Gráfico das curvas de risco (radiação térmica BLEVE e sobrepressão VCE) para solvente inflamável de 8.000 kg

Como seriam os efeitos físicos de um cenário de acidente típico (o “case CSB médio” — explosão por desvio de nível) em uma indústria química real? Este estudo aplica, em caráter ilustrativo, o modelo do Kernel H3X a uma empresa real do polo petroquímico de Paulínia-SP: a RAMM QUIMICA, indústria de derivados de petróleo. O objetivo não é apontar risco específico da empresa, mas demonstrar, sobre o mapa real, quais seriam os raios de BLEVE, VCE, dispersão tóxica e incêndio caso ocorresse o cenário médio dos acidentes investigados pelo CSB.

Navegue pelo estudo

1. A empresa e o case médio CSB · 2. O cenário modelado · 3. Mapa interativo das curvas · 4. Radiação térmica (BLEVE) · 5. Sobrepressão (VCE) · 6. Dispersão tóxica · 7. Perda estimada em R$ · 8. FAQ

1. A empresa e o case médio CSB

Do cruzamento entre as estatísticas dos 158 relatórios CSB (do Kernel H3X) e o perfil das indústrias de processo brasileiras, a RAMM QUIMICA COMERCIO E INDUSTRIA LTDA (Paulínia/SP, CNAE 1922-5/99 — derivados de petróleo) aparece com alta correlação (92/100) com o case padrão médio.

O case médio CSB (perfil estatístico):

AtributoValor médio (158 casos)
Tipo de acidente dominanteExplosão (47%)
Seguida porOutro (34%), vazamento (11%), incêndio (4%)
Setores mais afetadosGás (16%), Energia (16%), Químico (13%), Petróleo (12%)
Parâmetro de processo desviadoNível (33%), Pressão (27%), Temperatura (15%)
Severidade resultanteV-Intolerável (50%), III-Moderado (34%)
Porte predominantePequeno (38%), Médio (33%), Grande (29%)
Perda média (VOP)R$ 802 milhões

Ou seja: o cenário mais típico é uma explosão causada por desvio de nível ou pressão em uma indústria de processo. A RAMM QUIMICA, por operar com derivados de petróleo inflamáveis em um polo petroquímico, se enquadra no perfil de correlação.

2. O cenário modelado (ilustrativo)

Aplicamos o cenário médio: desvio de nível → transbordo de 8.000 kg de solvente inflamável (nafta/GLP, típico de derivados de petróleo). A massa liberada forma uma nuvem inflamável, que pode resultar em:

  • BLEVE (se houver fonte de ignição e o tanque sofrer retroignição) — fireball + radiação térmica
  • VCE (explosão de nuvem de vapor) — sobrepressão
  • Dispersão tóxica de vapor de solvente (benzeno/H₂S presente na nafta)
  • Incêndio de poça (pool fire) do líquido derramado
Gráfico das curvas de risco (radiação térmica BLEVE e sobrepressão VCE) para 8.000 kg de solvente inflamável
Figura 1 — Curvas de radiação térmica (BLEVE) e sobrepressão (VCE) em função da distância. Os limiares marcam os raios de dano.

3. Mapa interativo das curvas (o resultado)

Clique em cada zona colorida para ver o raio, a radiação, a sobrepressão ou a concentração. As curvas estão georreferenciadas na área industrial de Paulínia:

Mapa GeoLibre · cenário ilustrativo de 8.000 kg de solvente inflamável · visualização MapLibre GL/OpenStreetMap · Kernel H3X.

4. Radiação térmica — BLEVE (vermelho/laranja)

Para 8.000 kg, o fireball teria ~60 m de raio. Mas a radiação térmica se estende muito além:

ZonaRaioEfeito
Fireball (vermelho)60 mExposição direta letal
Radiação fatal (35 kW/m²)~360 mFatal em segundos
Dor imediata (12.5 kW/m²)~400 mDor intensa, queimaduras

No mapa, o raio térmico do BLEVE (~360-400 m) é o maior círculo — define a zona crítica de desocupação.

