14 ago
2026
– 11h55

(atualizado às 12h57)

Equipes de resgate corriam contra o ‌tempo na Colômbia nesta sexta-feira para resgatar um homem encontrado com vida sob as ruínas de um hotel, um raro sinal de esperança quase quatro dias depois que um dos mais fortes terremotos a atingir o país andino nas últimas décadas reduziu bairros a escombros e deixou centenas ⁠de mortos ou desaparecidos.

A operação na cidade de Pereira, na região cafeeira, ‌tornou-se o foco principal de uma resposta ao desastre que vem mudando cada vez mais da busca por sobreviventes para o trabalho sombrio ‌de remoção de escombros e localização dos desaparecidos.

“Possivelmente ‌ainda há pessoas vivas, acreditamos nisso”, disse o socorrista John ⁠Bedoya à TV Caracol diretamente do local, onde equipes de emergência trabalhavam em meio a uma pilha de concreto, tijolos e metal retorcido. “Uma ou duas pessoas podem estar vivas.”

O terremoto de magnitude 7,4 ocorreu pouco depois das 7h30 da manhã de segunda-feira, com epicentro em San José del ‌Palmar, no departamento do Chocó. Ele derrubou prédios de apartamentos e danificou ‌casas, escolas e hospitais em ⁠todo o oeste ⁠da Colômbia, desde o porto de Buenaventura, no Pacífico, até as cidades do ⁠interior, como Cali e Pereira.

As autoridades ‌informaram na manhã desta sexta-feira ‌que 285 pessoas morreram e quase 4.000 ficaram feridas. Quase 400 outras ainda estavam desaparecidas.

O governo informou que dezenas de milhares de casas foram danificadas e muitas destruídas, ressaltando a magnitude de um ⁠desastre que deixou muitos colombianos dormindo em abrigos ou ao ar livre, perto de prédios inseguros.

A agência da ONU para refugiados alertou na sexta-feira que o terremoto poderia provocar novos deslocamentos em um país que já enfrenta conflitos, migração e outras ‌pressões humanitárias.

“Para as pessoas deslocadas internamente e os refugiados que já estão tentando reconstruir suas vidas, esse terremoto corre o risco de se ⁠tornar mais um deslocamento somado aos anteriores”, disse a porta-voz do Acnur Eujin Byun a repórteres em Genebra.

As autoridades registraram dezenas de réplicas desde segunda-feira, aumentando o perigo para as equipes de resgate que vasculham os escombros instáveis e para as famílias relutantes em retornar às casas danificadas.

O desastre está se configurando como o primeiro grande teste para o presidente Abelardo De La Espriella, que assumiu o cargo poucos dias antes do terremoto e tem enfrentado críticas por sua gestão inicial da crise. Ele deve fazer visitas rápidas a cinco municípios afetados nesta sexta-feira, incluindo Pereira, Cali e Quibdó.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART