudoeste da China;
- Capital: Lhasa;
- Status atual: Região Autônoma da República Popular da China;
- Localização: ao norte do Nepal e junto ao Himalaia;
- Religião predominante: budismo tibetano;
- Principal líder espiritual: Dalai Lama;
- Importância: estratégica, religiosa, cultural, ambiental e geopolítica;
- Desastre desta quarta-feira: enchentes e deslizamentos atingiram a fronteira entre Nepal e Tibete, deixando dezenas de mortos e centenas de desaparecidos.
Repercussão
A tragédia mobiliza equipes de resgate dos dois lados da fronteira e chama a atenção internacional para a vulnerabilidade da região do Himalaia. A presença de centenas de turistas entre os desaparecidos também ampliou a repercussão do desastre em diversos países.
No momento, o número de vítimas ainda pode aumentar, já que as equipes continuam procurando desaparecidos em áreas de difícil acesso.