5. Sobrepressão — VCE (roxo)

A explosão de nuvem de vapor produz onda de pressão (critério TNO Multi-Energy):

ZonaSobrepressãoRaioEfeito
Dano grave (roxo escuro)0.5 bar45 mDestruição estrutural
Dano moderado (roxo)0.3 bar78 mDanos severos
Dano leve (lilás)0.1 bar149 mJanelas quebradas

6. Dispersão tóxica de vapor (laranja/amarelo)

O vapor de solvente (com benzeno/H₂S) forma uma pluma a favor do vento (2 m/s):

ZonaConcentraçãoExtensãoEfeito
VZR (vermelho)300 ppm~100 mRisco à vida imediato
IDLH (laranja)100 ppm~170 mPerigoso à vida/saúde
Teto (amarelo)20 ppm~400 mLimite de exposição aguda

Diferente dos círculos, a pluma tem direção (vento) — o plano de emergência precisa de rotas contra o vento.

7. Perda estimada em R$ (VOP)

Aplicando o VOP médio do kernel ao porte da empresa:

ComponenteEstimativa
Dano à unidade produtivaR$ 25-40 M
Parada de produção (downtime)R$ 8-15 M
Responsabilidade civil / terceirosR$ 5-12 M
Emissão e dano ambientalR$ 3-8 M
Perda potencial totalR$ 41-75 M

A âncora: um programa de segurança de processo (PSM) que previna até uma fração desse cenário se paga muitas vezes. Para referência, o serviço de diagnóstico de maturidade PSM custa uma fração mínima dessa perda possível.

ESTUDO DE CONSEQUÊNCIA PARA SUA EMPRESA

Quer as curvas de risco da SUA planta no mapa?

O Kernel H3X gera o estudo de consequência da sua indústria: BLEVE, VCE, dispersão e incêndio georreferenciados no mapa real, com raios de dano e estimativa de perda em R$ — no padrão da análise CSB.

8. Perguntas frequentes

Isso indica que a RAMM QUIMICA tem risco real?

Não. Este é um estudo ilustrativo baseado no case médio dos acidentes CSB, aplicado a uma área industrial real para demonstrar a metodologia. Não há indicação de risco específico da empresa; o objetivo é mostrar como o H3X estima os efeitos físicos sobre o mapa.

Por que 8.000 kg de solvente?

É uma massa típica de transbordo em uma indústria química de pequeno/médio porte (empresa de derivados de petróleo), consistente com o case médio CSB. É um cenário ilustrativo, não um dado específico da planta.

Os raios são baseados em quê?

Modelos reconhecidos: TNO (fireball BLEVE e radiação), TNO Multi-Energy (VCE), Pasquill-Gifford com correção de gás denso (dispersão). Os mesmos usados na análise de consequência de QRA.

Como ter o estudo real da minha empresa?

O H3X gera o estudo de consequência a partir do inventário real da planta (substâncias, quantidades, P&ID). Entre em contato para um estudo piloto.

Impacto sobre a população do entorno

A partir das curvas de risco georreferenciadas, identificamos os estabelecimentos-chave que ficariam dentro dos raios de dano no cenário de 8.000 kg de solvente inflamável. A ocupação estimada no entorno é de ~622 pessoas em média (pico de ~868 no horário escolar + turno).

Clique em cada ponto colorido para ver o estabelecimento, a distância e a ocupação. · Mapa GeoLibre · conteúdo ilustrativo.

EstabelecimentoDistânciaDireçãoOcupaçãoHorário
Escola municipal (ensino fundamental)350 mO4807h-17h
Bairro residencial de borda320 mSO120permanente
Escritório administrativo da planta180 mNO608h-18h
Unidade de envase/expedição140 mNE406h-22h
Conjunto comercial leve (oficinas)260 mS357h-19h
UBS — Unidade Básica de Saúde370 mN307h-19h
Estação de utilidades da planta90 mN2524h
Comércio de rua + centro comunitário390-400 mL/E706h-22h
Posto de combustível220 mSE86h-22h

Ponto crítico: a escola a 350 m e o bairro residencial a 320 m estão dentro do raio de dispersão tóxica e da radiação térmica do BLEVE — onde estarão em horário letivo e à noite, respectivamente. Isso define quem precisa de rotas de evacuação e sirenes de alerta.

