Arqueólogos e comunidades indígenas no Texas alertam para o perigo iminente que as obras de expansão do muro na fronteira dos Estados Unidos com o México representam para murais de arte rupestre milenares. 

A construção, impulsionada pelo governo de Donald Trump, prevê a instalação de barreiras veiculares e estradas de patrulha em áreas remotas do oeste texano. 

Conforme o veículo The Guardian, as vibrações de explosões e o uso de maquinário pesado ameaçam fragmentar pinturas de quatro mil anos de idade, comparadas em cronologia às pirâmides do Egito.

+++ Arte rupestre de 4 mil anos na fronteira entre México e EUA retrata visões indígenas sobre o universo

Livros da pré-história

A arqueóloga da Universidade Estadual do Texas, Carolyn Boyd, dedica-se há 35 anos ao estudo desses sítios, que descreve como uma “biblioteca de histórias humanas primitivas”

Localizados em cânions onde o rio Pecos encontra o Rio Grande, os murais foram pintados por caçadores-coletores que utilizavam medula de ossos de cervos como aglutinante para pigmentos de cores preta, vermelha, amarela e branca. 

Para Carolyn: “Estas são obras-primas de classe mundial. Estes são locais sagrados. Eles são os livros mais antigos conhecidos na América do Norte. Precisamos protegê-los”.

Riscos da construção

O projeto de expansão do muro utiliza recursos de um orçamento de 46,5 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 239,21 bilhões) e atravessa locais como o Parque Estadual Seminole Canyon. 

Mesmo que a estrutura física do muro não toque diretamente as pinturas, as vibrações das obras podem acelerar o processo de descamação do calcário poroso. 

Em depoimento ao The Guardian, Carolyn expressou sua preocupação com a destruição de mensagens ancestrais. Segundo a especialista: “As vibrações das explosões e do equipamento pesado serão devastadoras para o local. Não há dúvida”.

Conexão com ancestrais

Para os povos indígenas da região, o impacto vai além da perda material. A barreira pode isolar pelo menos 80 murais conhecidos no lado sul da cerca, dificultando o acesso de pesquisadores e peregrinos. 

Maria Rocha, que se identifica como indígena e visita os locais por razões espirituais, enfatizou a importância cultural das obras. 

Muitas dessas mensagens serão destruídas ou danificadas ao ponto de não podermos decifrá-las, trabalhar com elas ou recorrer a elas em busca de ajuda ou inspiração. Mas mais profundo do que isso, temos uma conexão com aquelas pinturas para as nossas histórias de criação”, declarou Maria.

Conflitos em terras

Proprietários de terras locais, como Patrick Zuberbueler, resistem à cessão de áreas para a construção, que envolve o uso de dinamite para nivelar o terreno rochoso. 

Patrick relatou a postura agressiva das empresas contratadas ao veículo: “É quase como se estivessem dizendo: ‘Nós nem nos importamos com o que você pensa’”

Embora o Departamento de Segurança Interna tenha dispensado leis federais de revisão ambiental para acelerar as obras, a Alfândega e Proteção de Fronteiras afirmou que a agência realiza revisões culturais para “equilibrar” as necessidades operacionais com a gestão responsável da terra.


*Sob supervisão de Éric Moreira

Meu propósito é dar voz a narrativas.

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By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART