Limiano integrou a Comissão de Festas da Senhora d’Agonia entre 1986 e 2010. Pelo caminho, apresentou festivais folclóricos, ajudou no cortejo e chegou a andar com acetona no bolso para garantir que as mordomas cumpriam as regras do traje.
A história recente da Romaria da Senhora d’Agonia tem também a marca de Abílio Sá Lima. O limiano integrou a Comissão de Festas em 1986, como representante da Região de Turismo do Alto Minho (RTAM), e manteve-se ligado à organização durante 24 anos, até 2010.
Na altura, Francisco Sampaio integrava a Comissão de Honra. Sá Lima assumiu diversas funções na organização da Romaria, desde a apresentação de festivais folclóricos à colaboração no cortejo etnográfico, mas foi sobretudo na mordomia que acabou por ganhar uma posição particular.
“Naquela altura, participavam entre 300 e 500 mulheres. Creio que nem havia inscrições, as raparigas apareciam espontaneamente. A maior parte vinha das aldeias e pertencia a grupos folclóricos”, recorda.
Por ser o único elemento da comissão que não era natural de Viana do Castelo, acabou por assumir o papel de “testa de ferro”. Cabia-lhe, entre outras tarefas, impedir a entrada de crianças no cortejo das mordomas, uma regra que algumas famílias tentavam contornar.
“Havia senhoras de Viana que queriam levar as criancinhas ao cortejo e o testa de ferro era eu”, conta, recordando o papel de “mau da fita” que desempenhava, em conjunto com o professor Alberto Rego, na triagem feita à saída do cortejo.
O trabalho incluía ainda garantir que as participantes respeitavam as regras do traje tradicional.
“Eu tinha um frasco de acetona no bolso e uma tesoura para cortar pulseiras. As que se recusavam a cortar eram convidadas a abandonar o local”, recorda, entre risos.
A relação com a festa passava também pelos tradicionais peditórios de rua. Em conjunto com José Rocha e Ferros, da Casa Ferros, Sá Lima percorria o comércio local para recolher contributos para a Romaria.
“Eu levava um saquinho e os cartazes; o Rocha levava os recibos e os programas”, lembra.
Foi também nesse período que ficou associado à chegada da Pirotecnia Minhota, de Ponte de Lima, às festas de Viana do Castelo, depois de problemas registados com uma empresa de fogo de artifício de fora da região.
Ao olhar para os anos que passou na organização, Abílio Sá Lima destaca a evolução da Romaria e o crescimento da afluência. Hoje, diz, a dimensão da festa é incomparável com a que conheceu nos anos 80 e 90. “São as maiores festas do país, não tenho dúvidas nenhumas disso”, afirma.