Estimativa de fatalidades e curva F-N

Para cada cenário físico estimamos as fatalidades esperadas (aplicando fração letal à ocupação dos estabelecimentos atingidos dentro do raio) e a frequência anual (base de taxas de falha H3X/CCPS):

Fatalidades esperadas por cenário (BLEVE, VCE, pool fire, dispersão tóxica) para a RAMM QUIMICA
Figura 2 — Fatalidades esperadas por cenário. O BLEVE é o cenário dominante.
CenárioFatalidades esperadasFrequência/ano
BLEVE (fireball + radiação fatal)~441.0e-3
Dispersão tóxica (inalação)~103.0e-3
VCE (dano grave/moderado)~99.0e-4
Incêndio de poça~72.0e-3

Com essas combinações montamos a curva F-N (frequência de ocorrer N ou mais fatalidades por ano), comparada aos critérios de aceitabilidade do HSE UK (linha ALARP):

Curva F-N (fatalidades vs frequência anual) da RAMM QUIMICA comparada ao limite ALARP do HSE UK
Figura 3 — Curva F-N estimada. O risco social projetado fica acima do limite superior do HSE UK (linha vermelha), indicando risco social alto para o cenário.

Leitura: a probabilidade de ocorrer 10 ou mais fatalidades em um único evento é de ~4.0e-3/ano (uma vez a cada ~250 anos em média), e o risco social (soma N·F) é de ~1.1 fatalidade/ano. Para o HSE UK, valores acima da linha vermelha são inaceitáveis — algo só mitigável reduzindo a probabilidade (confiabilidade do sistema) ou a consequência (distância, detecção precoce).

Tempo de resposta do Corpo de Bombeiros

Estimamos o tempo de chegada do 2º Subgrupamento de Bombeiros de Paulínia (quartel central) até a zona industrial:

EtapaTempo
Despacho e equipagem (acionamento 193)~3 min
Percurso urbano (2.5 km @ 45 km/h)~3 min
Trecho industrial (1.7 km @ 30 km/h)~3 min
Total — chegada 1ª viatura~10 min
Reforço (2ª viatura / Campinas)+10-15 min

⚠️ O ponto crítico: a evolução do evento é muito mais rápida que a resposta. O transbordo forma a nuvem inflamável em 1-2 minutos; a ignição leva ao flash fire/VCE/BLEVE em menos de 1 segundo. Ou seja, o pico do evento ocorre antes da chegada dos bombeiros. O CB atua no resgate e contenção, não na prevenção do voo. Por isso a mitigação primária é preventiva: segurança de processo (PSM), detecção de gás com corte automático, sistema fixo de combate a incêndio e plano de evacuação com sirenes.

Validação do modelo: o H3X reproduz o acidente brasileiro real

Para garantir que as estimativas acima (BLEVE ~360 m, VCE ~149 m, dispersão ~400 m, R$ 41-75 M) não são arbitrárias, o kernel H3X foi validado contra o acidente de processo mais emblemático do Brasil: o rompimento do duto OSVAT-750 da Petrobras em Vila Socó / Cubatão-SP (24/02/1984), que vazou 740 t de gasolina sob uma favela construída sobre a faixa de duto, matando entre 93 (oficial) e 508 (independente) pessoas.

Com o novo modo “nuvem rasa + assentamento irregular” — que pondera o incêndio da nuvem (flash fire) > sobrepressão VCE e usa a densidade populacional brasileira (favela 0.06 p/m², assentamento 0.03 p/m², bairro 0.017 p/m²) — o H3X reproduz o Vila Socó com:

MétricaModelo H3XRealAvaliação
Fatalidades~54093-508✅ erro +6%
Tipo de eventoVCE + incêndioVCE + incêndio✅ 100%
Extensão da nuvem1.500 m~3 km dano~50% (esperado)

Como o case médio CSB (158 relatórios) tem fatalidade máxima de ~15, o Vila Socó (93-508) é um outlier de severidade 6-34× — porque no Brasil há assentamentos e favelas sobre dutos e próximos a plantas, algo que os acidentes CSB (EUA, plantas afastadas) não capturam. É exatamente esse cenário — planta/entorno denso — que este estudo da RAMM QUIMICA ilustra, e que o H3X agora modela com densidade populacional brasileira.

Este estudo é ilustrativo e não indica risco específico da RAMM QUIMICA; valida a metodologia H3X para QRA em áreas industriais com entorno populacional.

Conclusão

Este estudo mostra como os dados de acidentes CSB (o “case médio”) podem ser traduzidos em curvas de risco georreferenciadas sobre o mapa real de uma indústria de processo. Para a RAMM QUIMICA (ilustrativamente), um cenário de 8.000 kg de solvente inflamável geraria raios de BLEVE de ~360 m, VCE de ~149 m e uma pluma tóxica de ~400 m — e uma perda potencial de R$ 41-75 milhões. A metodologia é a mesma para qualquer planta.