As mudanças climáticas já são uma realidade na rotina dos serviços de saúde. Eventos extremos, como enchentes, ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais e tempestades severas têm impactado diretamente a saúde das populações e desafiado a capacidade de resposta dos sistemas de atendimento.

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Diante desse cenário, o urologista Frederico Fraga, diretor do Departamento de Urologia da AML (Associação Médica de Londrina) e estudioso da área de Medicina do Desastre, vai apresentar a palestra que abrirá a Jornada de Urgências e Emergências da AML, no dia 7 de agosto, às 20h, abordando o tema “Medicina do Desastre e Emergências Climáticas”. 

A palestra será seguida de uma mesa redonda com especialistas que atuam na linha de frente dessa discussão. Participam do debate Fernando Sabia Tallo, presidente da Abramurgem (Associação Brasileira de Medicina de Urgência e Emergência),  trazendo a visão da medicina de urgência no Brasil; Luiz Carlos Von Bahten, diretor de Comunicação da AMB (Associação Médica Brasileira), que falará sob uma perspectiva cirúrgica e de gestão médica; e Patricia Krecl, especialista do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), que compartilhará sua visão da ciência climática e seus efeitos diretos na saúde.

Segundo o especialista, a escolha do tema reflete uma necessidade cada vez mais urgente da medicina contemporânea. “As mudanças climáticas representam hoje um dos principais desafios de saúde pública deste século. A Medicina do Desastre é uma área consolidada em diversos países, mas ainda pouco difundida na formação médica brasileira. Precisamos discutir por que os profissionais e os serviços de saúde devem se preparar para essa nova realidade“, afirma Fraga.

Desafios para o sistema de saúde

Embora o Brasil conte com profissionais qualificados e uma estrutura de saúde robusta em muitas regiões, ainda existem desafios importantes quando o assunto é resposta a grandes desastresDe acordo com Frederico Fraga, muitos serviços de saúde ainda não possuem planos específicos para situações de calamidade, e a integração entre saúde, defesa civil e gestão pública precisa avançar.

“As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 demonstraram uma grande capacidade de mobilização dos profissionais de saúde, mas também revelaram vulnerabilidades do sistema. Foi uma demonstração clara de que precisamos investir mais em planejamento, treinamento e estrutura para enfrentar eventos dessa magnitude“, destaca o médico.

Outro ponto abordado na palestra será o papel estratégico dos hospitais e serviços de urgência na construção de planos de resposta a emergências climáticas. De acordo com Frederico Fraga, essas instituições precisam manter sua capacidade operacional mesmo quando toda a comunidade ao redor está sendo impactada por um desastre.

Impactos das mudanças climáticas na saúde

Além dos efeitos imediatos causados por desastres naturais, as mudanças climáticas também contribuem para o aumento de diversas doenças e condições médicas. Entre elas estão os agravos relacionados ao calor extremo, desidratação, complicações cardiovasculares e respiratórias, além da expansão de doenças transmitidas por vetores, como dengue e outras arboviroses.

O especialista destaca que eventos climáticos extremos também favorecem surtos de doenças de transmissão hídrica e podem desencadear importantes impactos na saúde mental da população, especialmente entre grupos mais vulneráveis, como idosos, crianças e pacientes com doenças crônicas.

Para Fraga, eventos científicos como a Jornada de Urgências e Emergências da AML desempenham papel fundamental na preparação dos profissionais de saúde para os desafios que já se apresentam.

“As emergências climáticas exigem uma abordagem multidisciplinar e colaborativa. Discutir esses temas em jornadas e congressos permite disseminar conhecimento atualizado, promover a troca de experiências e fortalecer redes de cooperação. Precisamos preparar os profissionais para responder a eventos que, infelizmente, tendem a se tornar cada vez mais frequentes“, conclui.

‘Quem socorre o socorrista?’

Outro tema de destaque na Jornada será a palestra “Quem socorre a equipe socorrista?”, coordenada pelo médico psiquiatra e psicanalista Marcelo José de Castro. Ele é o idealizador das sessões de Cinema e Psicanálise que acontecem todo mês no teatro da AML Cultural.

Para a Jornada, ele vai utilizar como exemplo alguns personagens da premiada série The Pitt, que retrata os desafios enfrentados no sistema de saúde nos Estados Unidos pela perspectiva de profissionais da linha de frente em um hospital moderno de Pittsburgh, na Pensilvânia.

A partir da série, Castro irá enfatizar os aspectos emocionais e de sofrimento psíquico dos médicos e demais profissionais da equipe de saúde que atuam em serviços de urgência e emergência. “Trarei alguns dados atualizados sobre a incidência de burnout, transtornos de ansiedade e depressivos que acometem os médicos desses serviços”, completa o psicanalista. 

Tomada de decisão no pronto-socorro

A Jornada de Urgências e Emergências da Associação Médica de Londrina será realizada nos dias 7 e 8 de agosto, reunindo especialistas de diversas áreas que irão conectar teoria, prática e tomada de decisão no pronto-socorro, um dos cenários mais desafiadores da medicina. 

Durante dois dias, estudantes, internos, residentes e médicos especialistas terão acesso a uma programação dinâmica com palestras, mesas redondas, discussões de casos reais e estações práticas hands-on. A programação reúne diversas especialidades médicas convergindo para o mesmo tema em mesas redondas, debates, estações práticas de hands-on, palestras e apresentações de casos clínicos.

A Jornada será dividida em salas: azul, laranja e verde, conforme as diferentes especialidades e contará, ainda, com o Espaço Conexão, onde será realizado o networking entre os participantes e os parceiros.

Na Sala Azul serão realizadas as mesas de Emergências Pediátricas, Saúde Pública e Medicina da Família, Ginecologia e Cirurgia Vascular.

Já na Sala Laranja, acontecerão as estações práticas de hands-on nos temas: Via Aérea e Intubação, Curativos e Queimados, Imobilizações e Talas, Acesso Venoso e Ultrassom e Punção LombarPor fim, a Sala Verde será palco das mesas de Cardiologia, Pneumologia, Emergências Neurológicas, Alergia e Imunologia, Aparelho Digestivo, Endocrinologia e Dermatologia.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas por aqui.

By Daniel Wege

Consultor HAZOP Especializado em IA | 20+ Anos Transformando Riscos em Resultados | Experiência Global: PETROBRAS, SAIPEM e WALMART