Passaram-se 38 anos do incêndio do Chiado, o maior desastre urbano de Lisboa desde o terramoto de 1755. Duas pessoas morreram, 18 edifícios ficaram destruídos e muitos trabalhadores acabaram por perder o emprego. A TSF esteve na cerimónia evocativa do incêndio na Rua do Carmo esta terça-feira, onde viajou no tempo através das imagens de Fernando Correia dos Santos, que na altura viveu “um grande susto” e teve de “pôr as barbas de molho”.
Fernando Correia dos Santos, ex-fotojornalista com 92 anos, apresentou-se esta terça-feira na Rua do Carmo, em Lisboa, para a celebração evocativa do incêndio de 1988. De bengala na mão, começou por tirar de um saco um conjunto de fotografias que tirou quando tudo aconteceu.
“Esta é de um bombeiro que tentou salvar um morador aqui da Rua do Carmo e que acabou por não chegar a tempo e deu-lhe uma crise de choro. Esta outra é a primeira fotografia que eu fiz dos Armazéns Grandella: são três bombeiros e uma agulheta para todo este fogo.”
Fernando Correia dos Santos tinha 54 anos quando começou por ouvir um “zum-zum”, já perto das 05h00, de que um grande incêndio estava a acontecer e decidiu olhar para a janela: “Vi uma faúlhas que vinham no sentido da Rua do Carmo. Vesti-me rapidamente e fiquei embaraçado, parecia uma barata tonta sem saber se havia de falar para o chefe da redação, para chamar outros jornalistas, porque presumi que era um fogo grande. Peguei nas minhas coisas e saí.”
“Foi um grande susto. Tive de pôr as barbas de molho”, confessou.
Fernando, que na altura trabalhava no Diário Popular, em Lisboa, apressou-se em fazer alguns retratos do incêndio para a redação do jornal. Como pensava que “a edição ia sair mais cedo do que o costume”, fechou-se numa “câmara escura” para revelar as fotografias que tinha tirado e foi através de “um radiozinho” que percebeu que o fogo estava a avançar. “Já vem a caminho e eu a pensar que a minha casa passa naquela trajetória”, recordou.

- Créditos: Leonardo Alexandre/TSF
O desastre urbano do Chiado, na madrugada do dia 25 de agosto de 1988, não se esquece. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, fez questão de reforçar isso mesmo durante a cerimónia desta terça-feira, na Rua do Carmo.
“O incêndio do Chiado destruiu 18 edifícios, deixou muitos lisboetas sem casa e tirou a vida a Joaquim Diogo Catana Ramos, que tinha apenas 31 anos e a vida pela frente. Escolheu enfrentar o perigo para salvar o coração de Lisboa e pagou o preço mais alto”, afirmou Carlos Moedas, na data em que também se assinala o Dia Municipal do Bombeiro.
“O risco que lhe tirou a vida continua presente ao longo das últimas décadas”, alertou.
“A homenagem aos bombeiros tem de ser diária, ao vosso trabalho, o vosso trabalho que é visto, que é valorizado, que é profundamente respeitado. Os bombeiros profissionais e voluntários representam o melhor da nossa sociedade. São a coragem sem arrogância. São a autoridade ao serviço dos outros. São a solidariedade transformada em ação.”
O som do trompete ecoou na rua do Carmo e uma coroa de flores foi colocada no chão em homenagem aos que morreram no incêndio do Chiado há 38 anos.
